11 de janeiro de 2017

Opinião – “Animais Noturnos” de Tom Ford


Sinopse

Susan (Amy Adams) é uma negociante de arte que se sente cada vez mais isolada do parceiro (Armie Hammer). Um dia, ela recebe um manuscrito de autoria de Edward (Jake Gylenhaal), seu primeiro marido. Por sua vez, o trágico livro acompanha o personagem Tony Hastings, um homem que leva sua esposa (Isla Fisher) e filha (Ellie Bamber) para tirar férias, mas o passeio toma um rumo violento ao cruzar o caminho com um gangue. Durante a tensa leitura, Susan pensa sobre as razões de ter recebido o texto, descobre verdades dolorosas sobre si mesma e relembra traumas de seu relacionamento fracassado.

Opinião por Artur Neves

Susan, uma mulher sofisticada e de boas famílias, vive uma relação que já não a satisfaz com o seu segundo marido identificado como homem de negócios que justifica a sua disponibilidade de meios e qualidade de vida, recebe pelo correio para apreciação, um exemplar do ultimo romance escrito pelo seu primeiro marido e grande amor da sua vida que ela desprezou por influencia da sua mãe que atendia mais à posição social do que à verdade das relações.
É com esta guião que Tom Ford, Americano, realizador e autor do argumento nos apresenta este seu segundo filme, contado com uma história dentro da história da vida de Susan, que esta interpreta e visualiza através da leitura do romance como uma vivência que lhe poderia ter acontecido se continuasse casada com o seu primeiro marido. Essa sua leitura perturba-a muito para além do enredo do romance, embora este nos indicie a possibilidade real de cenas de violência gratuita e implícita, através da caracterização das situações e dos autores materiais desse crime, que nos aparecem muito credíveis e capazes de os executar.
Estamos assim perante um drama com um suspense que ao vê-lo, me recordou David Lynch no seu filme Moulholland Drive, considerando o ambiente, os locais, as personagens e a maneira demorada a apresentar os factos, embora sem a mestria deste autor, pois a Tom Ford ainda falta “um bocadinho” para lá chegar. Não quero dizer todavia que não estamos em presença de um bom trabalho, bem construído, com um Michael Shanon a interpretar um polícia dedicado ao seu trabalho, à beira da morte por um cancro que lhe limita os dias de vida mas que ele gasta naquele caso mostrando-nos o que representa para algumas pessoas a abnegação pelas causas em que acreditam.
Susan é assim levada a repensar os seus atos, todas as atitudes da sua vida até aquele momento, bem como as afinidades que tinha com o seu primeiro marido e o convencionalismo das causas, por vezes poereis que justificaram a sua separação, por troca com uma relação em fim de ciclo que não lhe trás felicidade embora muita qualidade de vida.
Laura Linney interpreta uma mãe de Susan que merecia mais tempo e diálogos mais profundos para afirmar o seu personagem, pois assim aparece-nos como um elemento pontual. Ami Adams, lindíssima, tem neste filme pouco espaço para se afirmar ao contracenar com um soberbo Jake Gylenhaal (Edward) no papel de homem fraco. Um filme interessante que vale a pena desfrutar.

Classificação: 7 numa escala de 10

22 de dezembro de 2016

Opinião – “Custe o que Custar” de David Mackenzie


Sinopse

HELL OR HIGH WATER – CUSTE O QUE CUSTAR! conta a história de dois irmãos no Oeste americano: Toby (Chris Pine), um pai divorciado que tenta assegurar uma vida melhor para o filho, e Tanner (Ben Foster), um irascível ex-presidiário com tendências violentas. Juntos, decidem assaltar sucursal atrás de sucursal do banco que está a penhorar a propriedade da sua família. Com este esquema, eles querem reclamar um futuro que sentem ter-lhes sido roubado por forças maiores. Esta vingança parece ter sucesso até Toby e Tanner se cruzarem com um incansável Ranger texano (Jeff Bridges) à procura de um triunfo final antes da reforma. Assim, ao mesmo tempo que os dois assaltantes planeiam o último roubo para completarem o seu plano, avizinha-se no horizonte um explosivo confronto entre o único polícia honesto do Oeste e um par de irmãos sem nada a perder a não ser a sua família. Para além de um soberbo elenco, este drama conta com David Mackenzie (Starred Up) na cadeira de realizador e tem ainda o argumento assinado por Taylor Sheridan (Sicario - Infiltrado).

Opinião por Artur Neves

É com uma história tipicamente Texana e muito bem relatada que David Mackenzie (realizador nascido na Escócia à 50 anos) nos traz, o ambiente, o tempo atual e a moral subterrânea que justifica em parte, um certo american way of life que optou por eleger a personalidade truculenta de Donald Trump, para quem segue por princípio a filosofia de; “se queres toma-o”…
Nesta história também os dois irmãos assaltam bancos em sequência para satisfazerem os seus desejos de riqueza, no pressuposto que roubam o que já lhes foi anteriormente roubado e esse clima é bem ilustrado no filme pela postura dos banqueiros com quem eles contactam por motivo da herança deixada sob hipoteca pelos seus progenitores.
Toda a história é contada numa toada lenta e suave de acordo com o ambiente que a suporta, belas paisagens selvagens, pôr-do-sol lânguidos e contemplativos, atmosfera seca e acolhedora embora poeirenta que justifica a presença quase constante de cerveja a escorregar pelas gargantas secas pelo ar quente das longas tardes. Toda esta paz só é quebrada pelos assaltos dos dois irmãos e pela tenacidade dos seus perseguidores, com particular destaque para um xerife em vésperas de reforma, mas cuja experiencia acumulada lhe permite vislumbrar todo o plano engendrado por um dos irmãos, embora o menos notado e exuberante nos assaltos já realizados.
Não há propriamente uma investigação mas tão somente a compilação dos factos, o raciocínio simplista do 1 +1 e muita dose de inspiração, “faro” policial e paciência para esperar pelo golpe seguinte, que decorre de acordo com as previsões. Tudo isto é-nos contado sem pressas, sincronizado com o ritmo de vida circundante, entre duas cervejas bebidas em amena cavaqueira entre amigos e colegas de profissão, mostrando que no Texas não há pressa para chegar onde se pretende e enquanto o crude jorrar da terra com a facilidade e os parcos meios técnicos que se vêm no filme, não há aquecimento global que os perturbe e os dólares continuarão a encher os bolsos sem remorsos.
É uma história sobre a América profunda, em que o telemóvel é um quase adorno, a arma uma companhia inseparável e o chapéu de cowboy uma necessidade para proteger daquele sol inclemente. Para quê evoluir se assim se está tão bem e se vive sem preocupações. Um filme a ver para perceber como Manhattan é mesmo uma ilha minúscula naquele imenso país.

Classificação: 8 numa escala de 10

14 de dezembro de 2016

Opinião – “Acerto de Contas” de Gavin O’Connor


Sinopse

Christian Wolff (Affleck) é um génio matemático com mais jeito para lidar com números do que pessoas. Por detrás da sua faceta como revisor de contas numa pequena cidade, ele trabalha como contabilista freelancer para algumas das mais perigosas organizações criminosas. Assim que a Divisão Criminal do Departamento do Tesouro, dirigida por Ray King (J.K Simmons), o começa a investigar, Christian decide aceitar um cliente legítimo: uma empresa de robótica onde uma contabilista, Clerk (Anna Kendrick), descobriu uma discrepância de valores envolvendo milhões de dólares. Mas à medida que Christian encontra novas pistas nos livros e chega mais perto da verdade, o número de mortes começa a aumentar.

Opinião por Artur Neves

Mais uma vez, a somar a centenas de outras vezes, a nomeação em Portugal dos filmes estrangeiros com um nome diferente do original, provoca um desvio do foco da acção nem sempre benéfico para a história que o filme pretende contar. Este é um desses casos em que no original tem o nome de; “The Accountant” (O Contabilista) e pelo nosso mercado de exibição se chama; “Ajuste de Contas”.
No desenrolar da acção ocorre de facto um “ajuste de contas” no sentido mais lato que esta expressão possa ter, todavia a história centra-se na vida e no comportamento social de num homem, com deficiências de cognição compatíveis com sintomas de autismo, grandes perturbações emocionais e hipersensibilidade ao ruído desde a infância, agravadas pela vivencia no seio duma família desestruturada em que a mãe sai de casa e o pai, militar traumatizado com dramas sofridos na guerra do Vietname, assume a educação dos dois filhos, com particular atenção ao desenvolvimento deste, do qual o filme vai-nos mostrar o agravamento das suas tensões internas através de flashbacks que nos apresentam episódios significativos da sua inadequada educação.
É pois a história deste homem, cujo equilíbrio da sua relação social depende de sessões de autoflagelação e de diverso sofrimento autoinfligido na solidão da sua existência diária, que presta o serviço de contabilidade na qualidade de revisor de contas, utilizando a elevada capacidade da sua mente para os números, para a sua fácil memorização e operação nas mais diversas condições e contextos que o conduzem, por vezes sem intenção deliberada, a descobertas imprevistas e surpreendentes.
As coisas complicam-se quando lhe são indicadas à priori, suspeitas, cujas provas ele deve procurar. Estes elementos são-lhe fornecidos por uma mulher que tem o condão de lhe alterar a rotina e de lhe provocar em si mesmo, uma sensibilidade diferente, totalmente desconhecida até então que ele não sabe como manipular. Por outro lado a sua vida dupla, programada, meticulosa, para fazer face às suas alterações incontroladas de humor em caso de contrariedade, são postas em causa de uma maneira que ele não pode permitir e isso vai precipitar toda a acção.
Deste modo Gavin O’Connor realizador americano nascido em 1964, oferece-nos aqui um thriller bem articulado, tocando os géneros de crime e drama em que Christian Wolff (Ben Affleck) desenvolve um personagem psicótico, multifacetado, justiceiro impoluto e executor por conta própria, num argumento bem contado e muito interessante que vale a pena ver.


Classificação: 7,5 numa escala de 10

29 de novembro de 2016

Opinião – “O Protetor” de Jean-François Richet


Sinopse

Depois de ser incriminada pelo seu namorado, um perigoso chefe de um cartel de droga, por ter roubado um avultado pacote de dólares, Lydia (Erin Moriarty) procura refúgio junto do único aliado neste mundo disposto a ajudá-la: John Link (Mel Gibson), o seu pai, um perpétuo fracasso. Link, um antigo motoqueiro criminoso e ex-presidiário, está agora determinado a proteger a sua filha, e pela primeira vez na sua vida, a fazer o que está certo… BLOOD FATHER – O PROTETOR é um intenso thriller de acção realizado por Jean-François Richet, que ganhou sucesso com Inimigo Publico nº 1 (Mesrine).

Opinião por Artur Neves

Jean-François Richet já nos habituou a histórias de violência com uma densidade dramática que excede o que é normal neste género e neste filme repete o figurino com a agravante de se passar entre uma pai e uma filha desaparecida que procura encontrá-la embora sem grandes meios para o conseguir até porque a sua situação de liberdade condicional o obriga à fixação num lugar determinado.
Só que, surpreendentemente vai ser a filha a procurar o pai para a salvar de uma grande complicação em que se meteu, depois de ter baleado o seu namorado, na sequência de um assalto a um dos traficantes de droga, que estava a construir o seu próprio “pé-de-meia”, sonegando ao cartel os proventos do comércio da droga.
A partir do encontro entre o pai e a filha é que a história se desenrola no campo dos afetos paternais mostrando como contra todas as possibilidades que não tem, liberdade, dinheiro, meios de subsistência, este pai vai desenvolver expedientes que resolvam a situação em que a filha se meteu e que ele assumiu como própria.
É o começo da fase roadmovie, de automóvel, primeiro, de mota depois, pelos locais inóspitos da américa profunda mostrando-nos algo que ouvimos falar mas não conhecemos, a américa rural, distante dos grandes centros e do progresso daquele país, a américa esquecida e remetida ao seu gueto, no qual se esconde, habita, vive e se alimenta com a indiferença do regime em vigor, que também não pretende intervir.
É o mundo real do cada um por si, onde amigos de outrora se revelam inimigos atuais, onde as alianças do passado não passam de memórias. Todo o ambiente circundante é hostil, deserto, sem abrigo físico nem qualquer espécie de apoio, onde se luta pela sobrevivência fugindo e matando para não ser morto.
Toda a ação está bem desenvolvida, as personagens são convincentes, com particular destaque para um assassino profissional contratado pelo cartel, que dispara sobre tudo o que mexe para cumprir a sua missão. John Link (Mel Gibson), que já se revelou como bom ator e realizador (“Braveheart” e “A Paixão de Cristo”, respetivamente) constrói aqui um pai esforçado e conhecedor dos caminhos a percorrer, com a violência necessária para os superar que nos cativa pela sua abnegação, embora o seu passado não indiciasse tais sentimentos. É pois um filme de ação, bem estruturado, de argumento fácil para podermos disfrutar da ação, que recomendo.


Classificação: 6 numa escala de 10

18 de novembro de 2016

Passatempo Cinema - UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE

A D'Magia em parceria com a Big Picture Films tem para oferecer 20 convites duplos para a antestreia do filme " UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE ", versão 3D, dia 28 de Novembro, às 21.30h:

NOS COLOMBO – 10 convites duplos
NOS NORTESHOPPING – 10 convites duplos

Sinopse:
O novo capítulo do franchise blockbuster UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE segue Selene, a Vampira negociante de mortes (Kate Beckinsale) na sua defesa contra ataques brutais, tanto do clã Lycan como da facção Vampire que a traiu. Com os seus únicos aliados, David (Theo James) e o seu pai Thomas (Charles Dance), ela terá de por um fim à eterna guerra entre Lycans e Vampiros, mesmo que isso implique um derradeiro sacrifício.

Para te habilitares a ser um dos vencedores só tens de responder às seguintes perguntas:

- Que actriz desempenha o papel de Selena?

Caso nos sigas nas nossas outras plataformas, a tua participação conta como mais uma por cada plataforma em que nos seguires. Basta nos referires na tua participação o teu nome de seguidor em cada uma delas. As nossas plataformas são: 

Blog D'Magia LifeStyle / Inconfidências de Pedaços Rasgados de Memória - https://www.pedacosrasgadosdememoria.blogspot.com

Regras do passatempo:
1) Enviar a resposta para martadacunhaecastro@gmail.com indicando: Nome Completo, Número de BI ou CC, Nome de Fã no Facebook e Nome de Seguidor no Blog
2) O assunto do email deverá ter a menção Passatempo Cinema - UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE e a localidade (LISBOA ou PORTO)
3) Só é válida uma participação por pessoa/e-mail.
4) É obrigatório seres nosso Fã no Facebook e Seguidor no Blog.
5) O passatempo é válido até às 23:59 de dia 25 de Novembro
6) Os vencedores serão apurados através de um sorteio via random.
7) Os vencedores avisados através de email.

12 de novembro de 2016

Opinião – “As Inocentes” de Anne Fontaine


Sinopse

Polónia, 1945. Mathilde, uma jovem médica da cruz vermelha, encontra-se numa missão para ajudar os sobreviventes da Segunda Guerra Mundial. Quando uma freira lhe pede ajuda, esta apercebe-se que existem várias freiras grávidas, fruto da barbaridade dos soldados soviéticos. Incapazes de conciliar a fé com a gravidez, as freiras apoiam-se em Mathilde, a sua única esperança.

Opinião por Artur Neves

Este filme conta uma história verídica ocorrida na sequência do término da Segunda Guerra Mundial, quando um dos membros da coligação vencedora, os Russos, nesse tempo os soldados da União Soviética entram na Polónia, anteriormente ocupada pelos Alemães, para a libertar e começam por violar as freiras de um convento que lhes aparece no caminho. A realizadora, Anne Fontaine, nascida em 1959 no Luxemburgo apresenta trabalhos que a qualificam como habilitada para o tema em questão, todavia já nos trouxe melhores abordagens do que a presente história, provavelmente por não ter colaborado na autoria do argumento, como noutras realizações em que destaco “Paixões Proibidas” de 2013.
Todavia a história é simples, as freiras são mulheres, foram violadas e como resultado ficaram grávidas numa condição inaceitável para a época, 1945, e para o local em que aconteceu, Polónia católica e fragilizada com a guerra. Deste caldo resulta um grupo de mulheres “embaraçadas” com a sua condição que no limiar do sofrimento psíquico e físico em que sobrevivem, solicitam a ajuda de uma médica pertencente a outra facção libertadora; os USA, que após ultrapassar as formalidades inerentes à política do pós-guerra, bem como a sua própria incompreensão para a condição de submissão aos cânones monásticos das “pré-mamãs”, as ajuda a completar a sua mais nobre função de vida; ser mulher.
É aqui que esta história atinge o seu zénite, pois a solução tradicional destas mulheres era, abortar em condições inimagináveis, parir e matar os filhos à nascença por iniciativa pessoal, ou parir e entregar o fruto do seu ventre aos cuidados da madre superiora, déspota e sifilítica, que alegando que os entregaria a uma mãe de acolhimento na vila mais próxima do convento, os abandonava na base de um cruzeiro existente na floresta, á intempérie do gelo e do frio inverno Polaco, como penitencia e desconto dos “pecados” cometidos pela mãe improvável e indesejável à congregação.
Assim observamos mais uma incongruência desta religião milenar que apelando à protecção dos fracos e pugnando pelo amor fraterno entre todos os seus membros, comete barbaridades com a que nos é mostrada nesta história, justificadas pela submissão ao dever de repulsa pela mais poderosa pulsão humana; a pulsão sexual, decorrente da qual nos multiplicamos e progredimos como espécie. A acção decorre maioritariamente dentro das portas do convento onde nos é mostrado todo o sofrimento infligido pela fé, pela obediência cega ao preceito da castidade, que mesmo quando usurpado sem o consentimento de um dos parceiros, só pode ser “lavado”, “purificado”, ou como lhe quiserem chamar, pelo sacrifício inapelável do fruto dessa relação.
Enfim, no final as coisas compõem-se e só espero que tenha sido esse o seu verdadeiro desfecho. É uma história interessante que levanta questões bem actuais que não devemos esquecer, porque, embora escondidas em conventos e outros locais, andam por aí… a ver.

Classificação: 7 numa escala de 10

25 de outubro de 2016

Opinião – “Café Society” de Woody Allen


Sinopse

Nova Iorque nos anos 30. Sem paciência para as discussões dos pais, para o irmão gangster e o negócio de família, Bobby Dorfman chega à conclusão que precisa de uma mudança de cenário! Assim, decide ir para Hollywood, onde o seu tio Phil, um poderoso agente de estrelas de cinema, contrata-o como moço de recados. Em Hollywood, apaixona-se, mas infelizmente a rapariga tem namorado. Bobby conforma-se com a ideia de serem apenas amigos – até ao dia em que ela bate à sua porta, explicando-lhe que o namorado a deixou. Subitamente, a vida de Bobby dá uma inesperada e romântica reviravolta.

Opinião por Artur Neves

Esta é mais uma história escrita e realizada por Woody Allen, mais concretamente o seu quinquagésimo segundo filme de uma carreira dedicada à realização e interpretação de personagens, frequentemente associados a particularidades e características do próprio autor, ou nos tempos mais recentes, ao desenvolvimento de perturbações de personalidade que colidem com o seu normal comportamento social, ou com os outros.
Durante toda a sua carreira o amor foi sempre um tema recorrente das suas histórias, descrito com ansiedade, como em; “Annie Hall” de 1977, com a sua principal musa inspiradora, como em “Manhattan” de 1979, ou “Crimes e Escapadelas” de 1989 apresentando outras facetas deste mesmo sentimento, central na vida de todos nós, bem como o particular amor pelo Jazz que desde sempre preencheu o universo de Woody Allen e que ele inclui no ambiente deste filme com a habitual mestria que nos tem habituado ao longo de todos estes anos.
Este filme é pois como que um regresso às origens do motivo mais significativo das suas obras, o amor, mas vivido de um modo calmo por alguém que não o é na sua essência e apesar de se tratar de um amor desencontrado, um amor frustrado, que nunca se realiza mas por permanecer para sempre nesse estado, se torna perfeito, infinito, perene como a relva, imorredoiro.
Não é por acaso que o actor escolhido foi Jesse Eisenberg, cujas características físicas são muito semelhantes a Woody Allen quando jovem, constituindo assim um alter-ego do autor vivenciando um amor “fatal”, inconseguido, no ambiente muito bem trabalhado de Hollywood, com todos os ingredientes do luxo e do glamour da época, nas recepções e nos bailes em que o jazz soa durante todo a acção e envolve os dois amantes que não se encontram encontrando-se, tanto no principio como no Café Society (que dá nome ao filme) e que ficam para sempre separados mas ligados, como naquela passagem do ano de 1930.
A imagem é excelente acentuando a sua aparência nos tons doirados, os travellings da câmara ajudam a compor e a descrever o ambiente, o amor é simples e fulcral remetendo todos os outros elementos da história para uma secundarização que realça ainda mais esse amor desencontrado, embora real e vivo.

Classificação: 7 numa escala de 10

20 de outubro de 2016

Opinião – “As armas de Jane” de Gavin O’Connor”


Sinopse

Jane Hammond (Natalie Portman) construiu uma nova vida com o seu marido Bill “Ham” Hammond (Noah Emmerich) e filha, nas difíceis e perigosas planícies do oeste americano. Mas quando Hammond se envolve num tiroteio com John Bishop (Ewan McGregor) e o seu bando de criminosos, e regressa a casa ferido, ela tem a certeza que Bishop não irá parar até que toda a sua família seja morta. Em desespero, Jane pede ajuda a Dan Frost (Joel Edgerton), um homem com quem teve um relacionamento no passado. Perseguida por memórias antigas, Jane vai ver o passado confrontar-se com o presente numa batalha épica pela sobrevivência.

Opinião por Artur Neves

Para um tema quase caído no esquecimento por Hollywood, subitamente aparecem duas realizações que embora com pergaminhos diferentes abordam o mesmo tema do western em duas vertentes diferentes; “Os Sete Magníficos” na tradição da conquista do oeste, com bandidos e bandidos transformados em heróis e neste filme; “As Armas de Jane” uma versão mais romântica e minimalista da mesma luta pela miragem de um mundo melhor.
A história desenrola-se nas planícies sem fim onde um homem com a cabeça a prémio é perseguido e ferido pelos seus pretensos captores, mas de quem ele escapa muito mal tratado, bastante ferido com várias balas no corpo até se refugiar na sua casa entretanto guardada pela sua mulher que o acolhe e promove a sua defesa.
Não seria fácil para uma única mulher defender-se com êxito pelo que esta recorre a alguém que nos vai ser revelado ter sido o seu primeiro amor entretanto deixado para trás por razões que vamos conhecendo através de flashbacks e de conversas intimistas durante a espera para o assalto dos caçadores de prémios que eles pretendem combater.
No final tudo se compreenderá com recurso à técnica dos flashbacks apresentados em ordem salteada provando que a nossa compreensão da história não depende da ordem de ocorrência dos eventos, mas sim de eles terem sido referidos ou não. A filmagem recorre a planos longos, mostrados através de janelas com movimentos de camara ao estilo de Jonh Ford denunciando com isso a “escola” do realizador, o que não é um defeito em si mesmo, pelo contrário. Todavia noutros elementos apresenta-se algo naïf como na idílica viagem em balão, num flashback que apenas distrai o espectador da tensão que se avoluma com a chegada dos assaltantes.
O vilão maior porém, não convence, interpretado por um Ewan McGregor que constrói um personagem sem densidade nem espessura perdendo-se numa caricatura tosca do vilão do inóspito oeste americano. Aliás todos os caçadores de prémios apresentam características algo frouxas para o desempenho esperado.
Todo o filme porém assenta num formalismo de acordo com o figurino, com uma história revelada a conta-gotas que cativa o espectador. A Jane exibe a força adequada à acção embora o rosto da Natalie Portman se apresente demasiado doce em certas cenas. O trabalho de fotografia é irrepreensível e o filme vê-se com agrado no seu todo, embora não permaneça muito tempo na nossa memória.

Classificação: 6 numa escala de 10

13 de outubro de 2016

Opinião – “Nem Respires” de Fede Alvarez


Sinopse

Um trio de imprudentes ladrões invade a casa de um homem cego abastado, pensando que irão conseguir safar-se com o assalto perfeito. Estão enganados.

Opinião por Artur Neves

“Nunca se deve considerar como adquirido o que ainda não está na nossa mão” poderia ser o conceito resumo, em jeito de corolário, sobre a moral que se pode extrair desta história escrita e realizada por Fede Alvarez, original do Uruguai e já com outras realizações no género, embora neste caso, elevando-o para um patamar superior, considerando a originalidade e a simplicidade com que o suspense é criado e mantido em todo o filme.
O argumento é linear e o espectador cedo fica informado do que se pretende. Esta característica deixa-o livre para desfrutar o “como”… o terror é criado, sem monstros estranhos, mortos-vivos, espíritos enviados do além, ou outros elementos gore de que outros filmes se suportam para criar a tensão e a surpresa da acção que assim aparece naturalmente, através de pessoas que agem e actuam segundo os seus instintos para tentar obter o que pretendem.
A escuridão é mais penosa para quem está habituado á luz, pelo que nesta história a cegueira apresenta-se como vantagem diferenciadora para quem se defende, atacando os intrusos que o vieram perturbar. O jogo de “gato e rato” é tecido entre elementos que se apresentam como contraditórios relativamente ao resultado tradicionalmente esperado entre o gato e o rato.
Toda a acção decorre dentro de uma casa, durante a noite, na penumbra de uma escuridão provocada em que os olhos são menos importantes do que outros sentidos que possuímos, tal como; o olfacto e a audição que assumem aqui um papel fundamental entre quem sabe e não os sabe usar, tanto na defesa como no ataque, o que torna esta história muito interessante do ponto de vista formal.
Adicionalmente ao “jogo” anteriormente referido juntam-se outros elementos de carácter humano que posteriormente se revelam, fazendo o espectador vacilar sobre o lado em que implicitamente se colocou desde o início do filme, dando continuidade às primeiras imagens vistas que até então se tinham tornado incompreensíveis.
A realização convence com o ambiente criado, os personagens são credíveis, a história é escorreita embora provoque surpresa e emoção em diferentes situações e por diferentes motivos, pelo que constitui um meio de diversão agradável para quem não se assustar sem reais motivos.

Classificação: 7 numa escala de 10

6 de outubro de 2016

Opinião – “Mechanic – Assassino Profissional” de Dennis Gansel


Sinopse

Justamente quando Arthur Bishop julgava que os seus dias como assassino eram coisa do passado, é forçado a voltar ao ativo quando Gina, o amor da sua vida, é raptada pelo seu mais perigoso inimigo. Agora Arthur tem de viajar pelo globo para completar três impossíveis assassinatos, onde estão os nomes dos mais perigosos homens do mundo, e ainda fazer com que eles pareçam acidentes.

Opinião por Artur Neves

Jason Statham (Arthur Bishop) na pele de um assassino reformado desde 2011, (data da primeira aparição deste personagem) volta a presentear-nos com uma movimentada história recheada de acção e de lutas com vitórias improváveis, para nos tentar fazer esquecer a realidade dos dias. Para melhor compor o ramalhete apresenta-nos como motivo uma súbita paixão assolapada por Gina (Jessica Alba, linda como sempre) quando esta constituía inicialmente, a segunda contratante, (a primeira, “Mei”, Michelle Yeho, não teve tanta sorte) para os trabalhos que ele não queria realizar para o mau muito mau que o persegue pelo planeta.
O desmanchar da dureza do herói acontece quando ela lhe confessa os seus puéreis desígnios de protecção a órfãos e criancinhas abandonadas numas ilhas esquecidas da Malásia (bem a propósito com o drama dos refugiados às portas da Europa) sendo então que o seu coração de manteiga se desfaz ao sol e ao calor das águas transparentes das ilhas do Caribe.
Eu sei que todos os motivos do “bem” combater o “mal” já foram utilizados repetidamente em múltiplas histórias, milhares delas, cujo core são sempre as boas práticas de sã convivência social, os bons costumes e as melhores intenções, mas uma estrutura de telenovela num filme de acção contra bandidos internacionais, praticado por um designado assassino profissional não me parece de todo adequado. Por favor meus senhores exige-se um pouco mais de imaginação ou os argumentistas de serviço (Philip Shelby e Tony Mosher) não conseguem mais do que reciclar conceitos estafados.
Como distracção o filme está recheado de acção e de efeitos que nos emocionam e interessam, as diferentes histórias prendem a atenção, cada um dos assassinatos são como pequenas aventuras desenvolvidas com imaginação e meios técnicos suficientes que justificaria maior interligação entre si de forma a não parecerem o que realmente são, casos isolados que se desenrolam durante o tempo de duração do filme dando a impressão que o realizador, Dennis Gansel, nascido em 1973 em Hannover na Alemanha, apenas se preocupou com o preenchimento do tempo disponível.
Ainda assim caro leitor se não tiver nada para fazer, aproveite os 98 minutos que o filme lhe oferece para se evadir da realidade, perdoe o “cheiro” a telenovela barata e aprecie as cenas de acção como só Jason Statham nos tem apresentado em várias oportunidades e divirta-se que este filme é para ver e esquecer.


Classificação: 5 numa escala de 10

27 de setembro de 2016

Passatempo Cinema - Saqueadores

A D'Magia em parceria com a Big Picture Films tem para oferecer 10 convites duplos para a antestreia do filme " Saqueadores", dia 3 de Outubro, às 21.30h:

Lisboa, Cinemas NOS Colombo – 5 convites duplos
Gondomar, Cinemas NOS Parque Nascente – 5 convites duplos 

ESTREIA EM CINEMA A 5 DE OUTUBRO
TÍTULO ORIGINAL: Marauders
GÉNERO: Ação, Thriller

Sinopse:
Quando um banco é alvo de um assalto brutal, todas as evidências apontam para o dono (Bruce Willis) e os seus poderosos clientes.
Mas quando um grupo de agentes do FBI (Christopher Meloni,Dave Bautista and Adrian Grenier) decide aprofundar o caso – e os assaltos mortais continuam – torna–se claro que está em jogo uma conspiração maior.
SAQUEADORES conta com Christopher Meloni, Bruce Willis, Dave Bautista e Adrian Grenier.


Para te habilitares a ser um dos vencedores só tens de responder às seguintes perguntas:
- Quem é o realizador deste filme?

Caso nos sigas nas nossas outras plataformas, a tua participação conta como mais uma por cada plataforma em que nos seguires. Basta nos referires na tua participação o teu nome de seguidor em cada uma delas. As nossas plataformas são: 

Blog D'Magia LifeStyle / Inconfidências de Pedaços Rasgados de Memória - https://www.pedacosrasgadosdememoria.blogspot.com

Regras do passatempo:
1) Enviar a resposta para martadacunhaecastro@gmail.com indicando: Nome Completo, Número de BI ou CC, Nome de Fã no Facebook e Nome de Seguidor no Blog
2) O assunto do email deverá ter a menção Passatempo Cinema - Saqueadores
3) Só é válida uma participação por pessoa/e-mail.
4) É obrigatório seres nosso Fã no Facebook e Seguidor no Blog.
5) O passatempo é válido até às 23:59 de dia 1 de Outubro
6) Os vencedores serão apurados através de um sorteio via random.
7) Os vencedores avisados através de email.

15 de setembro de 2016

Passatempo Cinema - A CASA DA SENHORA PEREGRINE PARA CRIANÇAS PECULIARES

A D'Magia em parceria com a Big Picture Films tem para oferecer 10 convites duplos para a antestreia do filme " A CASA DA SENHORA PEREGRINE PARA CRIANÇAS PECULIARES ", versão 3D, dia 26 de Setembro, às 21.30h:

Porto - Cinema NOS Norte Shopping – 5 convites duplos
Lisboa - Cinemas UCI El Corte Ingles – 5 convites duplos



Sinopse: 
Do visionário realizador Tim Burton, e baseado no best-seller, chega-nos uma experiência cinematográfica inesquecível. Quando o avô de Jake lhe deixa um conjunto de pistas sobre um mistério que se estende por diferentes mundos e tempos, ele encontra um lugar mágico conhecido como A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares. Mas o mistério e o perigo aprofundam-se à medida que conhece os moradores e se apercebe dos seus poderes especiais…e dos seus poderosos inimigos. Jake acaba por descobir que só a sua “peculiaridade” pode salvar os seus novos amigos.

Para te habilitares a ser um dos vencedores só tens de responder às seguintes perguntas:
- Quem é o realizador deste filme?

Caso nos sigas nas nossas outras plataformas, a tua participação conta como mais uma por cada plataforma em que nos seguires. Basta nos referires na tua participação o teu nome de seguidor em cada uma delas. As nossas plataformas são: 

Blog D'Magia LifeStyle / Inconfidências de Pedaços Rasgados de Memória - https://www.pedacosrasgadosdememoria.blogspot.com

Regras do passatempo:
1) Enviar a resposta para martadacunhaecastro@gmail.com indicando: Nome Completo, Número de BI ou CC, Nome de Fã no Facebook e Nome de Seguidor no Blog
2) O assunto do email deverá ter a menção Passatempo Cinema - Crianças Peculiares
3) Só é válida uma participação por pessoa/e-mail.
4) É obrigatório seres nosso Fã no Facebook e Seguidor no Blog.
5) O passatempo é válido até às 23:59 de dia 23 de Setembro
6) Os vencedores serão apurados através de um sorteio via random.
7) Os vencedores avisados através de email.

14 de setembro de 2016

Opinião – Águas Perigosas” de Jaume Collet-Serra


Sinopse

No intenso thriller “Águas Perigosas”, Nancy (Blake Lively) está a surfar numa praia isolada quando é atacada por um tubarão branco, ficando presa num rochedo a curta distância da costa. Embora a apenas 200 metros da sobrevivência, atravessar essa distância provará ser o derradeiro desafio.

Opinião por Artur Neves

Quem conhece ou de alguma maneira tomou contacto com a saga Tubarão I; II; III e IV dos anos 1975; 1978; 1983 e 1987 respectivamente, já sabe ao que vem ao assistir a esta história de Jaume Collet-Serra, realizador espanhol, nascido na Catalunha em 1974 e já com alguns créditos no género conferidos por filmes como; “A Casa de Cera” em 2005, “Sem Identidade” em 2011 ou “Non Stop” em 2014, todos eles filmes com acção de desfecho previsível, donde pode induzir-se algo semelhante nesta história que todavia contém alguns elementos diferenciadores, que não sei se foram lá colocados por vontade expressa do autor ou apenas para conferir mais emoção ao filme. Seja como for estabelecem um factor de diferenciação significativo, entre esta e as outras realizações.
Em todos os filmes anteriores de tema semelhante e reportando-nos ao primeiro de 1975, realizado por Steven Spielberg, os homens (neste caso Roy Scheider, Robert Shaw e outros) são os “heróis” da acção, os protagonistas da salvação das mulheres e das criancinhas que ao banhar-se nas águas da praia são confrontados com um gigante tubarão branco que os quer transformar em refeição.
No caso presente, temos uma estudante de medicina, com dúvidas na carreira, que apanha um táxi, para a praia da sua infância, algures no México, a fim de praticar surf. No local trava conhecimento breve com residentes, e juntos surfam algumas ondas até que os dois rapazes resolvem voltar. É aqui que Nancy Adams toma contacto com o perigoso tubarão branco que se banqueteava com a carcaça de uma grande baleia e que Nancy veio perturbar. As cenas que se seguem reportam-se à tentativa do tubarão em “caçar” a sua nova presa contemplando a fase emotiva que o filme contém e nos prende à história, muito embora se “adivinhe” que tudo vai acabar bem.
Como este encontro se dá a alguma distância da costa, Nancy tem de se defender como pode, refugiando-se precariamente nos elementos ao seu dispor. Durante esta luta pela vida, chega à praia um Mexicano bêbado, que depois de lhe roubar os pertences com mais interesse, decide tomar banho e é apanhado pelo tubarão. Mais tarde chegam os surfistas do dia anterior que sem perceber a gesticulação de aviso e de terror de Nancy, lançam-se à água com as pranchas e são igualmente trucidados pelo agressor de serviço.
Resta portanto a nossa heroína solitária, resistente, estóica, que com elegância e inteligência para frustrar as investidas do tubarão, faz passar a mensagem subliminar, de uma mulher autónoma, segura de si, independente, moderna, conquistadora do seu espaço, que apesar das provações dolorosas que este encontro lhe causou ainda possui discernimento e capacidade de manobra para, fazendo de si própria engodo para o tubarão lhe provocar a morte, utilizando a força selvagem do animal que a perseguia.
Isto é um aviso homens, os heróis já eram, agora estamos a entrar na vez delas dominarem o mundo, pelo menos em histórias como esta, em que anteriormente os homens é que pontuavam. Para lá deste aspecto, o filme está relativamente bem feito, convincente na maioria das situações e constitui um bom motivo de diversão recheado de emoção.

Classificação: 5 numa escala de 10

6 de setembro de 2016

Opinião – “O Sr. Perfeito” de Paco Cabezas


Sinopse

Hiperativa nos seus melhores momentos, Martha (Anan Kendrick) fica completamente maníaca desde a sua última separação. Ela vai a festas compulsivamente, cozinha tudo o que tem pela frente - e está determinada a fazer algo terrível, quando encontra Francis (Sam Rockwell). Para qualquer um, a abordagem de Francis seria estranha, mas Martha fica intrigada. Eles parecem ser o par perfeito: ela é doida e ele é doido… mas de um modo mortífero. Na verdade, ele é um assassino profissional. Um hitman com uma causa, Francis mata as pessoas que encomendam os seus assassinatos. Quando os serviços de Francis são solicitados por um cliente duvidoso que está a ser perseguido por um agente do FBI igualmente duvidoso (Tim Roth), e à medida que os cadáveres se vão amontoando, Martha tem de decidir se vai fugir ou juntar-se à carnificina.

Opinião por Artur Neves

Receita para um filme marado
Ingredientes:
Uma jovem frustrada por várias relações fracassadas e desiludida com a vida, com os outros e com ela própria.
Um assassino profissional com um rebate de consciência, ou uma tentativa autónoma de redenção que o faz matar os seus clientes, em vez dos alvos encomendados por estes.
Um segundo assassino profissional, anteriormente colega do primeiro mas que rompeu com a ligação desde que o seu sócio se apresentou com aquele comportamento insólito. Tem uma particular capacidade de disfarce e de se fazer passar por quem não é.
Um clã de traficantes de droga e assassinos que pretende combater um grupo rival, mas cujo irmão mais novo pretende eliminá-lo para tomar o poder do gang.
Essência de morte frequente e gratuita
Essência de impunidade geral
Essência de tiroteios sem consequências, pois apesar dos múltiplos e longos tiroteios, e do sofisticado arsenal bélico apresentado, quem interessa salvar para continuar a história salva-se sempre sem um arranhão.
Preparação:
Apresenta-se o primeiro assassino profissional para lhe denunciar o trauma e criar ambiente, bem como a moça desvairada com o seu destino, que não sabe mais o que fazer para ser feliz no amor que procura incessantemente.
Promove-se um encontro estranho entre os dois, sem que ele lhe revele a sua verdadeira actividade profissional e onde se desenvolva uma química entre ambos, que mesmo que os posteriores encontros sejam “polvilhados” de emboscadas, lutas, perseguições e mortes o romance floresce, afirma-se e a rapariga sente ter encontrado o “príncipe encantado” que procurava.
Cria-se então um caso complicado da guerra entre os gangs rivais, mantendo sempre a ameaça latente do antigo colega de profissão que apesar de chegar perto não é capaz de o molestar. Juntam-se, fugas, perseguições, muitos tiroteios e finalmente a captura da “bela” que surpreendentemente também apresenta propensão para a luta e para a morte gratuita, ao ponto de ser ela que, in extremis, salva o seu amado justificando-se a elevada compatibilidade entre ambos.
Deve servir-se frio, porque apesar de ter muito movimento não dá para aquecer.
Conclusão:
É pois, isto que Paco Cabezas, realizador espanhol nascido em 1976 em Sevilha, nos apresenta nesta obra escrita em parceria com Max Landis, misturando acção, com romance de cordel, com mistério e com filme negro de gangs e luta pelo poder. O resultado só pode ser confrangedor porque não se encontra um pormenor de seriedade na maioria das sequências, em cujo desenrolar suportam-se sempre de situações forçadas e improváveis, de bandidos de pacotilha, de lutadores de aparência, tornando o argumento deficitário de interesse. A forma da minha escrita tenta traduzir a “salada” de este filme se compõe que dá a ideia de uma construção baseada no estereótipo do filme de acção, adicionando muita “porradinha” e romance de cordel que na opinião do autor, deve ser essencial para a promoção da venda do produto.

Classificação: 4 numa escala de 10