12 de abril de 2017

Opinião – “Médico de Província” de Thomas Lilti


Sinopse

Nos últimos trinta anos, Dr. Jean-Pierre Werner tem trabalhado como médico generalista em várias aldeias de província, distantes de qualquer unidade hospitalar. Quando descobre que sofre de uma grave doença, Werner não tem outra escolha senão encontrar um substituto, apesar de se considerar - e de os seus pacientes o considerarem - insubstituível.

Opinião por Artur Neves

“Médico de Província” apresenta-nos uma história passada em França, fora de qualquer cidade, em pleno ambiente rural, onde um médico cuida dos seus doentes visitando-os regularmente, não só por causa de problemas de saúde mas também como elo de ligação entre a terra que habitam, usufruem, e um conceito civilizacional muito afastado daquela realidade. As suas visitas servem também para a resolução dos mais variados problemas do quotidiano que os afligem e que se sentem incapazes de resolver.
Neste contexto, a falta deste “João Semana” mais se fará sentir quando ele descobre que tem um tumor cerebral que lhe causa perturbações de visão, de estabilidade, de olfato e lhe dificulta o cumprimento da missão que se impôs. As coisas ainda se complicam mais quando a autoridade de saúde que o supervisiona lhe envia uma médica para o auxiliar e aliviar de tarefas onde tem sentido dificuldades.
De princípio a sua reação é negativa, pois não aceita intromissão nos seus hábitos e prepara-lhe “praxes de caloiro” enviando-a para os seus doentes mais problemáticos ao que ela responde com um profissionalismo e abnegação extremos motivando a sua admiração silenciosa e secreta, enquanto o tumor segue o seu caminho, não obstante o continuado tratamento a que periodicamente se sujeita.
Temos pois um filme rural, com piadas de ocasião, eventos do quotidiano normal, segredos e silêncios, simpatias que nascem, aborrecimentos passageiros, conduzindo-nos ao longo dos dias que não diferem significativamente entre si e nos fazem perguntar na sala escura; para onde é que isto irá?...
Os sentimentos demonstrados por todos os personagens são ligeiros, comuns, não arrebatam ninguém, o ambiente rural que se nos apresenta é banal, quotidiano, rotineiro nas atenções prestadas aos doentes, o clima entre os dois personagens principais é sempre cordial embora se possa inferir, sem qualquer menção expressa, eventuais alterações de sentimentos através de olhares ou da negação destes, desenrolando-se todavia todos os atos dentro da mais convencional normalidade que nos faz pensar que o seu autor; Thomas Lilti diretor e argumentista deste relato bucólico nos quis apresentar um documentário ficcionado da vida na província Francesa, pois não acredito que em pleno século XXI ainda exista um “João Semana” em funções efetivas.
A cereja em cima do bolo aparece na última TAC a que o médico é sujeito como controlo do tratamento prescrito, onde milagrosamente, já não aparece qualquer referencia ao tumorl, depois de em várias alturas do filme nos terem pintado um quadro negro de impossibilidade de operação e ineficácia do tratamento. Ora bolas, se era só para isto mais valia termos ido pastar caracóis para o campo.

Classificação: 4 numa escala de 10

6 de abril de 2017

Opinião – “Negação” de Mick Jackson


Sinopse

Baseado no famoso livro "Denial: Holocaust History on Trial", Negação dá-nos conta da batalha judicial que Deborah E. Lipstadt (Rachel Weisz, vencedora de um Óscar) travou em tribunal contra David Irving (Timothy Spall, nomeado para um BAFTA) em defesa da verdade histórica. David Irving processara-a por difamação na sequência de ela lhe ter chamado negacionista do Holocausto. No sistema judicial inglês, em casos de difamação, o ónus da prova recai sobre o réu, e coube portanto a Deborah Lipstadt e à sua equipa de advogados liderada por Richard Rampton (Tom Wilkinson, nomeado para um Óscar) provar que o Holocausto ocorreu.

Opinião por Artur Neves

Esta história começa em 1994 quando David Irving, historiador britânico defende a tese de que Hitler não terá sido o autor do genocídio de milhares de judeus durante a segunda guerra mundial, negando mesmo a ocorrência do Holocausto, durante uma palestra de lançamento do livro de Deborah E. Lipstadt que aborda precisamente o tema do extermínio do povo judeu durante o conflito. David, depois de provocar um verdadeiro circo durante a palestra desafia a escritora a apresentar-lhe provas documentais irrefutáveis dos factos relatados no livro, acusando-a de difamação da sua pessoa e da sua obra.
Lipstadt vê-se assim envolvida numa disputa judicial, que através da divulgação mediática que este ato teve, tornou-se num libelo jurídico que acaba por constituir um julgamento público à própria aceitação da existência do Holocausto e dos seus contornos mais devastadores.
Trata-se portanto de um filme de julgamento para o qual Mick Jackson (realizador Inglês, nascido em 1943, e também autor do filme “The Bodyguard” 1992) escolhe um conjunto de atores de primeiríssima água, oriundos do teatro, e tal como era esperado apresentam um desempenho perfeito dos personagens envolvidos na história.
Só que… esta é uma história mais para ser lida e analisada ao pormenor de todos os argumentos evidenciados na disputa e onde o seu visionamento não acrescenta grande mais valia para a sua compreensão ou desenvolvimento. Para nós, que vemos o filme na sua versão inglesa com legendas, significa um contínuo trabalho de leitura, interessante do ponto de vista formal, mas que nos faz perder a pouca ação que a história apresenta e principalmente o desempenho dos atores e das suas personagens, que de acordo com o regime judicial Britânico implica que seja a acusada (Lipstadt) a provar que o Holocausto ocorreu mesmo.
Este facto provoca diferenças de entendimento na equipa de advogados que geram conflitos que a leitura das legendas não reporta. Por outro lado, as alegações são de tal modo subtis que conferem a toda a cena expectativa (sobre a resposta do oponente) em vez de ação.
Não pode dizer-se todavia que não seja um bom argumento, ou que não reflita com justeza o que se terá passado no julgamento, ou até o horror que se viveu naqueles tempos, na minha opinião a linguagem cinematográfica é que não será a mais adequada por nos transmitir uma certa indefinição e aleatoriedade no desempenho dos personagens. Todavia, durante o visionamento, não considerei que fosse tempo perdido.

Classificação: 5 numa escala de 10

21 de março de 2017

Opinião – “Vida Inteligente” de Daniel Espinosa


Sinopse

“Vida Inteligente” conta-nos a história dos seis membros da tripulação da Estação Espacial Internacional no momento em que a mesma se depara com uma das mais importantes descobertas na história da humanidade: a primeira prova da existência de vida extraterrestre em Marte.
À medida que a tripulação inicia a pesquisa, os seus métodos acabam por ter consequências indesejadas e a forma de vida mostra ser mais inteligente do que alguma vez esperaram…

Opinião por Artur Neves

O limite do nosso conhecimento atinge o princípio do desconhecido quando os acontecimentos atuais diferem substancialmente das nossas expectativas, baseadas no raciocínio lógico do nosso pensamento.
A frase anterior pode resumir toda a história contida neste filme de Daniel Espinosa, realizador Sueco que já nos apresentou dois bons trabalhos anteriores, em 2012; “Detenção de Risco” e 2015; “A Criança nº 44” e traz-nos agora uma história totalmente passada a bordo da EEI (Estação Espacial Internacional) que por ser uma realidade a pairar continuamente sobre as nossas cabeças dando 16 voltas por dia ao nosso planeta, constitui uma “ficção” muito colada à realidade, não fora a presença de um ser alienígena empenhado em nos mostrar que a dimensão do nosso conhecimento científico da vida, como uma força emergente, é muito inferior ao que não conhecemos sobre a sua capacidade de resistência.
Toda a história é vivida por seis astronautas residentes na EEI, vivendo em regime de imponderabilidade, cumprindo os protocolos de controlo de orbita e de segurança a bordo transmitindo-nos um realismo muito credível da atividade espacial do nosso tempo. O trânsito a bordo, a atividade diária dos astronautas, os compartimentos estanques que nos são mostrados por toda a EEI podem ser confirmados por filmes reais do You-Tube, todo o cenário é assim muito cuidado, fazendo-nos quase sentir o sétimo tripulante.
A atividade mais importante para esta história consiste na recolha e análise de detritos captados em Marte, onde é identificado um organismo desconhecido, mas semelhante aos organismos vivos existentes na origem da terra que provoca a curiosidade de toda a tripulação resolvendo estimulá-lo em ambiente reservado para melhor o conhecer, desafiando assim os seus próprios conhecimentos sobre uma matéria recheada de múltiplas construções e demasiadas convicções.
O resultado só pode ser o desastre, materializado no desenvolvimento de uma entidade que luta para se afirmar, afinal como todos nós nas nossas vidas individuais, considerando toda a tripulação como os seus adversários a abater numa luta sem quartel de ambas as partes. Não se pode dizer que seja uma ideia original mas o facto de estar tão próxima da terra e no interior de uma estrutura tecnológica real, coloca assim a ameaça numa perspetiva próxima e possível de cujo desfecho dependerá o nosso futuro.
Estamos portanto em presença de um filme bem realizado, sobre uma ideia plausível, que nos transporta para um eventual problema com que podemos ser confrontados no futuro. Recomendo, o seu desfecho é surpreendente.

Classificação: 8 numa escala de 10

14 de março de 2017

Opinião – “A Autopsia de Jane Doe” de André Ovredal


Sinopse

Para Tommy (Brian Cox) e Austin (Emile Hirsch), dois médicos legistas que são também pai e filho, esta é uma noite igual a tantas outras passadas na morgue, até que chega um estranho cadáver sem identificação. Descoberta na cave de uma família que foi brutalmente assassinada, a jovem Jane Doe - assustadoramente bem preservada - está envolta em mistério.

Opinião por Artur Neves

Estamos em presença de uma história de terror que começa com a descoberta de um cadáver de mulher particularmente bem tratado, com bom aspeto, razoavelmente limpo e não fora a ausência de respiração e de movimento poder-se-ia pensar noutra situação diferente da morte. O cadáver é levado para um necrotério local onde trabalham o médico legista e o seu filho que se lançam na tarefa de descobrir a causa da morte e outros pormenores significativos.
Com este tema André Ovredal, realizador sueco que em 2010 nos apresentou “Caçador de Trolls” (???) com pouco sucesso entre nós, traz-nos aqui uma história com todos os ingredientes do tema que apesar de se passar numa única noite, numa cave onde será feita a autópsia e apenas com dois personagens, prende-nos às cenas que se vão desenrolando e nos vão mostrando que por motivos desconhecidos o “cadáver não estará realmente morto”.
O ambiente criado é soturno, o suspense é credível, conseguido com travellings de câmara que apesar de não mostrarem nada para além das paredes do recinto criam a expectativa da surpresa que nos agarra ao assunto. Como também é comum nestes filmes, a noite é de tempestade, a eletricidade falha, as comunicações também e o ambiente de isolamento criado transporta-nos para os nossos próprios medos e para o sentimento de fraqueza e de incapacidade de defesa que sentiríamos se nos encontrasse-mos naquela situação.
Na primeira parte, a história desenvolve-se pela inferência científica da investigação da presumível morte até que os sinais esotéricos encontrados no interior do corpo transportam os dois analistas para eventuais razões transcendentais que encontram eco nos seus próprios erros e nos seus remorsos sobre atos passados que dão ao filme uma dimensão de culto macabro que se vai repetir naqueles dois personagens tal como tinha ocorrido da casa onde o cadáver foi encontrado.
A história a que assistimos é simples e escorreita, sem grandes rasgos, nem efeitos especiais salvo os de caracterização, mas os que nos submete é o confinamento que o realizador habilmente conseguiu criar que nos causa desconforto e mantem o olhar na tela à procura do caminho de fuga que não existe, porque não é de morte que se trata mas antes de vida sedenta de vingança. É um filme quase série “B” mas vale o tempo que lhe dedicamos.

Classificação: 6 numa escala de 10

8 de março de 2017

Opinião “100 Metros” de Marcel Barrena


Sinopse

Ramón, pai de família, vive para o trabalho até que o seu corpo começa a falhar.
Com o diagnóstico de Esclerose Múltipla todos os prognósticos pareciam indicar que no espaço de um ano não seria capaz de andar nem cem metros. Ramón decide levantar-se para a vida e participar na prova desportiva mais dura do planeta.
Com a ajuda da sua mulher e do rabugento do seu sogro, Ramón começa um treino peculiar no qual lutará contra as suas limitações, demonstrando ao mundo que render-se não é opção.

Opinião por Artur Neves

Marcel Barrena, realizador e autor do argumento desta história fundamentada num caso verídico, mostra-nos o sofrimento e a profunda desestruturação pessoal de um paciente de esclerose múltipla que num pequeno intervalo de tempo vê a sua vida drasticamente alterada por esta doença silenciosa, sem cura, que se agrava com o passar do tempo e que não desaparece até ao fim dos nossos dias. Tal como se refere no filme, é uma companheira para dançar para a qual temos de nos prevenir para que não nos pise.
O título, reporta-se ao limite genérico de capacidade de locomoção quando somos apanhados por ela, embora de maneira ligeira, mas que nos deforma a postura, a clarividência, a vista ou qualquer dos nossos sentidos que estamos habituados a usar. Todavia representa também o alvo a ultrapassar quando cerramos os dentes e decidimos combater (se é que se pode chamar assim) o mal através do esforço, da perseverança, da abnegação pelo sofrimento autoinfligido em muitas horas de treino físico que constitui o alimento da esperança, da raiva, do desespero para que não se piore o que já é muito mau.
Trata-se pois de uma história de superação das nossas fraquezas, de estoicismo, de desafio para todos os que nos cercam e por fim, de descoberta de amigos improváveis, de confirmação de outros que não nos abandonam e de revelação de pequenos nadas que nessa situação são o tudo a que ficamos reduzidos. É sem dúvida uma história de destruição inevitável em que o fim é conhecido e inevitável, mas em que o que conta é que o percurso até lá seja o mais longo e “normal” possível, para nosso bem e dos que nos rodeiam indiretamente afetados pela mesma doença.
A doença não é o verdadeiro mal, mas sim a vida em si mesma que permite que este, ou outro mal se sobreponha a uma existência que prevíamos diferente.
A história está bem contada, Alexandra Jiménez, que desempenha o papel de “Inma”, esposa de “Ramón” Dani Rovira, está muito convincente como esteio da família e o sogro mal-amado “Manolo”, Karra Errejaldo, é o elemento dissonante na tragédia, que constrói um personagem truculento e desafiador mas fundamental para a superação de Ramón e para a elevação da história. Também é agradável ver Maria de Medeiros num papel de hippie que empresta algum colorido à ação, lamenta-se é que seja tão pouco.

Classificação: 6 numa escala de 10

24 de fevereiro de 2017

Opinião – “Policias Corruptos” de Alex Brewer e Benjamin Brewer


Sinopse

Jim Stone (Nicolas Cage) e David Waters (Elijah Wood) fazem parte da unidade forense da Polícia de Las Vegas, na equipa de Gestão de Provas. Ambos têm uma vida difícil e são pouco respeitados no seu trabalho. Stone está aborrecido e desiludido e Waters, igualmente passivo, está a tentar ultrapassar a recente separação da sua mulher. Ao rever pastas de alguns casos, Stone descobre um recibo com informação acerca de uma recente apreensão de droga a um gangue e começa a elaborar um plano para ficar com o dinheiro. Após recrutar Waters como ajudante, ambos vão prosseguir com o plano para o golpe e tomam posse de um cofre. Os problemas começam quando Waters muda de ideias e não quer continuar a participar do golpe. A partir daí, as coisas vão começar a correr muito mal...

Opinião por Artur Neves

Jim Stone e David Waters são dois polícias que tentam aproveitar oportunisticamente uma situação acidentalmente descoberta na sua atividade normal de trabalho forense, cedendo aos seus instintos mais profundos de ganhar dinheiro fácil que lhes permita afastar-se das suas monótonas profissões, mesmo incorrendo em faltar ao compromisso de honra para com a corporação policial e a sociedade que neles confia.
Dito assim parece uma história linear que todavia não se verifica porque os irmãos Brewer, realizadores de serviço, (talvez inspirados por outra dupla de realizadores: os irmãos Coen) quiseram construir um filme negro que fosse uma comédia thriller (ou vice-versa) com dois atores tão dissonantes como diferentes são as características dos seus personagens em que se mostra um Jim Stone (Nicolas Cage) brigão, oportunista, velhaco, imprevisível, frio e um David Waters (Elijah Wood) abatido, reservado, a compensar o seu falhanço matrimonial com sessões de evasão por consumo de droga, só remotamente interessado no arrojado plano do colega, até porque receia as consequências da ideia, mas que o segue e faz equipa com ele para não ter de argumentar os reais motivos de desgosto e autocomiseração que lhe ocupam o espírito.
Para dar contexto a este esquema a história apresenta-nos episódios quotidianos destas personagens e dos seus pares na atividade policial que nos pretendem fazer rir, mas que só provocam expectativa quanto à sua inserção na história, considerando que estão deslocados do fio condutor que move a ação. Para mim, Nicholas Cage nunca foi um ator escorreito mas neste filme, assumindo um papel entre a excentricidade e a imprevisibilidade oferece-nos um personagem barato, cheio de truques e ideias tresloucadas que pretendem induzir sorrisos, mas que avivam a memória para outros filmes onde aqueles gags já forma utilizados com equivalente insucesso. Elijah, por seu lado, ao assumir uma postura mais reservada podia equilibrar os devaneios de Cage mas não é isso que acontece e o filme desenvolve-se entre a imprevisibilidade e o amadorismo identificado mesmo em algumas fragilidades do argumento.
Curiosamente dá-nos o ensejo de ver (ou rever) Jerry Lews, totalmente diferente do que nos habituou ao longo da sua carreira mas com uma presença tão curta que só se retém a sua cara enrugada e o seu ar abatido e, direi mesmo, infeliz. Assim sendo este filme não está bem em nenhum dos seus objetivos; para ser thriller falta-lhe suspense e emoção, para ser comédia negra falta-lhe sobriedade e distanciamento que pode resumir-se como sendo “um filme em modos de assim…”

Classificação: 4,5 numa escala de 10

21 de fevereiro de 2017

Passatempo Cinema - O ESPAÇO QUE NOS UNE

A D'Magia em parceria com a Big Picture Films tem para oferecer 25 convites duplos para a antestreia do filme "O espaço que nos une",  dia 28 de Fevereiro, às 21.30h:

NOS Cinemas UCI El Corte Inglés Lisboa – 5 convites duplos
Cinemas NOS Parque Nascente Gondomar – 20 convites duplos

Sinopse:
Uma nave espacial embarca na sua primeira missão para colonizar Marte. Durante a longa viagem descobre-se que uma das astronautas está grávida. Já em Marte, ela morre devido a complicações no parto do primeiro humano nascido no planeta vermelho – nunca tendo chegado a revelar quem é o pai do seu filho.

Aqui começa a extraordinária vida de Gardner Elliot – um menino curioso e altamente inteligente que atinge os 16 anos apenas conhecendo 14 pessoas no seu ambiente pouco convencional. Enquanto procura por pistas sobre o seu pai e sobre o planeta Terra que nunca conheceu, Gardner inicia uma amizade online com uma rapariga do Colorado chamada Tulsa.

Quando finalmente chega a oportunidade de ir para a Terra, Gardner está ansioso para experimentar todas as maravilhas sobre o que lera em Marte – das coisas mais simples às mais extraordinárias.

Mas assim que as suas explorações começam, cientistas descobrem que o seu organismo pode não se adaptar à atmosfera da Terra.

Na expetativa de encontrar o seu pai, Gardner foge à equipa de cientistas e encontra-se com Tulsa, numa corrida contra o tempo para descobrir as suas origens, a vida e o seu lugar no universo.

Trailer:
https://www.youtube.com/watch?v=NKDpohGrdEM

Para te habilitares a ser um dos vencedores só tens de responder à seguinte pergunta:

- Qual o nome do realizador deste filme?

Caso nos sigas nas nossas outras plataformas, a tua participação conta como mais uma por cada plataforma em que nos seguires. Basta nos referires na tua participação o teu nome de seguidor em cada uma delas. As nossas plataformas são: 

Blog D'Magia LifeStyle / Inconfidências de Pedaços Rasgados de Memória - https://www.pedacosrasgadosdememoria.blogspot.com

Regras do passatempo:
1) Enviar a resposta para martadacunhaecastro@gmail.com indicando: Nome Completo, Número de BI ou CC, Nome de Fã no Facebook e Nome de Seguidor no Blog
2) O assunto do email deverá ter a menção Passatempo Cinema - O espaço que nos une e a localidade (LISBOA ou PORTO)
3) Só é válida uma participação por pessoa/e-mail.
4) É obrigatório seres nosso Fã no Facebook e Seguidor no Blog.
5) O passatempo é válido até às 23:59 de dia 26 de Fevereiro
6) Os vencedores serão apurados através de um sorteio via random.
7) Os vencedores avisados através de email.

15 de fevereiro de 2017

Opinião – “Passageiros” de Morten Tyldum


Sinopse

Jennifer Lawrence e Chris Pratt são dois passageiros a bordo de uma nave espacial que os transporta para uma nova vida noutro planeta. A viagem sofre uma reviravolta mortal quando as cápsulas de hibernação os acordam 90 anos antes da chegada ao seu destino. À medida que Jim e Aurora tentam desvendar o mistério por trás desta falha, apaixonam-se, sendo incapazes de negar a sua intensa atração... sendo no entanto ameaçados pelo iminente colapso da nave e pela descoberta da verdade sobre o porquê de terem acordado.

Opinião por Artur Neves

Esta história tem um princípio que nos excita e nos torna atentos ao que nos pretenderá mostrar, mas lamentavelmente depressa perdemos toda essa emoção quando começamos a compreender que o que move o realizador Morten Tyldum, nascido na Noruega há 50 anos, é criar uma novela inevitável entre duas coqueluches Hollywoodescas; Jennifer Lawrence uma das atrizes mais bem pagas atualmente e Chris Pratt, estrela de “Mundo Jurássico” 2015, que por motivos não muito bem revelados se encontram presos numa nave interestelar que transporta cinco mil pessoas para um destino mais promissor do que neste pobre planeta azul que abandonaram, sabe-se lá porquê!...
A viagem está programada para cento e cinquenta anos pelo que todos os passageiros viajam em hibernação, mas uma avaria faz despertar Jim Preston (Chris Pratt) noventa anos antes de chegar ao destino, ficando com pouco tempo para usufruir da “Terra Prometida”. Durante o 1º ano ele ainda se aguenta sozinho a reparar tudo o que encontra e a conversar com um barman androide a quem ele conta a sua solidão e o desejo de acordar a bela Aurora Lane (Jennifer Lawrence) que ele catrapiscou nos seus passeios pela nave, mas sabe também como isso significa uma condenação á morte da sua desejada companheira e sabe ainda que não tem o direito de se arvorar em Deus para lhe determinar tal destino.
Ficamos a saber que ele é engenheiro mecânico e ela é potencial escritora, porque ele dedica-se a pequenas reparações no interior da nave para o que constrói uma bancada de serralheiro onde gasta tempo em todos os hobbies que apanha à mão e ela escreve um romance que já vem pensado da terra que abandonou. Mas nem uma palavra sobre o motivo que os moveu ao envolverem-se naquela aventura, o que procuram no futuro, no destino longínquo que adotaram, o que os fez deixar o passado, quais os seus princípios, nada… apenas o vazio tão vazio como o meio onde aquela nave se desloca.
Perante estes dilemas éticos de vida, morte, direitos humanos, respeito pelo próximo o que move o realizador é o sobreaquecimento do reator estando a solução para o problema em acordar “naturalmente”, um dos oficiais da nave que irá entregar ao nosso engenheiro uma chave digital antes de morrer, que fará maravilhas e tornará o nosso herói improvável, o salvador da missão e a redenção para o seu imperdoável ato de acordar a sua amada.
Ora bolas meus senhores, a nave concebida até está interessante e surpreende-nos, mas não permitiria o nascimento de uma árvore no solo de aço, nem a concepção futurista do touch screen é tecnologia suficiente para conseguir tudo, desde bebidas frescas até uma complexa cirurgia ao coração realizada por personagens de que desconhecemos as motivações. É pena vermos uma ideia arrojada tão malbaratada por trivialidades que pretendem justificar que o amor é mais forte, que á ética é lançada às malvas e que os fins justificam os meios.


Classificação: 4 numa escala de 10

5 de fevereiro de 2017

Opinião – “Elementos Secretos” de Ted Melfi


Sinopse

Elementos Secretos, contam a incrível história de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae) – mulheres afro-americanas brilhantes que trabalham na NASA e são os cérebros por trás de uma das maiores operações da história: o lançamento do astronauta John Glenn para a órbita, um incrível feito que restaura a confiança da nação, agita a Corrida Espacial e reanima o mundo. O trio visionário atravessa género e raças para inspirar as gerações a sonharem alto.

Opinião por Artur Neves

Theodore Melfi realiza um argumento escrito em coautoria com Allison Schroeder, a escritora do romance que inspirou esta história de preconceito, segregação racial, sexual e autonomia da maioria negra pouco assumida por uma América pouco consciente dos direitos dos outros, independentemente das suas caraterísticas físicas. Estamos pois em plena época da guerra fria na altura da corrida espacial contra uma União Soviética que ameaçava um sucesso indesejável para uma nação que pretendia conquistar vitórias em todas as frentes.
Os computadores estavam no seu início e todos os cálculos eram feitos por homens e mulheres com características excecionais para o cálculo numérico e para a matemática onde sobressairiam estas mulheres negras que este filme glorifica e faz sair com todo o mérito da irrelevância histórica a que foram remetidas pelos seus chefes e colegas menos dotados do que elas, emboras brancos.
A história gira portanto em torno da segregação racial nos USA mas abordada de um forma condescendente, exemplificada por clichés demasiado óbvios que em vez de valorizarem o seu inestimável contributo para a conquista do espaço, justificam de certa maneira a sua condição pela sua vivência, ambiente familiar e posição social na comunidade.
Logo na abertura do filme, a primeira cena desenvolve um diálogo entre um polícia “grunho”, do mais boçal que os USA podem ter nas suas forças policiais, com as três “heroínas” que ensaiam um diálogo fabricado de lugares comuns e verdades convencionais, na minha opinião, tão pouco prováveis como o desfecho daquele encontro fortuito na estrada.
A sua vivencia na NASA, embora enaltecendo as suas qualidades como “computadoras” centra-se em pormenores quotidianos de forte conotação racial, mas nunca conferindo às personagens uma verdadeira espessura enquanto pessoas, uma estatura humana resistente à humilhação continuamente infligida numa época que deve ter sido realmente difícil de coabitar com colegas homens e mulheres brancas, que apesar do seu árduo trabalho, apenas lhe dedicavam uma compreensão envergonhada e piedosa, a que elas no fundo, estavam agradecidas.
O filme vale pois para memória futura, para que não seja esquecido o seu contributo para o desenvolvimento tecnológico de um país que influenciou o mundo para o bem e para o mal mas por outro lado também branqueia o comportamento social de uma época que permitiu “naturalmente” a sua ascensão apesar da cor da pele. Trata-se de um filme frouxo, embora com algum interesse do ponto de vista documental e histórico.


Classificação: 5,5 numa escala de 10

25 de janeiro de 2017

Opinião – “O Heroi de Hacksaw Ridge” de Mel Gibson


Sinopse

“O Heroi de Hacksaw Ridge” conta a extraordinária história verídica de Desmond Doss (Andrew Garfield) que em Okinawa, numa das batalhas mais sangrentas da 2ª Guerra Mundial, salva 75 pessoas sem disparar uma única arma. Ele foi o único soldado americano que, durante a 2ª Guerra Mundial, luta na frente de batalha sem estar armado, acreditando que apesar de a guerra ser justificada, matar continuava a ser errado. Como médico do exército, consegue evacuar, por si só, os feridos que tinham ficado em território inimigo, arriscando a ser abatido enquanto tratava dos soldados caídos, sendo ferido pela explosão de uma granada e atingido pelos tiros de snipers. Devido à sua bravura, Doss torna-se no primeiro objector de consciência a ser condecorado com a Medalha de Honra do Congresso Americano.

Opinião por Artur Neves

Dez anos depois da realização de outro filme baseado em factos verídicos; “Apocalypto” em 2010, eis que Mel Gibson nos apresenta este novo trabalho contendo o relato autobiográfico de um herói improvável na batalha mais sangrenta da segunda guerra mundial com o Japão entre Abril e Junho de 1945, não sendo todavia a batalha definitiva desta guerra. O Japão viria posteriormente a capitular na sequência da explosão das duas bombas nucleares em Hiroxima e Nagasaki, assumindo uma rendição sem condições.
Os factos são conhecidos da história, pelo que o valor deste filme centra-se no realismo e capacidade técnica com que são encenados, mostrando-nos em inteligentes e bem concebidas simulações a violência e a desumanidade de um combate sem quartel entre o poderoso exército norte-americano e a obediência fanática de um povo que se constituiu todo como um exército em nome de um império que só existiu na mente megalómana do imperador que o concebeu e desejava a sua concretização a qualquer custo.
A representação da batalha está soberba, a morte é abundante, indiscriminada e extremamente violenta como previsivelmente terá acontecido. Todos os pormenores são considerados com cuidado, particularmente o dos ratos que pululam por entre os cadáveres indiferentes à paixão que move os homens naquele diferendo. A realização constrói um ambiente de morte fétida e de desolação absolutamente credíveis, pedaços de corpos saltam em pedaços de onde menos se espera, toda a paisagem “cheira” a morte (ainda bem que a industria cinematográfica ainda não recriou estímulos para o olfato pois seria impensável assistir) e caos onde um homem, modesto de ambições, se agiganta na fidelidade das suas convicções e na loucura que as mesmas lhe conferem e assume-se como o salvador que ele mesmo venera, embora noutro contexto.
Desmond Doss (Andrew Garfield) está perfeito no seu papel de objetor de consciência, mostrando na primeira parte do filme as razões inabaláveis das suas convicções e na segunda o altruísmo e a loucura que o movem para “salvar só mais um…” de cada vez que volta ao campo de batalha.
Este é pois um filme de guerra com toda a carga realista que o realizador lhe confere e que já nos habituou, pelo que não será para todos os públicos. É todavia uma boa obra e um documento humano da história recente que merecia esta homenagem. Bom filme, bem feito, que recomendo.

Classificação: 8 numa escala de 10

11 de janeiro de 2017

Opinião – “Animais Noturnos” de Tom Ford


Sinopse

Susan (Amy Adams) é uma negociante de arte que se sente cada vez mais isolada do parceiro (Armie Hammer). Um dia, ela recebe um manuscrito de autoria de Edward (Jake Gylenhaal), seu primeiro marido. Por sua vez, o trágico livro acompanha o personagem Tony Hastings, um homem que leva sua esposa (Isla Fisher) e filha (Ellie Bamber) para tirar férias, mas o passeio toma um rumo violento ao cruzar o caminho com um gangue. Durante a tensa leitura, Susan pensa sobre as razões de ter recebido o texto, descobre verdades dolorosas sobre si mesma e relembra traumas de seu relacionamento fracassado.

Opinião por Artur Neves

Susan, uma mulher sofisticada e de boas famílias, vive uma relação que já não a satisfaz com o seu segundo marido identificado como homem de negócios que justifica a sua disponibilidade de meios e qualidade de vida, recebe pelo correio para apreciação, um exemplar do ultimo romance escrito pelo seu primeiro marido e grande amor da sua vida que ela desprezou por influencia da sua mãe que atendia mais à posição social do que à verdade das relações.
É com esta guião que Tom Ford, Americano, realizador e autor do argumento nos apresenta este seu segundo filme, contado com uma história dentro da história da vida de Susan, que esta interpreta e visualiza através da leitura do romance como uma vivência que lhe poderia ter acontecido se continuasse casada com o seu primeiro marido. Essa sua leitura perturba-a muito para além do enredo do romance, embora este nos indicie a possibilidade real de cenas de violência gratuita e implícita, através da caracterização das situações e dos autores materiais desse crime, que nos aparecem muito credíveis e capazes de os executar.
Estamos assim perante um drama com um suspense que ao vê-lo, me recordou David Lynch no seu filme Moulholland Drive, considerando o ambiente, os locais, as personagens e a maneira demorada a apresentar os factos, embora sem a mestria deste autor, pois a Tom Ford ainda falta “um bocadinho” para lá chegar. Não quero dizer todavia que não estamos em presença de um bom trabalho, bem construído, com um Michael Shanon a interpretar um polícia dedicado ao seu trabalho, à beira da morte por um cancro que lhe limita os dias de vida mas que ele gasta naquele caso mostrando-nos o que representa para algumas pessoas a abnegação pelas causas em que acreditam.
Susan é assim levada a repensar os seus atos, todas as atitudes da sua vida até aquele momento, bem como as afinidades que tinha com o seu primeiro marido e o convencionalismo das causas, por vezes poereis que justificaram a sua separação, por troca com uma relação em fim de ciclo que não lhe trás felicidade embora muita qualidade de vida.
Laura Linney interpreta uma mãe de Susan que merecia mais tempo e diálogos mais profundos para afirmar o seu personagem, pois assim aparece-nos como um elemento pontual. Ami Adams, lindíssima, tem neste filme pouco espaço para se afirmar ao contracenar com um soberbo Jake Gylenhaal (Edward) no papel de homem fraco. Um filme interessante que vale a pena desfrutar.

Classificação: 7 numa escala de 10

22 de dezembro de 2016

Opinião – “Custe o que Custar” de David Mackenzie


Sinopse

HELL OR HIGH WATER – CUSTE O QUE CUSTAR! conta a história de dois irmãos no Oeste americano: Toby (Chris Pine), um pai divorciado que tenta assegurar uma vida melhor para o filho, e Tanner (Ben Foster), um irascível ex-presidiário com tendências violentas. Juntos, decidem assaltar sucursal atrás de sucursal do banco que está a penhorar a propriedade da sua família. Com este esquema, eles querem reclamar um futuro que sentem ter-lhes sido roubado por forças maiores. Esta vingança parece ter sucesso até Toby e Tanner se cruzarem com um incansável Ranger texano (Jeff Bridges) à procura de um triunfo final antes da reforma. Assim, ao mesmo tempo que os dois assaltantes planeiam o último roubo para completarem o seu plano, avizinha-se no horizonte um explosivo confronto entre o único polícia honesto do Oeste e um par de irmãos sem nada a perder a não ser a sua família. Para além de um soberbo elenco, este drama conta com David Mackenzie (Starred Up) na cadeira de realizador e tem ainda o argumento assinado por Taylor Sheridan (Sicario - Infiltrado).

Opinião por Artur Neves

É com uma história tipicamente Texana e muito bem relatada que David Mackenzie (realizador nascido na Escócia à 50 anos) nos traz, o ambiente, o tempo atual e a moral subterrânea que justifica em parte, um certo american way of life que optou por eleger a personalidade truculenta de Donald Trump, para quem segue por princípio a filosofia de; “se queres toma-o”…
Nesta história também os dois irmãos assaltam bancos em sequência para satisfazerem os seus desejos de riqueza, no pressuposto que roubam o que já lhes foi anteriormente roubado e esse clima é bem ilustrado no filme pela postura dos banqueiros com quem eles contactam por motivo da herança deixada sob hipoteca pelos seus progenitores.
Toda a história é contada numa toada lenta e suave de acordo com o ambiente que a suporta, belas paisagens selvagens, pôr-do-sol lânguidos e contemplativos, atmosfera seca e acolhedora embora poeirenta que justifica a presença quase constante de cerveja a escorregar pelas gargantas secas pelo ar quente das longas tardes. Toda esta paz só é quebrada pelos assaltos dos dois irmãos e pela tenacidade dos seus perseguidores, com particular destaque para um xerife em vésperas de reforma, mas cuja experiencia acumulada lhe permite vislumbrar todo o plano engendrado por um dos irmãos, embora o menos notado e exuberante nos assaltos já realizados.
Não há propriamente uma investigação mas tão somente a compilação dos factos, o raciocínio simplista do 1 +1 e muita dose de inspiração, “faro” policial e paciência para esperar pelo golpe seguinte, que decorre de acordo com as previsões. Tudo isto é-nos contado sem pressas, sincronizado com o ritmo de vida circundante, entre duas cervejas bebidas em amena cavaqueira entre amigos e colegas de profissão, mostrando que no Texas não há pressa para chegar onde se pretende e enquanto o crude jorrar da terra com a facilidade e os parcos meios técnicos que se vêm no filme, não há aquecimento global que os perturbe e os dólares continuarão a encher os bolsos sem remorsos.
É uma história sobre a América profunda, em que o telemóvel é um quase adorno, a arma uma companhia inseparável e o chapéu de cowboy uma necessidade para proteger daquele sol inclemente. Para quê evoluir se assim se está tão bem e se vive sem preocupações. Um filme a ver para perceber como Manhattan é mesmo uma ilha minúscula naquele imenso país.

Classificação: 8 numa escala de 10

14 de dezembro de 2016

Opinião – “Acerto de Contas” de Gavin O’Connor


Sinopse

Christian Wolff (Affleck) é um génio matemático com mais jeito para lidar com números do que pessoas. Por detrás da sua faceta como revisor de contas numa pequena cidade, ele trabalha como contabilista freelancer para algumas das mais perigosas organizações criminosas. Assim que a Divisão Criminal do Departamento do Tesouro, dirigida por Ray King (J.K Simmons), o começa a investigar, Christian decide aceitar um cliente legítimo: uma empresa de robótica onde uma contabilista, Clerk (Anna Kendrick), descobriu uma discrepância de valores envolvendo milhões de dólares. Mas à medida que Christian encontra novas pistas nos livros e chega mais perto da verdade, o número de mortes começa a aumentar.

Opinião por Artur Neves

Mais uma vez, a somar a centenas de outras vezes, a nomeação em Portugal dos filmes estrangeiros com um nome diferente do original, provoca um desvio do foco da acção nem sempre benéfico para a história que o filme pretende contar. Este é um desses casos em que no original tem o nome de; “The Accountant” (O Contabilista) e pelo nosso mercado de exibição se chama; “Ajuste de Contas”.
No desenrolar da acção ocorre de facto um “ajuste de contas” no sentido mais lato que esta expressão possa ter, todavia a história centra-se na vida e no comportamento social de num homem, com deficiências de cognição compatíveis com sintomas de autismo, grandes perturbações emocionais e hipersensibilidade ao ruído desde a infância, agravadas pela vivencia no seio duma família desestruturada em que a mãe sai de casa e o pai, militar traumatizado com dramas sofridos na guerra do Vietname, assume a educação dos dois filhos, com particular atenção ao desenvolvimento deste, do qual o filme vai-nos mostrar o agravamento das suas tensões internas através de flashbacks que nos apresentam episódios significativos da sua inadequada educação.
É pois a história deste homem, cujo equilíbrio da sua relação social depende de sessões de autoflagelação e de diverso sofrimento autoinfligido na solidão da sua existência diária, que presta o serviço de contabilidade na qualidade de revisor de contas, utilizando a elevada capacidade da sua mente para os números, para a sua fácil memorização e operação nas mais diversas condições e contextos que o conduzem, por vezes sem intenção deliberada, a descobertas imprevistas e surpreendentes.
As coisas complicam-se quando lhe são indicadas à priori, suspeitas, cujas provas ele deve procurar. Estes elementos são-lhe fornecidos por uma mulher que tem o condão de lhe alterar a rotina e de lhe provocar em si mesmo, uma sensibilidade diferente, totalmente desconhecida até então que ele não sabe como manipular. Por outro lado a sua vida dupla, programada, meticulosa, para fazer face às suas alterações incontroladas de humor em caso de contrariedade, são postas em causa de uma maneira que ele não pode permitir e isso vai precipitar toda a acção.
Deste modo Gavin O’Connor realizador americano nascido em 1964, oferece-nos aqui um thriller bem articulado, tocando os géneros de crime e drama em que Christian Wolff (Ben Affleck) desenvolve um personagem psicótico, multifacetado, justiceiro impoluto e executor por conta própria, num argumento bem contado e muito interessante que vale a pena ver.


Classificação: 7,5 numa escala de 10

29 de novembro de 2016

Opinião – “O Protetor” de Jean-François Richet


Sinopse

Depois de ser incriminada pelo seu namorado, um perigoso chefe de um cartel de droga, por ter roubado um avultado pacote de dólares, Lydia (Erin Moriarty) procura refúgio junto do único aliado neste mundo disposto a ajudá-la: John Link (Mel Gibson), o seu pai, um perpétuo fracasso. Link, um antigo motoqueiro criminoso e ex-presidiário, está agora determinado a proteger a sua filha, e pela primeira vez na sua vida, a fazer o que está certo… BLOOD FATHER – O PROTETOR é um intenso thriller de acção realizado por Jean-François Richet, que ganhou sucesso com Inimigo Publico nº 1 (Mesrine).

Opinião por Artur Neves

Jean-François Richet já nos habituou a histórias de violência com uma densidade dramática que excede o que é normal neste género e neste filme repete o figurino com a agravante de se passar entre uma pai e uma filha desaparecida que procura encontrá-la embora sem grandes meios para o conseguir até porque a sua situação de liberdade condicional o obriga à fixação num lugar determinado.
Só que, surpreendentemente vai ser a filha a procurar o pai para a salvar de uma grande complicação em que se meteu, depois de ter baleado o seu namorado, na sequência de um assalto a um dos traficantes de droga, que estava a construir o seu próprio “pé-de-meia”, sonegando ao cartel os proventos do comércio da droga.
A partir do encontro entre o pai e a filha é que a história se desenrola no campo dos afetos paternais mostrando como contra todas as possibilidades que não tem, liberdade, dinheiro, meios de subsistência, este pai vai desenvolver expedientes que resolvam a situação em que a filha se meteu e que ele assumiu como própria.
É o começo da fase roadmovie, de automóvel, primeiro, de mota depois, pelos locais inóspitos da américa profunda mostrando-nos algo que ouvimos falar mas não conhecemos, a américa rural, distante dos grandes centros e do progresso daquele país, a américa esquecida e remetida ao seu gueto, no qual se esconde, habita, vive e se alimenta com a indiferença do regime em vigor, que também não pretende intervir.
É o mundo real do cada um por si, onde amigos de outrora se revelam inimigos atuais, onde as alianças do passado não passam de memórias. Todo o ambiente circundante é hostil, deserto, sem abrigo físico nem qualquer espécie de apoio, onde se luta pela sobrevivência fugindo e matando para não ser morto.
Toda a ação está bem desenvolvida, as personagens são convincentes, com particular destaque para um assassino profissional contratado pelo cartel, que dispara sobre tudo o que mexe para cumprir a sua missão. John Link (Mel Gibson), que já se revelou como bom ator e realizador (“Braveheart” e “A Paixão de Cristo”, respetivamente) constrói aqui um pai esforçado e conhecedor dos caminhos a percorrer, com a violência necessária para os superar que nos cativa pela sua abnegação, embora o seu passado não indiciasse tais sentimentos. É pois um filme de ação, bem estruturado, de argumento fácil para podermos disfrutar da ação, que recomendo.


Classificação: 6 numa escala de 10

18 de novembro de 2016

Passatempo Cinema - UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE

A D'Magia em parceria com a Big Picture Films tem para oferecer 20 convites duplos para a antestreia do filme " UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE ", versão 3D, dia 28 de Novembro, às 21.30h:

NOS COLOMBO – 10 convites duplos
NOS NORTESHOPPING – 10 convites duplos



Sinopse:
O novo capítulo do franchise blockbuster UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE segue Selene, a Vampira negociante de mortes (Kate Beckinsale) na sua defesa contra ataques brutais, tanto do clã Lycan como da facção Vampire que a traiu. Com os seus únicos aliados, David (Theo James) e o seu pai Thomas (Charles Dance), ela terá de por um fim à eterna guerra entre Lycans e Vampiros, mesmo que isso implique um derradeiro sacrifício.

Para te habilitares a ser um dos vencedores só tens de responder às seguintes perguntas:

- Que actriz desempenha o papel de Selena?

Caso nos sigas nas nossas outras plataformas, a tua participação conta como mais uma por cada plataforma em que nos seguires. Basta nos referires na tua participação o teu nome de seguidor em cada uma delas. As nossas plataformas são: 

Blog D'Magia LifeStyle / Inconfidências de Pedaços Rasgados de Memória - https://www.pedacosrasgadosdememoria.blogspot.com

Regras do passatempo:
1) Enviar a resposta para martadacunhaecastro@gmail.com indicando: Nome Completo, Número de BI ou CC, Nome de Fã no Facebook e Nome de Seguidor no Blog
2) O assunto do email deverá ter a menção Passatempo Cinema - UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE e a localidade (LISBOA ou PORTO)
3) Só é válida uma participação por pessoa/e-mail.
4) É obrigatório seres nosso Fã no Facebook e Seguidor no Blog.
5) O passatempo é válido até às 23:59 de dia 25 de Novembro
6) Os vencedores serão apurados através de um sorteio via random.
7) Os vencedores avisados através de email.