13 de outubro de 2018

ALADDIN



ALADDIN é a história entusiasmante do ladrão charmoso, Aladdin, da corajosa e determinada princesa Jasmine e do Génio, que poderá ser a chave para o futuro deles. Realizado por Guy Ritchie, que traz o seu toque único de ritmo e ação à cidade portuária ficcional de Agrabah, o argumento é de John August e Ritchie, baseado em “Aladdin” da Disney.
ALADDIN é protagonizado por Will Smith como o carismático Génio; Mena Massoud no papel do malandro charmoso, Aladdin; Naomi Scott como Jasmine, a linda e determinada princesa;  Marwan Kenzari enquanto Jafar, o poderoso feiticeiro; Navid Negahban no papel do Sultão, preocupado com o futuro da sua filha; Nasim Pedrad enquanto Dalia, a melhor amiga da Princesa Jasmine, confiante e de espírito-livre; Billy Magnussen como o bonito e arrogante Príncipe pretendente Anders; e Numan Acar no papel de Hakim, o braço direito de Jafar e capitão da guarda do palácio. O filme é produzido por Dan Lin e Jonathan Eirich com Marc Platt e Kevin De La Noy como produtores executivos. Alan Menken é o responsável pela banda-sonora, que inclui novos temas das canções originais de Menken, com letra de Howard Ashman e Tim Rice, e duas novas canções escritas por Menken e pelos compositores Benj Pasek e Justin Paul. A equipa criativa que ajudou a trazer Agrabah à vida, essencialmente filmada em Londres e nos espantosos desertos de Jordan, é composta pelo director de fotografia, Alan Stewart, pela designer de produção, Gemma Jackson e o designer de Guarda-Roupa, Michael Wilkinson.

Opinião – “A Mulher” de Björn Runge


Sinopse

Uma mulher questiona as suas escolhas de vida enquanto viaja com o marido para Estocolmo onde ele irá receber o Prémio Nobel de Literatura.

Opinião por Artur Neves

“The Wife” no original, conta uma história de vida contida e sofredora, auto infligida por Joan Castleman (Glenn Close) através de uma série de razões que este filme nos mostrará, baseado na novela com o mesmo nome de Meg Wolitzer, justificado por um amor imenso de Joan por Joe Castleman (Jonathan Price) seu professor de escrita e posteriormente seu marido, na altura em que este foi nomeado para a atribuição do reconhecimento de uma vida de trabalho como escritor, com o prémio Nobel.
Tanto Glenn Close como Jonathan Price estão excelentes no desempenho dos seus personagens, construindo duas figuras consistentes e credíveis, cheias de vícios e de virtudes humanas, das quais o realizador, Sueco, nascido em 1961, nos mostra a sua construção e o seu passado comum que tem como consequência aquela ligação, quase perfeita e harmónica entre dois seres, aparentemente cúmplices e conjugados no sentido da sociedade, da vida de trabalho literário e da família que constituíram e cuidaram.
Nathaniel Bone (Christian Slater) é o putativo candidato a biógrafo do laureado, que este rejeita com veemência, considerando as suas características intrusivas na vida dele e de descodificação de todo um passado e de uma vida que Joe Castleman pretende manter tal como a sociedade a vê. Nathaniel é o cínico que através do elogio e do reconhecimento expresso, pretende levantar o “tapete” e expor o “lixo” que lá foi escondido numa manobra literária de revelação que o promova e lhe confira o destaque desejado que persegue. Só que para além dessa faceta Nathaniel quer expor uma verdade escondida, enterrada nas almas de Joan e de Joe e descoberta por ele através da leitura das obras mais galardoadas.
Ao fim de tantos anos de convivência comum, Joan ainda sente amor pelo marido de uma forma contida a que ela chama de tímida, reservada, cuidadora como fora sempre o seu papel naquela ligação mas agora, após a nomeação, sente-se cansada e pergunta-se o porquê de tudo aquilo. Ajudou-o toda uma vida, cuidou da manutenção de todos e aquele prémio vem questionar-lhe o porquê desta distinção, onde ela de modo diferente (de acordo com a consciência pública) teve uma parte relevante que executou no silêncio e no anonimato dos dias e anos de coabitação. O seu filho David Castleman (Max Irons) em choque frontal com o pai, advoga instintivamente a defesa da mãe, que generosamente o compreende sem lhe manifestar apoio excessivo.
Porém tudo tem limites e no dia do prémio, na noite do jantar de comemoração com os laureados, Joan sucumbe ao seu recalcamento, ao seu silêncio sofrido, ao seu amor/ódio pelo marido, ao seu desgosto por si própria, à sua conformação por um estado de coisas á muito insustentável mas que ela teimava em alimentar e manter, assumindo-se também como culpada daquele gigantesco infortúnio, só que… agora é tarde… muito tarde mesmo!…
Um drama familiar, muito bem contado e interpretado, recomendo.

Classificação: 8 numa escala de 10

12 de outubro de 2018

É já amanhã!!! REVENGE OF THE 90S - JOGOS NOVENTEIROS S/ FRONTEIRAS



É já amanhã que a 1ª Grande Tour Nacional Revenge of the 90s passa por Lisboa!!!

Açores, Aveiro, Beja, Coimbra, Évora, Guimarães, Lisboa, Madeira, Portimão, Porto, Torres Vedras e Viseu foram as localidades seleccionadas para receber a primeira Tour Nacional do Revenge of The 90s

A viagem tem sido incrível. Depois de esgotar a FIL com o Delirio em Las Revengas, com mais de 12 mil pessoas a fazer a festa com Vengaboys e Lou Bega, depois da receção apoteótica nos Santos Noventeiros, no Campo Pequeno, para mais de 20 mil pessoas e depois da consagração no Rock in Rio com Haddaway ou Crazy Town, chegou a hora de levar a cultura 90s aos 4 cantos do país e ilhas com a 1ª Grande Tour Nacional do Revenge of The 90s.

Açores, Aveiro, Beja, Coimbra, Évora, Guimarães, Lisboa, Madeira, Portimão, Porto, Torres Vedras e Viseu são os primeiros sortudos que poderão ter uma experiência Revenge of The 90s macro, com alguns dos maiores artistas nacionais e internacionais dos anos 90. A saber, à vez, por estas datas, passarão alguns destes nomes: Los Del Rio, Netinho, Alice Deejay, Rednex, Daisy Dee dos Techtronic, Melão, Non Stop, Toy, Saúl, Batatinha & Companhia e Anjos.

Esta primeira Tour terá amanhã, dia 13 de Outubro, em Lisboa, como habitualmente em local a anunciar. Com o tema "Jogos Olímpicos Sem Fronteiras" esta mega festa marcará o arranque desta aventura que irá prolongar-se para o ano de 2019 percorrendo pela primeira vez algumas cidades de Portugal Continental e em estreia os arquipélagos da Madeira e dos Açores.

11 de outubro de 2018

Opinião – “Sete Estranhos no El Royale” de Drew Goddard


Sinopse

Sete estranhos, cada um com um segredo por enterrar, encontram-se no El Royale de Lake Tahoe, um hotel decadente com um passado sombrio. Durante uma noite fatídica, todos terão uma última oportunidade de se redimir... antes que tudo corra mal. Jeff Bridges, Chris Hemsworth, Jon Hamm, Dakota Johnson e Cynthia Erivo fazem parte deste elenco de estrelas em “Sete Estranhos no El Royale”.

Opinião por Artur Neves

Muito se tem escrito como sendo o modo correto de contar uma história, mas realmente o mais importante é todos os elementos constarem da narrativa, numa ordem que pode não ser sequencial e até, serem apresentados mesmo depois do aparecimento dos eventos a que se reportam e que os justificam. É o caso desta história, bem simples por sinal, mas decorrente do modo como nos é apresentada, mantém o espetador de surpresa em surpresa a observar o desenrolar dos acontecimentos, aparentemente sem relação entre si. Parabéns ao editor que tem aqui um excelente trabalho de montagem que consegue fixar a atenção do espetador em todos os movimentos por mais inesperados que sejam.
Escrito e realizado por Drew Goddard, nascido em 1975 em Los Alamos, Novo México, onde cresceu e estudou, este homem tem no seu curriculum obras como “Sete Palmos de Terra”, série de muita qualidade, “Perdidos”, série, “10 Cloverfield Lane” de 2016, e outros, com propensão para um estilo de tensão, enredo e suspense semelhantes ao que se encontra no presente filme, que embora podendo classificar-se como thriller não descarta uma componente fantástica a um nível aceitável, que se reconhece e nos convence.
No início, entre eles, não se conhecem nem estabelecem qualquer relação para lá da convivência cerimoniosa. São apenas diferentes pessoas que no mesmo tempo procuram alojamento no mesmo hotel. Todavia, neste primeiro contacto, o hotel começa a assumir-se também como uma personagem, tal é a sua organização arquitectónica, a solidão reinante e o mistério que transmite, bem como o facto de estar aberto mas sem ninguém disponível no balcão central, nem em qualquer das outras utilidades que se vão descobrindo em redor do Lobby.
Pelas conversas que entabulam começa a perceber-se os diferentes objectivos de cada um, bem como, as sua personalidades individuais, as suas fraquezas e desejos, muito embora durante quase metade do filme não saibamos com clareza ao que vêm. Porém, as informações fornecidas em flashback, vão começando a compor a história na nossa memória e lentamente tudo começa a fazer sentido, concluindo-se ser uma história de crime e de perdão, de convicções frustradas, de raiva, de submissão, de fuga também e de redenção para crimes do passado que se querem esquecer sem sucesso.
Os maiores culpados são os que se assumem como anjos salvadores na demanda por uma salvação utópica e castradora e tudo se revela coerentemente numa pequena história, passada num hotel pintado com cores quentes, num dia ensolarado e numa noite de chuva que se vê com agrado, sem pontas soltas, culmina com um epílogo de esperança num amor futuro. Constitui um agradável espectáculo de cinema mistério que recomendo sem reservas.

Classificação: 7 numa escala de 10

9 de outubro de 2018

Opinião – “Do Jeito que Elas Querem” de Bill Holderman


Sinopse

Nos arredores da Califórnia, quatro amigas de longa data na casa dos 60 anos decidem ler, no seu clube do livro mensal, o polémico romance "As Cinquenta Sombras de Grey". Assim se inicia uma mudança que vai abalar as suas vidas por completo…

Opinião por Artur Neves

Nunca percebi completamente o motivo da mudança de nome dos filmes estrangeiros que vemos em Portugal. Com um nome, pretende-se sintetizar no menor número de palavras possível, o tema ou o assunto abordado no filme, que no original este tem: “Book Club”, “Clube de Leitura” que centrava as reuniões periódicas que elas tinham e as conversas desenvolvidas em torno do romance escolhido e que no caso as dinamizou para a procura de sexo numa idade pós-menopausa, onde convencionalmente se acha que esses impulsos estão aplacados.
É verdade que no tal “Clube de Leitura” nunca se viu ler-se qualquer livro, mas é igualmente verdade que o modo como cada uma procurou sexo foi condicionado pelas suas experiências anteriores, como aliás é normal, pelo que; “Do Jeito que Elas Querem” recentra a ação para as iniciativas individuais, obviamente diferentes entre si, para a obtenção de um desiderato comum, planeado e desenvolvido no tal “Clube de Leitura” que as juntou e continuou a juntar para apreciação e reflexão sobre os resultados obtidos.
Enfim, aceitando a mudança de nome, o que temos aqui é uma comédia de costumes, na linha mais tradicional da comédia americana, com quatro atrizes de peso com provas dadas, secundadas por outros tantos atores, seus pares, igualmente bem qualificados.
A nota mais importante desta história, da qual se adivinha tudo pelo andamento da ação, é não ter caído na ridicularização fácil dos mais velhos pelos motivos e modos da busca de sexo pelas quatro amigas, mas conferindo-lhes normalidade e dignidade de forma a podermos rir com elas dos insucessos e não rirmo-nos delas, transferindo para as filhas de Diane, (Diane Keaton) duas jovens, o odioso do convencionalismo da censura de costumes.
O humor desta história é conseguido pela falta de jeito que elas apresentam nas tentativas de conquista do homem desejado, em comparação com a prática atual realizada por adolescentes. Elas não sabem como se pintar, como se vestir, como se tornar atraentes e mostrar a disponibilidade que possuem nesta fase da vida, para cativar os seus preferidos. Por outro lado é um filme que não apresenta qualquer cena de sexo, ou sequer erótica, apesar do seu desejo estar sempre presente atravessando liminarmente as quatro amigas.
É um filme otimista sem reservas, em que os cenários são claros, vistosos, bem decorados e com cores vivas utilizando músicas bem conhecidas. Este facto porém, confere alguns laivos de spot publicitário a alguns trechos da ação, que são compensados pela homenagem à “sexsalescência”, a capacidade sexual em faixas etárias mais avançadas onde é “normal” encontrar-se a amargura do envelhecimento e o medo da morte.
Sem surpresas, quase como por milagre, todos os problemas amorosos das quatro amigas são resolvidos com sucesso, neste filme ligeiro, sem complicações profundas, que dá para sorrir, ver e esquecer a breve prazo.

Classificação: 5 numa escala de 10

5 de outubro de 2018

Opinião – “Pássaros Amarelos” de Alexandre Moors


Sinopse

No explosivo cenário da guerra do Iraque, os jovens soldados Brandon Bartle (Alden Ehrenreich) e Daniel Murphy (Tye Sheridan) forjam laços de profunda amizade. Quando a tragédia atinge o pelotão, um dos soldados tem de regressar a casa para enfrentar a dura verdade por trás do incidente e para ajudar uma mãe enlutada (Jennifer Aniston) a encontrar paz. Com uma envolvente combinação de filme de guerra com drama comovente, Pássaros Amarelos é um filme inesquecível cuja força perdura muito depois do último fotograma.

Opinião por Artur Neves

“Pássaros Amarelos”, contém mais uma história de guerra, desta vez passada no Iraque durante o maior embuste político dos Estados Unidos na busca de armas de destruição maciça, na morte de um ditador e num mergulho sem fim nas guerras tribais e religiosas que afundaram o Médio Oriente no caos e na desordem de que ainda hoje continuamos a sofrer os seus efeitos, embora este filme não aborde esta vertente dos factos.
Centra-se na história de vida dos soldados que são investidos na honrosa função de defesa da Pátria, corporizando os eventos em dois rapazes, um de 18 anos e outro de 20, que sofrem cada um à sua maneira a realidade que lhes é oferecida num meio hostil e perigoso que lhes é estranho. Murphy, o mais novo, de temperamento reservado e introespetivo sofre no silêncio dos seus pensamentos, toda a miséria que vê e sente, no meio ambiente que o cerca. Brandon, o seu amigo e fiel “anjo da guarda” sente os mesmos eventos de modo diferente embora os sofra a outra distância do que se passa com Murphy e como tal, aparentemente seja mais robusto do que ele.
Todavia, só em presença dos reais problemas é que poderemos avaliar a nossa resistência aos mesmos e nessa situação Murphy colapsa, mesmo com a protecção do amigo.
O que se segue é a descida aos infernos do regresso a casa. Muitas vezes o sofrimento é tal e a dor do regresso tão intensa, que os mais fortes perdem o sentido dos seus atos e a sorte do regresso, inteiros e com saúde física, torna-se uma doença insuperável. Afinal talvez todos regressem “mortos” sem o saberem e percorrer os locais conhecidos da infância, não passe da deambulação de fantasmas em transição para o outro mundo.
Baseado no romance de Kevin Powers, “Pássaros Amarelos” é um relato subjectivo da guerra ficcionando na primeira pessoa as experiências do próprio autor neste conflito contemporâneo que nos mostra mais uma vez a inutilidade da guerra, como meio de atingir os objectivos esperados pelos seus estrategas. É antes um caminho para a perda da inocência com todos os “condimentos” já experienciados pelos seus pais e avós, no Afeganistão, Vietname ou Coreia.
A realização está bem conseguida apresentando-nos a história em flashback, mostrando uma boa caracterização dos seus intervenientes embora com alguma falta de espessura em certas situações decorrente da limitação temporal da obra em cinema. O cenário é convincente e os locais da guerra no deserto estão bem concebidos. Constitui um espectáculo emotivo e um trabalho sério, muito embora se alheie do contexto que deu origem. Vê-se com agrado.

Classificação: 6 numa escala de 10

2 de outubro de 2018

Opinião – “Venom” de Ruben Fleischer


Sinopse

Um dos personagens mais enigmáticos, complexos e intimidadores da Marvel chega ao cinema protagonizado pelo ator nomeado ao Oscar® Tom Hardy, como Venom, o protetor letal.

Opinião por Artur Neves

Sob a classificação de: acção / terror / ficção-científica a Sony Pictures Entertainment prepara-se para nos apresentar um novo personagem autónomo da Marvel, de características muito particulares de que o primeiro filme estreado entre nós nos mostra as origens.
Inicialmente começou como sendo um poderoso antagonista do Homem-Aranha, tendo feito a sua aparição em “Homem-Aranha 3” de 2007 com o pretexto de revitalizar a sequela. A partir daqui a Sony sempre apoiou vários projectos sobre este personagem mas que só agora vieram a concretizar-se em associação com a Marvel, segundo um argumento escrito em Fevereiro de 2015 por; Scott Rosenberg e Jeff Pinkner, com datas de estreia previstas para 4 e 5 de Outubro 2018, em Portugal e nos USA respectivamente.
A história assenta no trabalho de investigação jornalística de Eddie Brock (Tom Hardy, cuja escolha para o papel foi como “um amor à primeira vista”) sobre o misterioso trabalho de um cientista suspeito de utilizar cobaias humanas em experiencias proibidas. Durante a investigação ele entra em contacto com um ser alienígena utilizado nas experiencias, donde resulta a simbiose com a espécie humana e Eddie torna-se Venom, com poderes físicos extraordinários que nem ele sabe como conter ou controlar.
Sem ser, nem pretender ser, um filme cómico algumas cenas iniciais antes da transformação de Eddie em Venom conseguem provocar alguns sorrisos, mas depressa se entra na parte “séria” da ficção científica em que se concretiza a simbiose de Venom que se apresenta como o ser terrífico capaz das maiores atrocidades mas com uma personalidade mista de “Mr. Hyde and Dr. Jekyll” que lhe confere características de justiceiro e carniceiro em situações alternativas mais sombrias da história.
Num filme desta estirpe são fundamentais os efeitos especiais de acção como de caracterização, apresentando-se estes últimos como soberbos nas múltiplas transformações de Eddie em Venom e vice-versa. Para a acção, sempre muito movimentada e em diferentes ambientes a utilização dos efeitos computorizados é competente e credível não havendo nesta área qualquer evento que defraude o espetador.
Tom Hardy, ator nomeado para 1 Oscar e muitas outras nomeações por todos os festivais mundiais foi uma excelente escolha para este papel, pela sua entrega, dedicação e capacidade de interpretação de um personagem que dá a gora os primeiros passos numa saga que se prevê longa considerando os super-heróis e anti-heróis já conhecidos. Tornou-se notado como estrela de primeira grandeza em “Locke”, 2013, tendo sido nomeado como melhor ator no British Independent Film a partir do qual não mais foi esquecido pelo grande público. Tem agora a oportunidade de criação de um personagem que se lhe “cola à pele”, num filme interessante, sem uma história inédita reconheça-se, mas com largos motivos de interesse e de espectáculo durante os 112 minutos de duração. Recomendo.

Classificação: 7 numa escala de 10

23 de setembro de 2018

SEGUNDO ATO" || com JENNIFER LOPEZ

ESTREIA A 29 NOVEMBRO NO CINEMA



Segundo Ato" é uma comédia romântica ao estilo de “Uma Mulher de Sucesso” e “Encontro em Manhattan”.  Jennifer Lopez é Maya, uma mulher nos seus 40 anos, que luta com as frustrações inerentes aos seus sonhos não realizados. Mas isso apenas até se deparar com uma oportunidade de provar a Madison Avenue que a sabedoria ‘das ruas’ é tão válida como a de quem tem um curso superior, e que nunca é tarde demais para um Segundo Ato... 

22 de setembro de 2018

Opinião – “Agora Estamos Sozinhos” de Reed Morano


Sinopse

Del (Peter Dinklage) está sozinho no mundo. Depois da raça humana ter sido destruída, ele vive numa pequena e vazia cidade, satisfeito, na sua solidão, e com a utopia que metodicamente criou para si mesmo.
Assim é até que Del é descoberto por Grace (Elle Fanning), uma estranha com motivos e um passado obscuro. E o pior de tudo é que ela não se quer ir embora.

Opinião por Artur Neves

Num futuro pós-apocalíptico um homem, Del (Peter Dinklage da Guerra dos Tronos) sobrevive a uma epidemia que mata os seres humanos mas deixa intactas a cidade e todas a utilidades urbanas embora sem energia eléctrica. Não sabemos e também nunca nos é explicado de que epidemia se tratou, porque o que interessa é seguir a vida solitária de um homem que agora se sente útil e ativo na sua função de bibliotecário, continuando a sua tarefa de guardar, catalogar e arrumar os livros que estavam à sua guarda.
Tal como ele a certa altura declara; sentia-se só e descriminado no meio dos 1600 habitantes da cidade, quando eles estavam vivos, por ele ser o único anão. Agora tudo mudou e ele é o único habitante produtivo, não interessando a sua estatura física e tendo estabelecido rotinas de manutenção e boas práticas de vida na cidade deserta.
As coisas mudam contra sua vontade quando encontra Grace (Elle Faning) que ele socorre quando a encontra ferida, na sequência da fuga a uma realidade pretensamente perfeita, noutra cidade, porque afinal nem todos os humanos foram dizimados.
Só que cada pessoa interpreta uma mesma realidade à sua maneira e de acordo com as suas premissas e experiencias pessoas pondo em causa o que para outros significa ordem e organização, sendo nesta problemática que o filme desenvolve esta história de vida impar e surreal. A solidão nem sempre é uma ideia negativa e uma companhia só é interessante e útil quando ambos afinam pelas mesmas ideias, ou quando as ideias do outro vêm complementar os nossos objectivos e dar resposta a dúvidas recalcadas no nosso espírito.
Reed Morano, realizadora americana, nascida no Nebraska em 1977 que apresenta um drama em 2015 “Meadowland” não estreado por cá, bem como várias séries para TV das quais se destaca: “A História de uma Serva” em 2017, com boas referências internacionais, apresenta-nos agora esta história escrita por Mike Makowsky, argumentista premiado no Tribeca Film Festival com “Take Me” (2017), um thriller de comédia.
No caso presente temos um projecto arrojado que combina, sentimentos pessoais, solidão e ficção científica, num equívoco que servia de compensação para uma frustração. O desenvolvimento do filme é escorreito e a entrada de outros personagens esclarecidos quanto à situação em que o mundo se encontra só vem dar significado à constatação que “mais vale só que mal acompanhado”, que no fundo é outra maneira mais abrangente de ler o nome do filme. Vê-se sem cansaço, muito embora por vezes nos perguntemos como aquilo acabará. Termina, deixando algumas perguntas sem resposta.

Classificação: 6 numa escala de 10

20 de setembro de 2018

Opinião – “O Mistério da Casa do Relógio” de Eli Roth


Sinopse

Na tradição dos clássicos da Amblin, onde acontecem coisas fantásticas nos lugares mais inesperados, Jack Black e a vencedora de dois Óscares® Cate Blanchett protagonizam O Mistério da Casa do Relógio, da Amblin Entertainment. Esta aventura mágica conta a história de Lewis (Owen Vaccaro), de dez anos de idade, que vai morar com o tio numa casa antiga, cheia de rangidos, onde ecoa o misterioso pulsar de um tiquetaque. Mas a fachada sonolenta da nova cidade estremece com um mundo secreto de magos e bruxas quando Lewis acorda acidentalmente os mortos.
Inspirado no popular clássico infantil escrito por John Bellairs e ilustrado por Edward Gorey, O Mistério da Casa do Relógio é realizado pelo mestre dos sustos Eli Roth e escrito por Eric Kripke (criador da série de TV Supernatural). O elenco conta ainda com Kyle MacLachlan, Colleen Camp, Renée Elise Goldsberry, Vanessa Anne Williams e Sunny Suljic.

Opinião por Artur Neves

Enquanto Kate Rowling não dá o dito, por não dito, embora tendo já em 2007 “entreaberto a porta” para o novo ato, de escrever “um oitavo, nono ou décimo livro de Harry Potter” declarando esta notícia pela negativa para criar mais suspense, eis que a Amblin de Steven Spielberg preenche o vazio deixado por ela com esta história de fantasia, magia e mistério entregando a empreitada nas boas mãos de Eli Roth que já nos apresentou boas realizações na área do terror, tais como; “A Cabana do Medo” em 2002, “Hostel” em 2005 e séries para a TV não estreadas em Portugal.
Embora neste filme o tema da história seja a magia e a feitiçaria no enquadramento ingénuo da imaginação infantil, sente-se o pendor da “mão” do realizador, nos ambientes pesados e mal iluminados para manterem a surpresa, na cores empastadas, nos rostos dos bonecos criados, na ação que se desenvolve nas costas de alguns personagens, emprestando ao filme uma certa gravidade mística para lá do que um filme de família normalmente oferece.
O tio de Lewis é o mágico de serviço, com poucos recursos de magia, pois os ruídos que saem das paredes também o perturbam, o tic-tac incessante dos múltiplos relógios que pululam na casa, os movimentos autónomos de alguns móveis, e a “bruxa”, que no final vem a ser tia de Lewis, bem como outros desenvolvimentos que não vou revelar para não tirar o interesse, emprestam ao filme esse condimento mais sério que o transforma numa obra adequada para todas as idades desde que não se tenha perdido a capacidade de sonhar.
A história complica-se quando por engano, Lewis acorda os anteriores donos da casa já falecidos e daqui para a frente a qualidade dos efeitos especiais toma conta da história, pois a ameaça que se perfila pela ação de uma casal que pratica magia negra, é nem mais nem menos, do que o fim do mundo que Lewis, o tio e a putativa “tia”, têm de evitar num rodopio de eventos, uns mais mágicos do que outros mas todas bem desempenhados e que prendem o espetador até ao desfecho final, que embora se adivinhe, ficamos com vontade de saber como foi. Interessante e um bom motivo para levar toda a família ao cinema.

Classificação: 7 numa escala de 10

19 de setembro de 2018

Opinião – “McQueen” de Ian Bonhôte e Peter Ettedgui


Sinopse

MCQUEEN é uma visão pessoal da extraordinária vida, carreira e arte de Alexander McQueen.
Através de entrevistas exclusivas com os amigos e familiares do designer, de arquivos recuperados, imagens e música de extrema beleza, MCQUEEN é uma celebração autêntica e um emocionante retrato de um visionário inspirado, e torturado, do mundo da moda.
O documentário foi realizado por Ian Bonhôte e escrito e corealizado por Peter Ettedgui.

Opinião por Artur Neves

Se tivéssemos dúvidas quanto à origem e objectivos que compõem um desfile de moda de alta-costura, este documentário da vida e obra de Lee Alexander McQueen dissipa-as e ilustra os fundamentos da criatividade humana, nem sempre inspirada nos motivos mais prosaicos que a mente humana pode conceber.
Esta é uma obra autobiográfica de um estilista de sucesso, executada com base em testemunhos, fotografias e filmes, feitos pelo próprio e por pessoas do seu círculo restrito que o amaram, idolatraram e odiaram, pela sua impulsividade, determinismo e perseguição de um objectivo, cuja pulsão nem ele mesmo soube de onde vinha, mas que se afirmava sobre a sua extrovertida personalidade subjugando todos na concretização das suas visões.
De origem modesta e desde muito cedo com tendência para actividades de costura e fabricação de roupas, este filme traça o seu percurso através da edição de documentos reais que embora desconexos e intercalados no seu tempo de vida, relativamente curto, morreu a 11 de fevereiro de 2010 com 40 anos, imprimiu na moda um cunho pessoal impregnado das suas frustrações, medos e preferências (ele criava falcões, razão pela qual os fatos que criou continham penas, nas mais variadas aplicações que se destacavam em todos os desfiles) de uma vida sofrida entre um pai que não o compreendia e detestava a sua assumida homossexualidade e uma mãe afectuosa e protectora, cujo insustentável sofrimento pela sua perda contribuiu decisivamente para o seu suicídio no dia do funeral da sua mãe.
É toda esta vida trágica que o documentário nos transmite, com base em relatos dos seus companheiros, colegas de trabalho e modelos, sujeitos à vontade dos seus delírios criativos tornando um desfile de moda num espectáculo de criatividade que o aproximava de uma feira de horrores, tal era a impregnação dos seus defeitos e da “escuridão” depressiva e suja em que navegava diariamente o seu espírito, transmitindo a todas as obras que criava com os mais variados materiais, uma exceção de expressão visual, apenas usados para vestir durante aquele desfile específico.
Apesar de ser um documentário, as revelações nele contidas são ousadas e apresentadas de modo interessante e motivador que nos prende a atenção e estimula emoções sobre aquele ser tão controverso e único. Com música de Michael Nyman que McQueen ouvia compulsivamente, este filme vê-se com agrado e por motivos culturais, sobre um génio da nossa época.

Classificação: 8 numa escala de 10

17 de setembro de 2018

O REGRESSO DE MARY POPPINS


Lisboa, 17 de setembro de 2018 - Um novo trailer e imagens do filme O REGRESSO DE MARY POPPINS, da Disney, acabam de ser partilhados. Será um primeiro olhar às novas aventuras em Cherry Tree Lane, com a ama praticamente perfeita.


O filme estreia nos cinemas portugueses, na versão original legendada e dobrada, a
20 de dezembro!

Em O REGRESSO DE MARY POPPINS, da Disney, uma sequela musical nova e original, Mary Poppins regressa para ajudar a nova geração da família Banks a descobrir a alegria e encanto perdidos, devido a uma trágica perda pessoal.
Emily Blunt protagoniza a ama quase perfeita com habilidades mágicas, que pode tornar qualquer tarefa numa aventura fantástica e inesquecível, e Lin-Manuel Miranda como o seu amigo Jack, um iluminador de candeeiros de rua, que ajuda a trazer luz – e vida – às ruas de Londres.
É realizado por Rob Marshall, a partir de um argumento de David Magee e história de Magee & Marshall & John DeLuca, com base em The Mary Poppins Stories de PL Travers.
O filme conta também com Ben Whishaw como Michael Banks, Emily Mortimer como Jane Banks e Julie Walters como Ellen, a governanta da família Banks.
O filme introduz ainda três novas crianças dos Banks intepretadas por Pixie Davies, Nathanael Saleh e Joel Dawson e apresenta Colin Firth como William Weatherall Wilkins e Meryl Streep como Topsy, a prima egocêntrica de Mary. Angela Lansbury aparece como a Senhora Balloon, uma personagem preciosa dos livros de PL Travers, e Dick Van Dyke é o Sr. Dawes Jr., o presidente aposentado do banco que agora é administrado pela personagem de Firth.

Opinião – “A Casa do Terror” de Pascal Laugier


Sinopse

Com a morte da tia, Colleen e as filhas herdam a sua casa. Na primeira noite que lá passam, assassinos entram em casa e Colleen tem de lutar pela sobrevivência das filhas.
Devido ao trauma dessa noite, as personalidades díspares das crianças acentuam-se. Beth (Crystal Reed), a mais velha, torna-se numa famosa autora de livros de terror com uma família perfeita em Los Angeles, enquanto Vera (Anastasia Phillips) não ultrapassa os efeitos da noite fatídica e enlouquece, cedendo a uma crescente paranóia.
Dezasseis anos depois da tragédia, mãe e filhas reúnem-se novamente na casa em que Colleen e Vera têm vivido. É então que estranhos acontecimentos começam a ocorrer.

Opinião por Artur Neves

A história que nos mostram desta vez assenta em “perspectivas subjectivas” de mentes, de tal forma traumatizadas que se recusam a encarar a realidade tal como ela se apresenta. Os eventos ocorridos durante a primeira visita à casa da tia, fundamentalmente relacionado com a extrema violência com que foram submetidas as duas irmãs, deixam marcas em função do entendimento profundo que cada uma teve do que efectivamente se passou.
Para Vera, o horror continua sem alteração, atingindo uma normalidade de loucura apavorante que a submete diariamente aos mais dolorosos sacrifícios. Para Beth, a sublimação do horror transforma-a numa escritora de romances de terror que alcança a notoriedade através das minuciosas descrições de maus tratos e de violentas sevícias a que ela na realidade é sujeita, tornando o terror em arte e assumindo-o como um gesto artístico.
O ambiente criado na casa herdada da tia Coleen é do mais exuberantemente barroco que se possa imaginar, colecções de bonecas excessivamente expressivas depositadas profusamente em todos os lugares, portas fechadas, armários que comunicam com cantos esconsos e sombrios que tanto podem servir como esconderijo, ou como prisão e a hedionda cave de arrumos, recheada dos mais diversos artefactos onde as irmãs são sujeitas ao terror déspota de uma mãe protectora de um filho demente e criminoso, que procura na violência e no horror a satisfação da sua sexualidade embotada e incapaz.
Desta prisão, só há duas maneiras de escapar, enlouquecer e defender-se da realidade com a inanição dos sentidos, vegetar somente, ou criar uma realidade esdruxula que preencha o imaginário e que permita ver a realidade real como algo que acontece num mundo paralelo. Todavia, Pascal Laugier não consegue transmitir-nos com clareza essa dicotomia, com o sucesso que ele deve ter imaginado ao conceber este filme, que tem passagens que nos lembra “O Massacre do Texas” de 2003, faltando somente a motosserra, pois a demência é semelhante num corpo disforme, na loucura sexual, violência e maldade gratuita quando não consegue alcançar os seus objetivos.
Do ponto de vista do terror gore na sua forma mais tradicional o filme é completo, mas nem sempre isso é o mais importante para nos emocionar e para nos confrontar com os nossos próprios medos, condimento essencial para sentirmos o “terror” que nos diverte, veja-se por exemplo; “Os Outros” de 2001, onde em todo o filme, no mais pacato dos ambientes familiares, só vemos fantasmas e só muito lentamente nos apercebemos disso.

Classificação: 5 numa escala de 10

13 de setembro de 2018

Opinião – “Operação Shock and Awe” de Rob Reiner


Sinopse

“Operação Shock and Awe” conta a história verídica de dois repórteres, Jonathan Landay (Woody Harrelson) e Warren Stroebel (James Marsden) e do seu chefe, John Walcott (Rob Reiner), que, com o apoio do correspondente de guerra Joe Galloway (Tommy Lee Jones), descobrem e revelam as situações de abuso de poder nas altas esferas do governo, que levaram à mais comprida e custosa guerra na história dos EUA.
No rescaldo do 11 de Setembro, o Presidente George W. Bush constrói uma justificação para a invasão do Iraque e para retirar Saddam Hussein do poder.
Enquanto a maioria dos jornalistas sediados em Washington acredita nas palavras do Presidente, Landay e Stroebel decidem investigar, seguindo pistas e fontes governamentais anónimas que demonstram que os argumentos do Presidente para declarar guerra se baseiam em mentiras e dados falsificados.
Contudo, os jornalistas descobrem rapidamente que expor a verdade e encontrar pessoas que a oiça são duas coisas diferentes, especialmente quando o tambor da guerra consegue abafar qualquer voz de dissensão.
Na tradição de “Os Homens do Presidente”, um filme de Rob Reiner com um elenco notável.

Opinião por Artur Neves

Se há condição de que não se possa acusar os USA é de não fazerem autocritica e denuncia, por vezes bem mordaz, dos eventos e decisões menos elogiosas dos seus governantes ou da sua política interna e/ou externa. Num país com uma indústria cinematográfica tão próspera é óbvio que esses assuntos são posteriormente utilizados como argumento de filmes em que no presente caso aborda a administração de George W. Bush e da fabricada justificação de presença de “armas de destruição maciça” para atacar o Iraque de Saddam Hussein e conduzir o planeta à conhecida turbulência que se vive no mundo árabe.
Na sequência do atentado de 11 de Setembro às torres gémeas a administração Bush procurou encontrar os culpados, do qual emergiu o nome de Osama bin Laden, todavia a sua captura foi temporariamente preterida pelo governo em substituição da ofensiva ao Iraque, justificada ao limite, negando as evidências que se foram descobrindo durante a preparação da guerra pelos mais altos representantes da administração em que o vice-presidente Dick Sheney e o secretário Donald Rumsfeld ocuparam os lugares centrais, mentindo deliberadamente.
É esta história que este filme conta, na pele de dois jornalistas de investigação que não se limitavam a obter notícias, mas também a confirmá-las. Os jornais de referencia, tais como; o New York Times e o Washington Post aderiram completamente às informações oficiais e publicaram as mentiras oficiais de que posteriormente se vieram retractar, por quebra de confiança grave para com os seus leitores.
O pendor informativo e documental deste filme provoca alguma saturação durante a aquisição de conhecimentos, que embora não sejam de todo novos, não contêm o factor de expectativa e surpresa de outras histórias ficcionais, menos qualificadas do que esta, mas mais adequadas às actividades lúdicas. Ver este filme é confrontarmo-nos com uma realidade que por vezes queremos omitir, apesar de nos ser servida todos os dias e durante muitas horas nos canais de informação consultados. É a verdade a que temos direito, embora fora de tempo e sem qualquer efeito prático em todo o mal que já foi feito.

Classificação: 6 numa escala de 10

11 de setembro de 2018

Opinião – “Pronta para Tudo” de Michèle Laroque


Sinopse

Ângela (Michèle Laroque) pensa que tem uma vida ideal. Vive em Nice, num belo apartamento, com um marido atraente e uma charmosa filha adolescente.
Contudo, na noite de Natal, a filha deixa-a para ir ter com o namorado, o marido anuncia que quer a separação e a sua melhor amiga toma soporíferos ao invés de passar a noite com Angela.
Face a tudo isto, Angela não tem outra escolha senão reinventar-se. Isso não é fácil, tendo em conta que tem de lidar com uma mãe tirana, uma melhor amiga histérica e um psiquiatra com métodos muito experimentais.

Opinião por Artur Neves

Ângela, segundo os padrões normais da Europa ocidental tem de facto uma vida ideal e completa do ponto de vista mundano convencional. Casada, com uma filha moderna e emancipada que em conjunto com o companheiro possuem uma banda, com uma boa casa em Nice e uma vida desafogada do ponto de vista financeiro não se pode queixar de instabilidade ou de receios quanto ao futuro. Aparentemente tudo corre bem na vida de Ângela.
O pior é sempre a realidade por detrás da aparência e Ângela é “tramada” pela realidade que ela não vê, não sente, na euforia dos seus dias. A realidade entra-lhe literalmente pela porta nas vésperas de Natal, através da revelação de divórcio do marido, da preferência da filha relativamente ao companheiro e da depressiva amiga Charline (Rossy de Palma, a atriz fetiche de Pedro Almodovar) que prefere ficar a dormir a acompanhá-la na noite de Natal.
É neste carrocel de emoções que Michèle Laroque, atriz principal e realizadora decide aceitar como bom este argumento menor, entre o drama e a tragicomédia, em que as situações estão mal caraterizadas e os personagens não aparentam a espessura que o drama impunha nem são tão ligeiras (exceto a protagonista) que criem situações que nos façam verdadeiramente rir. A situação é de facto complexa e para complicar ainda mais a mãe de Ângela, supercrítica da filha e da neta, sempre mal-humorada não se coíbe de a confrontar entre amigas e por fim, morre-lhe nos braços na sequência de sufocação por engasgamento num jantar a três num restaurante.
O psiquiatra tem um papel ridículo, apesar de nutrir por ela um amor secreto e de apresentar comportamentos que em nada dignificam a classe. No final de contas a única personagem razoável de que ela se socorre e que a apoia nos momentos mais críticos é de um vendedor de fruta numa banca de bairro, onde ela, prolongando a sanha de chique, procura elevar o nível da atividade utilizando as pratas do serviço como escaparate de fruta. Mas nada daquilo faz verdadeiramente sentido, o motivo é frouxo para comédia e o argumento tão depressa explora a real tristeza do vazio da sua vida, como faz dele motivo de chacota tentando fazer rir.
Salva-se a interpretação conformada e lutadora de Ângela (Michèle Laroque) que faz das fraquezas forças para seguir em frente no meio do desatino em que se transformou a sua “rica” vida, logo na véspera de Natal e depois de ter organizado a consoada. Sabe a pouco.

Classificação: 5 numa escala de 10

Opinião – “O Predador” de Shane Black


Sinopse

Dos confins do espaço às ruas das pequenas cidades dos subúrbios, a caça chega em pleno na explosiva reinvenção de Shane Black. Agora os caçadores mais letais do universo estão mais fortes, mais inteligentes e mortais que nunca, aperfeiçoados geneticamente com o DNA de outras espécies. Quando um rapaz acidentalmente desencadeia o seu regresso à terra, apenas uma tripulação disfuncional de ex-soldados e um professor de ciências descontente pode impedir o fim da raça humana.

Opinião por Artur Neves

Podemos considerar esta sequela como “O Predador 4” reportando-nos ao inicio da série como “Predador” de 1987, seguido de “Predador 2” em 1990 e “Predadores” em 2010, excluindo dois filmes que combinam predadores com aliens usando o franchising dos dois modelos existentes para criar um filme de acção. No conceito inicial, “Predador” corporiza uma entidade vinda do espaço exterior, chegando à terra por engano ou deficiência da máquina que o transporta, tendo de lutar pela sua sobrevivência num mundo que lhe é estranho e hostil. Apresenta espectaculares características de combate, mas apesar disso sucumbe no confronto com os terrestres que o combatem.
Nesta sequela, embora mantendo o seu poder destruidor, o primeiro Predador que chaga à terra vem avisar-nos do perigo que corremos com a chegada dos “Predadores maus muito maus” e deixar-nos uma arma (que cai nas mãos de uma criança que a toma como um jogo de computador de ultima geração) para ajudar a nossa defesa, pois com os nossos recursos no tempo presente ainda não somos suficientemente capazes para lutar de igual para igual com a superior tecnologia que eles possuem.
Para coordenar o combate ao alienígena constitui-se uma equipa militar de marados, cada um mais marado do que o outro, uma equipa de cientistas que não se compreende de que lado estão, se do lado da ciência ou do lado de ???... e uma investigadora em biologia que se sai melhor como lutadora de wrestling, do que como a pretendida bióloga especialista, convidada pelos cientistas para analisar o primeiro Predador capturado.
É assim que neste argumento bagunçado, complicado sem explicação e caótico que personagens sem expressão de combatentes, mas apenas lutadores entre si e por inerência, “carne para canhão” do Predador, vociferam altercações mútuas para nos fazer rir, enquanto combatem os Predadores e os seus animais de estimação, da mesma estirpe dos predadores dos quais nunca se saberá a sua origem, procedência ou género.
A história defende o conceito de família, fazendo o rapaz que possui o equipamento especial, filho do líder da equipa militar, que luta também para o proteger e à mãe de quem está separado. Nenhuma das personagens possui espessura suficiente para se tornar credível, nem toma decisões coerentes, andam todos envolvidos numa enérgica confusão de lutas com meios tecnologicamente sofisticados, numa corrida frenética para justificar acção e ocupar os muitos duplos contratados. No fim lamenta-se que a mística do “Predador” de 1987 tenha irremediavelmente sucumbido a um guião constituído por personagens estranhas e tolas, sem qualquer honra ou glória, e que nos deixa um sentimento de deceção. Salvam-se os efeitos especiais e para eles a classificação atribuída.

Classificação: 4 numa escala de 10

8 de setembro de 2018

Opinião – “Pesquisa Obsessiva” de Aneesh Chaganty


Sinopse

Depois da filha de 16 anos de David Kim desaparecer, é aberta uma investigação e atribuído um detective ao caso. Mas após 37 horas sem uma única pista, David decide procurar no único sítio em que ainda ninguém tinha procurado e onde actualmente estão todos os nossos segredos: no computador da sua filha. Num thriller inovador contado através dos dispositivos tecnológicos que diariamente usamos para comunicar, David segue as pegadas digitais da filha antes que ela desapareça para sempre.

Opinião por Artur Neves

Por várias vezes, o festival de Sundance e o Sundance Institute (promovido e fundado por Robert Redford no estado do Utah/U.S.A, com o intuito de ajudar cineastas e cinematografias independentes) tem surpreendido a comunidade cinéfila por histórias e realizações inovadoras, quer no aspeto temático como na forma como visualmente se apresentam. Este filme é um desses casos, incluído na selecção oficial do festival de 2018 e vencedor do premio de audiência, por constituir uma forma inédita de apresentação da história que nos quer contar.
Por outro lado, constitui uma excelente apresentação para os menos avisados, quanto ao potencial que têm em mãos, ao manipular um smartphone ou qualquer dispositivo de comunicação ligado à Internet com acções de partilha com outros dispositivos, bem como, a irrevogabilidade de tudo quanto publicamos e partilhamos nas redes sociais com a mais inocente disponibilidade de comunicar aos outros as nossas novidades.
A história é bem simples, uma família em que a mãe morre por doença, um pai ocupado com o seu trabalho e uma filha em idade escolar que subitamente desaparece durante uma semana sem qualquer motivo que o justifique, salvo, desastre, fuga deliberada ou rapto. Só que, para tentar superar a dor provocada por este evento inesperado o pai senta-se à secretária e vasculha em todos os lugares ao seu dispor; Facebook, Twiter, Instagrama, WatsUp, mensagens de comunicação telefónica, arquivos que a filha tinha no computador, ligações suspeitas pelos mais diversos indícios, “krakandopasswords, de encriptação de ficheiros e de contas pessoais, para entrar em contacto com pessoas e factos até então totalmente desconhecidos para ele, que preocupado com a sua atividade profissional tinha-se “esquecido” de conhecer a filha.
Claro que numa situação destas há intervenção policial e acções de campo, mas são-nos todas apresentadas em forma de notícia, ou de filme captado por câmaras de vigilância, integradas na rede de comunicação que envolve a sociedade tecnológica em que vivemos. Não se pense que isso atenua o drama e a dor da perda de David Kim (John Cho), implícitos na história do desaparecimento de Margot (Michelle La) pois estão todos lá, pela mão de Aneesh Chaganty, argumentista e realizador que de forma notável, nos apresenta este primeiro thriller de Hollywood dirigido por um ator asiático-americano.
O grande destaque desta realização é a sua execução visual, quase totalmente apresentada através da captação de imagens de computador e de smartphones que interligam os factos significativos da história de forma mutável, dinâmica e com os necessários twists que mantêm vivo o interesse do espetador e a surpresa até ao final. É uma nova linguagem em cinema, uma novidade, recomendo.

Classificação: 7,5 numa escala de 10