17 de agosto de 2018

Opinião – “Slender Man” de Sylvain White


Sinopse

Numa pequena cidade do estado de Massachusetts, USA, quatro raparigas do ensino secundário decidem fazer um ritual na tentativa de desmascarar o mito de Slender Man.
No meio do ritual, uma das raparigas perde-se misteriosamente, fazendo com que as colegas acreditem que esta foi, de facto, a última vítima de Slender Man.

Opinião por Artur Neves

De todas as assombrações que pululam na sociedade dos Estados Unidos da América (a presidência de Donald Trump é apenas a mais recente embora noutro contexto) o mito do “The Tall Man” já deu origem a várias realizações em cinema, sendo a última de 2012, rebatizada em Português com o nome; “O Homem das Sombras” mas corporizando a mesma história de um ser longilíneo, com movimentos lentos, misto de humano e vegetal que encanta crianças e jovens para posteriormente os abduzir, do meio a que pertencem.
Desta vez, que em Portugal foi adotado o nome original do filme; “Slender Man” (Homem Alto, no sentido de bem proporcionado, esbelto) conta-se a mesma história, modernizando-a com as novas tecnologias, tais como, um vídeo através do qual se faz a cativação das jovens, troca mensagens de telemóvel entre as jovens e uma conta desconhecida mas conotada como o “Slender Man”, uma bateria de vídeos descoberta na internet que documentam anteriores abduções, no sentido de criar o ambiente propício para a evocação do mal e das suas consequências.
A banda sonora, elemento fundamental na criação do ambiente conduz-nos igualmente à atmosfera de terror que se pretende criar, só que, tomando como seus todos os truques e twists de argumento estafados noutras apresentações, que normalmente têm conduzido à inquietação e suspense do espetador, transmite-nos aqui uma sensação de déjà vu, em vez de inquietação. Os efeitos especiais utilizados também já os vimos noutros contextos e noutras histórias não acrescentando por aí qualquer valor a uma história que se fundamenta num mito sem qualquer explicação, nem que seja esotérica, e que se afirma apenas porque sim, na cabeça das púberes meninas do secundário que por não serem convidadas para a festa dos rapazes da sua preferência, reúnem-se na casa de uma delas e entretêm-se com a evocação desta entidade mítica.
É com esta história simples que Sylvain White, nascido e criado em Paris, formado na Sorbonne (quem diria!...) e posteriormente graduado em produção de cinema em Los Angels, autor de alguns filmes interessantes, tais como; “La Marque des Anges Miserere”, em 2013 e “The Americans”, 2017-18, mini serie de 2 episódios para a televisão não estreada em Portugal, nos apresenta a sua versão deste mito urbano que acrescenta muito pouco ao cinema de supense e de terror que tem os seus pergaminhos para manter os aficionados do género. É uma estória, com pouca história, para fazer história, veja se quiser, está por sua conta.

Classificação: 4 numa escala de 10

14 de agosto de 2018

Opinião – “Uma Aventura do Outro Mundo” de Christoph e Wolfgang Lauenstein


Sinopse

Luís tem doze anos e está muitas vezes sozinho. Ele não tem muitos amigos e o seu pai, que é ovnilogista, não tem tempo para ele e vive obcecado em provar a existência de vida inteligente no espaço. O diretor da escola pensa que Luís está a ser negligenciado e que devia ser levado para um internato. É nesse momento que três aliens patetas se despenham à porta dele: Nag, Wabo e Mog. Eles vieram à procura de um colchão de massagens que viram num canal televendas do planeta Terra: o Nabbi Dabbi. Luís fica radiante, torna-se logo amigo deles e esconde-os do pai que está convencido de que os aliens são seres perigosos e devem ser congelados assim que forem avistados. Quando a diretora do internato aparece e tenta levar Luís, ele e os seus amigos alienígenas têm de engendrar um plano para entrarem em contacto com a nave principal de modo a serem resgatados. O Luís até se convence a deixar o seu planeta para explorar a galáxia com os seus amigos novos e fixes.

Opinião por Artur Neves

De estúdios europeus financiados por fundos de cinema de animação do Luxemburgo, Dinamarca e Alemanha, surge esta “Aventura do Outro Mundo” (Louis & the Aliens no original) destinada a encantar miúdos e graúdos, com uma história de invasão da terra por engano, por seres vindos de outros planeta mas com tiques e comportamentos muito parecidos aos da Terra, de tal forma que Louis, o herói da nossa história, rapidamente os identifica como amigos e compagnons de route, numa aventura de acordo com a confusão que a chegada de tais personagens provocou.
A história está concebida, sem super-heróis nem passes de mágica que ultrapassem a bonomia de três patetas galácticos, tão comprometidos com os seus erros e insuficiências que apenas pretendem passar despercebidos, sendo precisamente essa tentativa que os torna notados e causadores de peripécias de difícil resolução. Todavia, o sortilégio da banda desenhada é conseguir resolver o impossível, com humor saudável, divertimento e boa disposição que contagia todos os assistentes.
Num período de férias escolares, com temperaturas escaldantes e miúdos desocupados demasiado vidrados em gadgets eletrónicos, nada melhor do que uma aventura bem esgalhada para os transportar para “outra galáxia”, pelo menos durante os 86 minutos de duração dum filme engraçado, destinado a ser apreciado em família. Recomendo.

Classificação: 6 numa escala de 10

13 de agosto de 2018

ANUNCIO - THE OLD MAN AND THE GUN

Último filme de Robert Redford, em antestreia no Festival de Toronto


Protagonizado por Robert Redford, e realizado por David Lowery ("Ain't Them Bodies Saints", "Pete's Dragon", "A Ghost Story") "The Old Man and The Gun" terá a sua antestreia mundial no próximo Festival Internacional de Cinema de Toronto, entre os dias 6 e 16 de setembro.

O ator confirmou já a sua intenção de reformar, pelo que este filme será o último trabalho da sua carreira. Todavia irá continuar até poder, a sua atividade como realizador que tão boas provas tem dado.

O filme baseia-se na história verídica de Forrest Tucker, que escapou da prisão aos 70 anos para se dedicar a uma série de assaltos sem precedentes. Para além de Redford, o elenco conta ainda com Casey Affleck, um detetive obcecado com o caso de Tucker, Sissy Spacek (o amor da vida de Tucker), Danny Glover e Tom Waits.

Não tem ainda data prevista de estreia em Portugal mas irá poder ser visto num cinema perto de si.

10 de agosto de 2018

Opinião – “A Sombra da Verdade” de Per Fly


Sinopse

Michael, recém-licenciado, jovem e idealista, consegue o seu emprego de sonho nas Nações Unidas e dá por si no centro do programa Petróleo por Alimentos da ONU. Com a ajuda do seu mentor Pasha, Michael prospera no emprego mas, com o tempo, começa a aperceber-se da verdadeira corrupção que está na base da conceção do programa. A única saída será denunciar tudo - arriscando a sua própria vida, a carreira do seu mentor e a vida da mulher que ama.

Opinião por Artur Neves

A história contada neste filme baseia-se no maior escândalo de corrupção e tráfico de influências dos quadros da ONU envolvidos na gigantesca operação Oil for Food (Petróleo por Alimentos) que teve lugar em 2003, na sequencia dos danos causados no país após a primeira guerra do Golfo permitindo aos Iraquianos trocar preferencialmente o crude extraído dos seus poços de petróleo por alimentos e bens essenciais que minorassem as necessidades sentidas pela população, decorrentes do impacto causado pelas sansões internacionais e pelo embargo dos USA ao regime de Saddan Hussein que governava o Iraque.
Michael Soussan, o autêntico, (representado no filme por Theo James) encontra a oportunidade da sua vida profissional logo após a sua formatura em economia como coordenador de um plano humanitário de real grandeza e grande visibilidade da ONU que ele tomou como uma cruzada quando, ao se inteirar dos meandros da operação se confronta com o maior escândalo de sempre, constituído por avultados subornos de milhares de milhões de dólares aos principais agentes da operação dentro da ONU, incluindo o homem que o guiou nos primeiros passos na organização, Benon Sevan (Pasha no filme representado por Ben Kingsley) um cipriota que se exilou em Nicósia quando os factos vieram a público no The Wall Street Journal, e que ainda lá se mantém beneficiando de um acordo de não extradição.
É pois com este material explosivo de denúncia para memória futura que Per Fly, realizador Dinamarquês com filmes interessantes no curriculum tais como; “Arven” (2003) e “Mónica Z” (2013) se “embrulha” num esquema de revelação do enredo logo no início da história, pretendendo com isso levar-nos ao conhecimento dos factos através de flashbacks sobre a vivência do protagonista no Iraque e da forma como ele chegou às conclusões que posteriormente vem a revelar. É um filme sobre “o como”, acerca “do que”, temos conhecimento apriorístico.
Só que para o thriller político e de ação, a que esta história se prestaria a forma de abordagem escolhida por Per Fly retira-lhe toda a tensão e toda a surpresa na identificação dos culpados, continuando embora como um documento de denúncia, mas sem chama e sem a ilustração do castigo da vergonha que uma fraude desta dimensão causa a uma organização que se pretende impoluta e inatacável. Para ainda piorar as coisas o realizador acrescenta-lhe uma historieta de amor falido, com a tentativa de inclusão do inerente drama, que de modo algum salva o que foi estragado antes. Resta-nos todavia a memória de honra e de carater de um homem bom, que sabia que ao revelar tamanha fraude punha em risco a sua carreira e a sua vida, mas ainda assim, fê-lo. Vê-se como documento histórico e fica-se com pena de não ser um thriller.

Classificação: 5 numa escala de 10

31 de julho de 2018

Opinião – “Missão Impossível – Fallout” de Christopher McQuarrie


Sinopse

As melhores intenções voltam muitas vezes para te assombrar. Em MISSÃO: IMPOSSÍVEL – FALLOUT, Ethan Hunt (Tom Cruise) e a sua equipa IMF (Alec Baldwin, Simon Pegg, Ving Rhames) encontram-se com alguns conhecidos aliados (Rebecca Ferguson, Michelle Monaghan) numa corrida contra o tempo, depois de uma missão mal sucedida. Henry Cavill, Angela Bassett e Vanessa Kirby também se juntam ao fantástico elenco deste filme, realizado pelo cineasta Christopher McQuarrie.

Opinião por Artur Neves

Esta história tem pergaminhos iniciados numa série televisiva com o mesmo nome, na década de 60 que encantou todos os cinéfilos com a minha idade. Posteriormente, o argumento da série passou para o cinema e teve a sua estreia num filme realizado em 1996 por Brian de Palma, já com Tom Cruise no principal papel (que nunca mais largou) desenvolvendo sempre histórias surpreendentes quer pelo argumento cheio de twists, como pelas acrobacias impossíveis realizadas pelos intervenientes. Seguiram-se depois sequelas em; 2000, 2006, 2011 e 2015 até à atual versão 6 em 2018 com o presente filme.
O objetivo em todas as histórias é a prática de atos valorosos em benefício da humanidade para a realização dos quais os heróis arriscam a vida em situações mirabolantes, todavia em duas das anteriores versões ficava-mos com a sensação de estar a ver uma história com situações forçadas para encaixar a ação inerente ao espírito do guião.
Desde a versão 5 de 2015 e com a contribuição de Christopher McQuarrie como realizador e autor do argumento, a história claramente subiu de nível na composição da intriga e nos múltiplos e surpreendentes twists em que nunca se sabe com segurança, quem é quem, porque todos podem ser eles mesmo ou o seu contrário.
Deste modo, “Fallout” contém, figuras ambíguas que gerem conflitos de interesses entre agências que deveriam colaborar entre si, extraordinárias perseguições automóveis, em motas e até de helicóptero, grandes intrigas entre todos os intervenientes, muita pancadaria e cenas de tiroteio cerrado, que constituem os condimentos necessários para fazerem desta história um agradável divertimento durante 147 minutos em que não se dá pelo tempo passar.
Adicionalmente o filme é divertido, pelos olhares dúbios entre os personagens e cenas improváveis, sem piadas forçadas nem gags estafados e com a caraterística de possuir sequências de ação longas e de tensão crescente em que no final o herói consegue sempre os seus intentos, claro está, por mais complicadas e surreais que se apresentam as situações, mas duma maneira que no contexto do filme nos parece lógica e bem conseguida.
Como é sabido Tom Cruise dispensa duplos e torce o tornozelo numa das cenas de montanha, em que ele estoicamente continua correndo para não perder o que já tinha sido filmado, mostrando afinal que os seus 42 anos anda estão aptos a fazer outras sequelas que o final do filme deixa antever para o futuro.
Se o leitor tiver possibilidade de ver a versão IMAX 3D usufrui ainda do atrativo da visão tridimensional das cenas, corroboradas por um som surround que torna mais imersivo o nosso envolvimento na ação. Constitui um excelente filme de ação, recomendo vivamente.

Classificação: 8 numa escala de 10

25 de julho de 2018

Opinião – “Homem Formiga e A Vespa” de Peyton Reed


Sinopse

Do Universo Cinematográfico Marvel chega “Homem-Formiga e A Vespa”, um novo capítulo dos heróis com a incrível capacidade de encolher. Depois de "Capitão América: Guerra Civil", Scott Lang tem de lidar com as consequências das suas escolhas como super-herói e pai. Enquanto luta para equilibrar a vida pessoal e as suas responsabilidades como Homem-Formiga, é confrontado por Hope van Dyne e Dr. Hank Pym com uma nova missão. Scott terá uma vez mais de vestir o fato de Homem-Formiga e aprender a lutar ao lado de A Vespa, enquanto a equipa trabalha em conjunto para descobrir segredos do passado.

Opinião por Artur Neves

Corria o ano de 1968 quando Stanley Kubrick nos apresenta o espetacular filme de ficção científica “2001 – Odisseia no Espaço” fazendo a ligação do passado ao futuro da humanidade tomando como base a premonitória aterragem do homem na lua em 1969, através de um filme que se tornou mágico, escrito por Arthur C. Clarke, com efeitos especiais caleidoscópicos de evolução colorida, concebidos por Stanley Kubrick e Douglas Trumbull que interpretava o salto da humanidade no desconhecido, que ainda hoje continua como tal, considerando que continuamos com a dúvida universal sobre “de onde vimos e para onde vamos”.
Cinquenta anos depois em 2018 aparece este “Homem Formiga e A Vespa”, cavalgando a onda da novidade científica da época; os paradoxos quânticos, postulados inicialmente por Schrödinger e Heisenberg sobre a luz, a matéria e a sua constituição corpuscular, que nos são mostrados com riquíssimos caleidoscópios coloridos, muitos mais vistosos e conseguidos do que os apresentados em “2001 – Odisseia no Espaço”, mas… e há sempre um mas… desprovidos da mística transmitida anteriormente porque se resumem a uma mera demonstração de parafernália tecnológica usada e abusada atualmente como mais-valia de representação de efeitos especiais, sem todavia, nos fazerem pensar na verdadeira ciência que evocam, como em 2001 no salto para o desconhecido.
Declaro todavia que a história até é interessante, o filme está bem construído, sendo a sua caraterística principal os múltiplos efeitos especiais de aumento e redução de objetos e de pessoas, mais rápidos do que um estalar de dedos e aquela ideia peregrina de transformar quando convém, um edifício de dezenas de andares (o laboratório quântico) num trolley de viagem que se leva para onde se quer e se expande e encolhe de acordo com as necessidades do argumento, ou as formigas voadoras que servem de locomoção a alguns humanos na forma encolhida, ou ainda da Vespa que mais não é do que a rainha do transformismo… está tudo bem caro leitor, necessitando apenas entrar no “esquema”, aceitar continuamente a ausência de espessura dos personagens e deliciar-se com a visão das suas evoluções em ambiente de thriller e de aventura, claro está, para nos divertir enquanto dura e depois esquecer rapidamente, porque ficar com a mais leve ideia de quantum através deste filme constitui uma completa negação da física.
A Marvel traz-nos assim mais uma animação com pessoas, do seu universo fantástico de super-heróis e super-vilões a representarem para planos croma, que a arte de computação cinematográfica preenche com movimento, perseguições de carros espantosas, estica e encolhe de tudo, que só por si justifica a classificação atribuída. É diversão pura, portanto divirta-se.

Classificação: 5 numa escala de 10

21 de julho de 2018

Opinião – “Hotel Transylvania 3: Umas Férias Monstruosas” de Gendy Tartakovsky


Sinopse

No novo filme da Sony Pictures Animation, Hotel Transylvania 3: Umas Férias Monstruosas, Mavis surpreende Drac com uma viagem de família num luxuoso cruzeiro para que ele possa ter uma pausa de gerir as férias dos outros no hotel e os restantes monstros não resistiram e juntaram-se.
Todos estão a ter umas ótimas férias, aproveitando as ofertas divertidas do hotel, desde voleibol para monstros a enormes buffets e excursões exóticas, mas o inesperado acontece quando Drac se apaixona pela intrigante e perigosa capitã do navio.
Gerir família, amigos e um novo romance pode ser demais, mesmo para o vampiro mais poderoso.

Opinião por Artur Neves

Este Hotel Transylvania é a continuação da saga iniciada em 2012, continuada com uma sequela em 2015 e prolongada com a atual história vivida num cruzeiro que nos traz de novo todo o grupo de familiares e companheiros do Drac a viverem uma nova aventura sobre as ondas do mar. Não é nada de novo é apenas diferente e resume, se assim se pode chamar, a série em curso nos USA com o mesmo título e que já vai com 8 temporadas. Em série ou em filme vemos sempre os mesmos personagens e o propósito é divertir-nos com as reações de vampiros e monstros aos problemas do dia-a-dia respeitando as idiossincrasias particulares de cada personagem.
 Se nas versões anteriores a historia se centrou na família e nos problemas familiares emergentes de Drac e da ligação da filha com um humano, desta vez extrapola para o arqui-inimigo e caçador de vampiros; Van Helsing que sem ele saber habita o navio de cruzeiro e utiliza os encantos da sua filha, capitã do navio, para mais uma vez tentar caçar o vampiro mais desejado da sua coleção.
Todavia entre os dois surge uma chispa de romance e o amor, sempre ele, transforma os planos de caça noutra coisa diferente, sempre com a intervenção dos familiares e amigos de Drac, construindo uma trama de mistério e thriller que nos entretém durante 97 minutos de boa disposição e engraçados gags.
É o típico filme de verão para miúdos e graúdos, escrito e realizado por Gendy Tartakovsky, tal como nas versões anteriores, com Adam Sandler, Andy Samberg e Selena Gomes nos principais papéis que merece ser visto se não tiver uma ocupação mais interessante para fazer, seja como for, diverte e recomendo.

Classificação: 6 numa escala de 10

19 de julho de 2018

Opinião – “Amar Pablo, Odiar Escobar” de Fernando Léon de Aranoa


Sinopse

Esta é a história da ascensão e queda do senhor da droga colombiano, Pablo Escobar Gaviria (Javier Bardem), fundador do cartel de Medellín, contada pela sua glamorosa amante Virgínia Vallejo, já então uma jornalista conhecida com o seu próprio programa de televisão. Brilhante e cheio de ação, Amar Pablo, Odiar Escobar passou pelo Festival de Veneza e Toronto.

Opinião por Artur Neves

Seguindo um roteiro argumentista muito próximo da serie televisiva “Narcos” editada pelo canal Netflix, este filme tem como base a descrição da vida passada com Pablo Escobar, publicada em livro pela sua amante preferida; Virginia Vallejo (Penélope Cruz) jornalista em ascensão na televisão Colombiana por quem o traficante, já fortemente envolvido nos negócios da droga, cai de amores no primeiro encontro de ambos durante uma festa.
Na serie televisiva este facto torna-se um pormenor, pois com tantos eventos dignos de registo sobre a vida em ascensão do traficante, (conseguiu eleger-se como senador no parlamento Colombiano depois de corromper pessoas influentes do meio) os amores lá reportados são múltiplos e variados, sendo este apenas mais um.
No filme, toda a história gira em torno deste caso que atravessou a sua vida até à queda em Dezembro de 1993 quando foi apanhado através de uma escuta telefónica para a sua mulher e filha, por quem ele tinha especial predileção, tendo sido em sequência morto a tiro quando fugia pelos telhados da casa onde se escondia. Na realidade, nunca ficou provado que tenha sido morto pelos militares que o perseguiam, ou se a sua morte foi um ato de suicídio como defendem Roberto Escobar e Fernando Sanches, seus irmãos que juram ter ouvido do próprio que se mataria com um tiro atras da orelha se algum dia fosse apanhado sem hipótese de fuga.
A dupla Barden/P. Cruz (Pablo/Virginia) fazem um bom trabalho no desempenho dos seus papéis, todavia, decorrente dos factos, a história apresenta um pendor mais descritivo e jornalístico do que emotivo, complementado pela descrição em off de várias situações retratadas, pela própria Virginia, não estando ao nível da capacidade dos intérpretes que já nos apresentaram outras performances de maior intensidade dramática. Como já disse a sequência histórica dos eventos está muito próxima da serie “Narcos” só que em 123 minutos muita coisa fica por dizer, donde o complemento narrativo da Virginia Vallejo real se justifique e aceite sem reservas.
Apesar das fugas e guerras com a polícia e com os outros narcotraficantes seus concorrentes, toda a história apresenta uma toada morna que permite citar a vertente filantrópica de Pablo Escobar que justifica o completo e incondicional apoio do povo de Medellín ao traficante, seu benfeitor, seu “Robin dos Bosques” que eles defendem e por quem dão a vida a troco de dinheiro e de segurança para a família.
Temos assim uma história de vida ímpar, despótica, filantrópica, criminosa, profundamente devotada à família que tem como expoente dramático máximo no filme, a recusa de saída, pela polícia, da sumptuosa prisão que mandou construir após um acordo com o governo da Colômbia, para comprar um gelado á filha. Como cultura geral vale a pena ver.
Classificação: 6 numa escala de 10

12 de julho de 2018

Opinião – “Plano de Fuga 2: Hades” de Steven C. Miller


Sinopse

Quando Shu Ren é raptado e preso na complexa prisão de Hades, Ray Breslin é chamado a resgatá-lo. Especialista em entradas em espaços de alta segurança e vigilância apertada, vai infiltrar-se, juntamente com Trent Derosa e a sua equipa, nessa prisão computorizada e em permanente mutação de espaços e divisões.

Opinião por Artur Neves

Quando em 2013 Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger interpretaram “Plano de fuga”, um desafio de evasão de uma prisão de alta segurança perpetrado por dois especialistas em segurança não poderia pensar-se que uma ideia tão peregrina como esta pudesse ter uma sequela. Afinal enganámo-nos e ela aqui está em “Plano de Fuga 2” procurando complicar o que já era complicado no primeiro filme, concebendo um edifício que está em constante mutação volumétrica por acção de um programa de computador.
Desta vez o Arnold não esteve pelos ajustes e o Stallone (Ray Breslin no personagem) muito longe dos seus desempenhos em “Rambo” ou na saga “Rocky”, socorreu-se de um Dave Bautista façanhudo (Trent Derosa) e vai de interpretar uma equipa de especialistas em fugas para salvarem o terceiro elemento cativo em Hades.
Tudo isto poderia ter algum sentido se a acção tivesse pretensões de realismo e verosimilhança como noutras histórias com este tema, como por exemplo em “O Rochedo” de 1996 ou mais epicamente em “Papillon” de 1973 baseado numa história real. Mas não, nesta história é tudo fantasia, realizada com a arte de encantar que aqui apenas serve para embebedar os incautos que possam aceitar como possível a contínua movimentação das paredes de uma prisão, sem considerar os imprescindíveis ancoramentos das estruturas, sem os quais tudo aquilo cairia como um baralho de cartas mal equilibrado.
O argumento é muito simples, como convém, para justificar as sucessivas demonstrações de artes marciais e de wrestling, igualmente levadas ao extremo de execução entre as quais o plano de fuga toma forma socorrendo-se de ligeiros artefactos quotidianamente normais, mas que ali são suficientes para ultrapassarem o maquiavélico poder do computador Hades que controla toda a prisão e os elementos que lá estão retidos.
Durante 96 minutos, Steven C. Miller, realizador americano de filmes de aventuras com pouco contexto, como por exemplo em “Saqueadores” de 2016, onde manifestamente falha por não saber segurar o argumento e privilegiar a ação ao enredo, ou em “Arsenal” de 2017 com uma história paupérrima, faz-nos seguir mais esta história fraquinha, que progride lentamente, ao ritmo da escassez de elementos que eventualmente a poderiam valorizar. Nestas condições inevitavelmente o bocejo surge, intervalado pela consulta do relógio na escuridão da sala, pois para tão pouca “uva” a “parra” do tempo é incomensuravelmente longa.

Classificação: 4 numa escala de 10

30 de junho de 2018

Opinião – “No Coração da Escuridão” de Paul Schrader


Sinopse

Um ex-capelão militar, de luto pela morte do filho que convencera a ingressar no exército, começa a questionar a sua fé em relação a Deus e à sociedade.
Toller é um homem atormentado por demónios pessoais e sentimentos de culpa pela morte do filho e também pelo divórcio que se seguiu. Os seus dilemas pessoais ganham uma nova dimensão, quando confrontado com as dúvidas de Mary. A jovem está grávida, mas o marido não quer ter a criança, por considerar que o mundo não tem qualquer salvação ou futuro.

Opinião por Artur Neves

O argumento desta história é inspirado nas cartas do padre Thomas Merton, monge trapista americano e escritor católico, que durante a sua vida no século XX (1915 – 1968) também escreveu poemas, foi ativista social e fervoroso defensor do pacifismo e do ecumenismo. Este filme é portanto uma história de ficção, transpondo para a atualidade as interrogações e vacilações de fé documentadas pelo seu espólio epistolar onde se destaca a pergunta chave da sua filosofia: “Será que Deus nos perdoa pelo que estamos a destruir?...”
É uma abordagem diferente do ecumenismo religioso tradicional que Paul Schrader, experiente realizador americano, responsável pelos argumentos de; “Taxi Driver” (1976) e “O Touro Enraivecido” (1980), nos apresenta neste denso filme de intervenção social com pendor ecológico, que representa um murro do estomago para todos os americanos que elegeram Donald Trump e pactuam com a sua política individualista, protecionista e promotora da continuada carbonização do planeta, quando já existem provas dos prejuízos causados em toda a existência zoológica ou vegetal que habita este mundo.
A história centra-se no pároco Ernst Toller (Ethan Hawke) de uma igreja centenária (First Reformed, que constitui o nome original do filme) que celebra a festa da jubilação da sua fundação em conjunto com todas as forças vivas da cidade e de outras congregações religiosas, como a “Abundante Life”, cujos fiéis frequentam em maior número e com maior entusiasmo como resultado de um cristianismo espetáculo, que não corresponde minimamente à prática ecuménica do Reverendo Toller.
Toller, embora carregando o sofrimento das suas frustrações, encontra-se disponível e ao serviço de todos os que solicitem a sua atenção e a sua palavra. Embora com dúvidas, para ele inultrapassáveis, distribui recomendações para encontrar paz interior, fé e esperança no futuro, que ele próprio não encontra nos seus momentos de solidão. Todavia a realidade procura-o, não se esquece deste homem dividido e confronta-o no mais íntimo da sua essência forçando-o a uma escolha que será decisiva para um futuro que ele tem dúvidas que exista.
Muito bem interpretado e realizado, este filme transporta-nos para a América profunda e para os seus dilemas e convicções atávicas, ao ritmo do quotidiano da cidade. A angústia existe mas está contida nas gargantas e não se exprime por palavras e o realizador sabe transmitir-nos essa evolução com sinais e gestos que nos avisam do “adensar das nuvens” e nos inquietam. O desfecho surpreende e o final fica ao livre arbítrio da nossa reflexão. Muito bom, recomendo.

Classificação: 8,5 numa escala de 10

PS: Na opinião anterior sobre; “Na Praia de Chesil” critiquei o epílogo que o realizador nos apresenta para a história. Nesta, elogio a sua completa ausência, se existisse seria absolutamente supérflua.

28 de junho de 2018

Opinião – “Na Praia de Chesil” de Dominic Cooke


Sinopse


Estamos no verão de 1962 e em Inglaterra falta ainda um ano para as grandes mudanças sociais: a Beatlemania, a revolução sexual e os Swinging Sixties. Florence e Edward, um jovem casal de vinte e poucos anos, recém-casados, decidem passar a sua lua-de-mel num hotel abafado e enfadonho perto da praia de Chesil, em Dorset. Mas à medida que se aproximam da consumação do casamento, a conversa entre eles fica mais tensa e incómoda e resulta numa discussão entre os dois. É então que confrontam as diferenças entre si - as suas diferentes origens, atitudes, temperamentos, e segredos. Na praia de Chesil, no fatídico dia do casamento, um deles toma uma decisão importante que mudará radicalmente as suas vidas para sempre.

Opinião por Artur Neves

Baseado no romance homónimo de Ian McWean que também escreveu o argumento, esta história começa na Inglaterra industrializada mas socialmente vivendo ainda numa organização fortemente influenciada pela Era Vitoriana de valores rigorosos e moral pessoal austera, pouco propensa ao reconhecimento das reais necessidades pessoais, fazendo prevalecer as conveniências e as convenções sobre os naturais desejos humanos.
Nesta sociedade era portanto frequente os jovens chegarem à idade adulta sem conhecimento completo dos seus direitos e deveres, nomeadamente no que concerne a problemática sexual. Para as mulheres a castidade era norma imperativa, que devido à castradora educação veiculada socialmente motivava a sublimação dos impulsos naturais em múltiplas atividades que mascaravam a frustração dos impulsos carnais em formas de amor platónico, embora pretensamente eterno.
É neste contexto que “Na Praia de Chesil”, uma língua de saibro polido e rolado pelo bater das ondas em ambos os lados sob um céu pesado cor de chumbo, que fracassa com estrondo um casamento realizado 6 horas antes. Dominic Coocke mostra-nos cirurgicamente a degradação dessa relação singular fundamentada na ignorância, na vergonha, no embaraço de uma relação não assumida. Os factos são-nos descritos em flashback, enquanto que no presente o afastamento progride, mostrando-nos que uma história pode ser contada sob qualquer ordem desde que contenha os elementos necessários à sua compreensão, conferindo-lhe uma dinâmica própria e prendendo o interesse do espetador aos detalhes.
O realizador apresenta-nos pormenores de olhares, surpresas descabidas, gestos inseguros, frases incompletas, decisões por tomar e todo um conjunto de sinais que revelam os verdadeiros estados de alma destes dois amantes enquadrados no seu contexto social mas perdidos na sua essência.
A Inglaterra progride e moderniza-se, as ideias “arejam-se” com os Beatles e com tudo o que a sua irreverencia transformou. Dominic Cooke apresenta-nos um epílogo para esta história triste. Para mim seria mais válido continuar o retrato da época e escamotear as razões e as consequências da sociedade Inglesa no início dos anos sessenta, todavia não foi esta a decisão do realizador, embora no final, ao voltar à praia de Chesil, no curto período de duração daquele casamento, aquela língua de saibro polido, batida pelo mar, transportado por um vento húmido e agreste, sob um céu de chumbo, me tenha parecido ainda mais pesado do que no início do filme.
Florence Ponting (Saoirse Ronan) e Edward Mayhew (Billy Howle) constroem dois personagens convincentes, a história é boa, vale a pena ver, recomendo.

Classificação: 7 numa escala de 10

22 de junho de 2018

Opinião – “A Música do Silêncio” de Michael Radford


Sinopse

Todos conhecem a sua voz, as suas canções, as interpretações de famosas árias de ópera e a sua reputação internacional. Mas muito menos se sabe sobre a vida privada de Andrea Bocelli e do seu percurso desde Lajatico, uma pequena vila na Toscana, à ribalta da sua carreira atual.
Amos Bardi (alter-ego do cantor) nasceu com o dom da voz, mas tem uma doença grave nos olhos que o torna quase cego, obrigando-o a um calvário de várias cirurgias. O jovem é separado da família para ingressar num instituto para cegos e amblíopes, onde aprende Braille, mas sofre um terrível acidente que lhe provoca a cegueira total. Apesar de tudo, Amos não desiste. Motivado pela ambição e vários interesses (a paixão pelo canto, o amor por cavalos, motos e bicicletas, e uma licenciatura em Direito), a sua vida será uma sucessão de desafios até alcançar o seu primeiro grande sucesso em palco, com Miserere.
Aqui começa uma vida repleta de vitórias, mas onde persiste a missão diária de quem, para ser como os outros, deve trabalhar mais do que todos, em cada gesto, em cada etapa.

Opinião por Artur Neves

Os filmes baseados em biografias individuais, com ou sem auto consentimento e neste caso a história que nos é mostrada tem a colaboração do signatário, enfermam da dificuldade acrescida da surpresa, considerando que se trata de uma dramatização de eventos que tiveram a sua sequencia temporal de ocorrências, mais ou menos conhecida do grande público, que tem de ser fiel ao motivo do seu relato.
Este facto constitui uma dificuldade acrescida para o argumentista e para o realizador, no modo de contar esses factos e na descrição dos factos em si mesmo, que para se tornarem interessantes necessitam de múltiplos pormenores que os caracterizem e os animem, ou por uma alteração da ordem do relato de forma a motivarem-nos para eventos que já conhecemos, ou que pelo menos, sabemos que o retratado existe, está de boa saúde e recomenda-se.
Neste caso, Michael Radford, nascido na India, em New Delhi em 1946 e com boas referencias anteriores tais como; “O Carteiro de Pablo Neruda” de 1994 e “O Mercador de veneza” em 2004, segue o modelo clássico da descrição sequencial dos eventos, começando pela descoberta do glaucoma congénito logo após o nascimento e seguindo o fio da vida de Amos Bardi até á época atual, nos momentos iniciais de um concerto do consagrado Andrea Bocelli.
Durante este percurso são reportados, os seus diferentes humores, frustrações, desejos e ambições, o encontro de Elena com quem vem a constituir família e todos os seus sucessos iniciados com Zucchero em 1992, e prémios menores ganhos durante esse percurso. Tudo muito direitinho e seguidista, onde o personagem desempenhado por Antonio Banderas, o “Maestro”, seu professor de canto lírico, aparece como elemento distintivo e agitador num percurso inevitavelmente pacato e contido. Apresenta todavia alguns pormenores interessantes da vida do cantor, da sua irreverencia e tenacidade, mas que por constituírem relatos do tipo “postal ilustrado” perdem impacto e rapidamente se dissipam. Constitui assim uma biografia autorizada de um dos maiores tenores da nossa época, com interesse cultural do conhecimento transmitido, mas pobre do ponto de vista do espetáculo cinematográfico.

Classificação: 6 numa escala de 10

20 de junho de 2018

Opinião – “Noite de Jogo” de John Francis Daley e Jonathan Goldstein


Sinopse


Max e Annie, vêm a sua noite de jogos semanais entre casais amigos tornar-se mais entusiasmante quando o carismático irmão de Max – de nome Brooks – arranja uma festa com o tema “assassinato mistério”, que inclui ladrões e polícias falsos. Quando Brooks é subitamente raptado, é tudo parte do jogo… certo? Assim que os seis jogadores ultracompetitivos começam a preparar-se para resolver o caso e ganhar, começam a descobrir que nem o “jogo” nem Brooks são o que aparentam. No decurso de uma noite caótica, estes amigos vão encontrar-se a pisar o risco cada vez mais, pois cada nova pista leva-os a uma nova reviravolta inesperada. Sem regras, nem pontuação e sem ideia de quantos são os jogadores na realidade, esta pode ser a noite mais divertida das suas vidas… ou simplesmente o fim.

Opinião por Artur Neves

Quem disse, ou pensou, que a comédia no cinema era uma tema esgotado tem de ver este filme que constitui um “fresco” neste género, por vezes muito mal utilizado em filmes de cariz romântico que se socorrem de alguns gags, por vezes utilizados apenas como “buchas”, para animar as hostes de uma história mais ou menos lamecha. Este porém não é o caso de “Noite de Jogo” que contém todos os ingredientes para nos proporcionar um tempo de genuína diversão.
Suporta-se numa história de equívocos, bem congeminada, com momentos de verdadeiro suspense que em vez de nos assustar, empolgam-nos no sentido de apreciar se a dimensão da surpresa causada no personagem, é maior ou menor da que intuímos ao ver o desenrolar da ação, onde tudo está completamente esclarecido (e bem iluminado) para o espetador.
O enredo acompanha um grupo de amigos, normais frequentadores em conjunto de jogos sociais do tipo; trívias, jogos de tabuleiro e videogames, em que um dos elementos habituais resolve inovar nos temas propondo-lhes um “assassinato mistério”, a que todos aderem. O problema começa quando este jogo coincide com o assalto à casa feito por um grupo de malfeitores reais com a intenção de cobrança de uma dívida a Brooks (Kyle Chandler), que eles assumem por inerência pertencer ao jogo, tentando obter deles indícios e dicas, sobre os passos seguintes.
Os jogadores habituais organizam-se em equipas de pares na tentativa de obterem vantagens mas assumem objetivos ridículos e irreais considerando o absurdo da situação que eles ainda não compreenderam, conduzindo a um conjunto de erros e de surpresas onde assenta a verdadeira piada da história.
É suportado por um excelente e diversificado naipe de atores, já repetentes neste género de filmes, tais como; Max (Jason Bateman) e Annie (Rachel McAdams) como o casal principal, o vizinho Gary (Jesse Plemons) que desempenha um papel sinistro, intenso, despeitado e mal-humorado e muitos outros que compõem a história, produzindo boas cenas de humor sem espalhafato ou demasiada exuberância onde a ação funciona melhor do que as piadas e que se vê com agrado. Constitui 100 minutos de boa disposição, recomendo.

Classificação: 7,5 numa escala de 10

19 de junho de 2018

Opinião – “Mau Samaritano” de Dean Devlin


Sinopse

Dois jovens que arrumam carros num restaurante local criam um esquema inteligente para assaltar as casas dos clientes enquanto eles comem. As coisas correm bem até um deles assaltar o cliente errado e descobrir uma mulher cativa. Temendo ir para a prisão, deixa a mulher e devolve o carro no restaurante. Cheio de remorsos, faz um telefonema para a Polícia, que não encontra nada quando investiga. Agora, o arrumador tem de suportar a ira do raptor que tenta vingar-se, enquanto tenta desesperadamente arranjar maneira de salvar a mulher cativa que deixou para trás.

Opinião por Artur Neves

“Mau Samaritano” seria se Sean Falco (Robert Sheehan) tivesse abandonado à rapariga cativa que encontrou na casa, à sua sorte, mas não foi assim, impossibilitado de resgatá-la num primeiro tempo moveu céu e terra com risco da sua própria segurança e das pessoas que mais amava para a salvar, como redenção para a sua precipitada atitude inicial e cumprindo a regra básica de solidariedade em ajudar o próximo mesmo que completamente desconhecido. No limite será um “Mau Samaritano” arrependido.
A história que Dean Devlin nos conta, realizador americano nascido em Nova Iorque que tem no seu curriculum êxitos recheados de emoção e surpresa tais como; “O Dia da Independência” 1 e 2 (1996 e 2016) “Stargate” (1994) dos quais já se anunciam sequelas, “Godzila” (1998) traz-nos agora este thriller psicológico de suspense bem urdido do confronto com um psicopata totalmente fora da realidade embora muito rico e poderoso e das suas taras de dominação humana e formatação de vontade aos seus tresloucados desígnios.
Cale Erendreich (David Tennant), o psicopata, consegue transmitir-nos a personagem fria, calculista, impiedosa, exibindo raiva e desapego contra o mundo enquanto se diverte com o sofrimento infligido por ele a outros apenas para seu prazer e desfrute da destruição de um ser humano, cuja maior falta, é não se enquadrar aos seus parâmetros doentios e não se submeter aos seus aleatórios desejos de dominação e poder absoluto.
Entre as tentativas de salvamento de Sean e os maldosos ataques de Cale para o aniquilar, depois de lhe preparar diferentes armadilhas, a história desenvolve-se em ritmo crescente de emoção, numa toada de ação e de surpresa, com diferentes twists que mantêm o espetador atento e interessado. Claro que cedo se percebo que Cale tem de ser castigado e a rapariga salva, mas o caminho para lá chegar não é evidente indo-se revelando ao longo dos 110 minutos de ação do filme que se vêm com agrado.
Oportunidade ainda para se apreciar o efeito da anunciada Internet das Coisas (do Inglês; Internet of Things “IoT”) numa casa moderna, completamente assistida por software de vigilância e de realização de tarefas, comandada remotamente através de uma App instalada num telemóvel normal. Ainda é apenas uma primeira amostra da tecnologia de robotização das nossas casas, mas já nos mostra algumas das suas “maravilhosas” possibilidades. História escorreita e filme com interesse, recomendo, se não for impressionável com algumas cenas mais gore.

Classificação: 6,5 numa escala de 10

11 de junho de 2018

Opinião – “A Cada Dia” de Michael Sucsy


Sinopse

Baseado no aclamado best-seller do New York Times escrito por David Levithan, “A Cada Dia” conta a história de Rhiannon, uma rapariga de 16 anos que se apaixona por uma misteriosa alma chamada “A”, que cada dia ocupa um corpo diferente. Sentido uma ligação ímpar, Rhiannon e “A” todos os dias se esforçam para se encontrarem, desconhecendo o quê ou quem o novo dia trará. Quanto mais os dois se apaixonam, mais a realidade de amar alguém que é uma pessoa diferente a cada 24 horas começa a pesar, deixando Rhiannon e “A” perante a decisão mais difícil que alguma vez tiveram de tomar.

Opinião por Artur Neves

Esta é mais uma história que se apresente como sendo… “para ver como era, se assim fosse como seria…”. É claro que esta frase não faz muito sentido, mas o filme também não, pelo que ao ser citada serve como preparação e aviso para o resto do texto que o leitor decidirá se pretende continuar a ler.
Almas… espíritos sem corpo como a sinopse refere, pertencem a outro género cinematográfico onde este filme definitivamente não se insere. Passado numa escola americana do segundo ciclo entre jovens púberes que convivem entre si com a naturalidade e a esperança inerentes à idade, exceto para Rhiannon, (Angourie Rice, Australiana de 17 anos) que se sente ligada à tal alma nómada designada por “A”, que todos os dias ocupa um corpo diferente do qual expulsa por esse período o seu legítimo proprietário.
Depois de feitas as apresentações, (diariamente Rhiannon tem de encontrar e reconhecer “A” num novo corpo com um novo e diferente rosto) lá seguem as duas… ou “A” e ela… para o desfrute do resto do dia perfeito em sintonia de desejos, gentilezas, quereres e pensamentos coincidentes sobre a existência, sobre o futuro e sobre a vida até às 23h:59min (qual Cinderela dos tempos modernos) para no dia seguinte voltarem à mesma saga repetida naquele dia.
Embora “A” seja sempre o mesmo espírito, todos os dias o assunto em discussão vai divergindo para os diferentes aspetos afetivos, sociais e em relação aos outros, que uma relação como aquela pode propiciar, abordando-se assim diferentes vertentes do crescimento, da maturação do carater dos diferentes jovens postos em presença, premissa esta que pode resultar bem em romance (não duvido do sucesso do New York Times) mas que em filme carece da componente descritiva que o formato não comporta, tornando-se portanto repetitivo, déjà vu, expectante sobre o resultado e com pouco interesse como espetáculo, embora se possa aproveitar como válida a conclusão final veiculada na história.
Michael Sucsy, realizador americano nascido em 1973, já assinou um trabalho do tipo drama, romance, “Prometo Amar-te” de 2012 de pendor algo romântico e outros trabalhos de género diferente como assistente de realização e argumentista, tendo mesmo ganhado um Emmy como argumentista. Ao dedicar-se a esta tarefa, presumo que deve ter avaliado a qualidade do romance que a suporta, mas que todavia em linguagem cinematográfica não funciona como o blockbuster equivalente ao best-seller a que chegou o livro.

Classificação: 4 numa escala de 10

8 de junho de 2018

Opinião - "A extraordinária viagem do Faquir" de Ken Scott


Sinopse:
Um jovem indiano cumpre finalmente o seu desejo de visitar a cidade de Paris, onde conhece a bela Marie. Contudo, a sua suposta simples viagem torna-se numa aventura que o vai levar aos quatro cantos do Mundo, começando no momento em que fica preso num armário do IKEA.

Opinião por Inês Carrasqueira:
Gostavas de conhecer um pouca da Índia sem te levantares do sofá? E que tal conheceres as cores e sons não só indianos mas também franceses, no espaço de uma hora e meia? 
Agora já é possível, através do filme “A extraordinária viagem do Faquir”, realizado por Ken Scott. Ou, para quem prefere primeiro as palavras às imagens, podem também ler “A extraordinária viagem do Faquir que ficou preso num armário do IKEA”, escriro por Romain Puértolas, inspiração para este filme. O adjetivo extraordinário é aplicado ao nome do filme/livro, mas também a toda a história em si e mesmo à interpretação da personagem principal, Aja, interpretado por Dhanush, cara conhecida de muitos filmes indianos. 
Este filme conta a história de Aja, um jovem sonhador de Mumbai, Índia, que finalmente consegue fazer a sua tão desejada viagem a Paris. Contudo, chegado à cidade do amor, Aja fica preso num armário do IKEA e depara-se com uma aventura incrível que o vai levar aos quatro cantos do Mundo. Cada nova aventura ensina-lhe (e a nós também) uma nova lição e demonstra o valor das pessoas e dos sentimentos em detrimento dos bens materiais. 
Aja refere que Paris é a cidade onde o amor é mais forte e não apenas pelos seus monumentos, jardins, histórias ou romance mas sim devido a um campo eletromagnético na zona, cientificamente provado. Assim sendo, passa toda a sua aventura a querer regressar a Paris, onde conheceu a bela Marie, para provar que a sua teoria está correta. Será que consegue? Vejam e descubram! 
Eu, pessoalmente, adorei o filme por todas as boas vibrações que o mesmo me transmitiu. Não apenas pelas mensagens ou lições que estão nas entrelinhas mas também todas as imagens, sons e cores. Está tudo tão bem retratado que quase parece que sentimos os cheiros das especiarias ou das baguettes, o toque das sedas, o sabor do vinho francês, o rubor das feiras indianas. Claro que eu sou suspeita, não fosse a Índia um dos meus destinos de sonho e Paris uma das cidades que mais vezes visitei. 
“A extraordinária viagem do Faquir” é daqueles filmes que nos põe o pé a bater no chão e o sorriso na cara a maior parte do tempo. É daqueles filmes para ver e rever sem fartar. 


Classificação: 7.5 numa escala de 10