9 de maio de 2017

Opinião – “ALIEN: Covenant” de Ridley Scott


Sinopse

Ridley Scott regressa para o universo que criou, com Alien: Covenant, um novo capítulo do seu inovador franchise, Alien. A tripulação da nave Covenant, com destino a um planeta remoto do outro lado da galáxia, descobre o que acredita ser um paraíso desconhecido, mas é na realidade um estranho e perigoso mundo. Quando descobrem uma ameaça além da sua imaginação, eles tentam uma angustiante fuga.

Opinião por Artur Neves

Em primeiro lugar uma explicação cronológica desta saga com o objetivo de clarificar eventuais surpresas do espetador ao deparar-se com um argumento que aborda assuntos de cariz existencial na espécie humana, num filme soberbo, com realização impecável e extraordinária no capítulo dos efeitos especiais, visuais, acústicos (em Dolby Atmos) e de caracterização que envolveram mais de 400 técnicos, pela contagem geral que efetuei ao assistir aos créditos finais mencionados na ficha técnica.
Alien – “8º Passajeiro” de Ridley Scott em 1979, foi o primeiro filme. Seguiram-se três sequelas: “Aliens – O Recontro Final”, “Alien III – A Desforra” e “Alien – O Regresso”, em 1986, 1992 e 1997 respetivamente, que apenas continuaram o franchise do “bicharoco” criado no 1º filme, dos quais “O Recontro Final” não é mais do que um western “espacial” de gosto duvidoso. Nenhum destes filmes foi realizado por Ridley Scott.
Em 2012 Ridley Scott realiza “Prometheus” como seguimento do primeiro filme abordando a problemática da origem do homem, da sua pouco provável orfandade cósmica e lançando a pergunta dos “mil milhões”; de onde vimos e para onde vamos?... qual é a nossa verdadeira origem e quais as razões da nossa existência Dual, onde cabem numa mesma entidade a capacidade de produzir o bem ou o pior dos males.
Em 2016, seguindo esta mesma temática, o realizador oferece-nos esta história onde detalha a razão dos acontecimentos observados em “Prometheus”, na sequência da curiosidade humana para investigar a origem de uma transmissão radioeletrica captada pela nave “Covenant”, que teria largado o planeta terra em dezembro de 2014, com destino a um planeta remoto na nossa galáxia, para instalar uma nova existência da espécie humana iniciada com 2000 colonos transportados em hibernação no interior da nave.
Todos os elementos da viagem são verosímeis, a equipa é constituída por pessoas comuns mas com tarefas bem definidas para executar durante a viagem, o ambiente criado no interior da nave é credível, a tecnologia mostrada é atual e existe, pelo que a ficção fica-se somente pelo elemento destruidor, Alien, que tão somente representa uma manifestação de vida diferente da nossa que luta para se impor e subsistir e por certos aventureirismos da tripulação, com o fim de animar a rotina científica da expedição que se tornaria monótona como elemento de diversão, que todas as histórias pretendem incluir.
O problema continua a residir na espécie humana, na sua capacidade de diferenciação criativa cujo livre arbítrio conduz-nos sempre às assimetrias de uma existência que se pretende segura. Recomendo vivamente e em IMAX de preferência.

Classificação: 9 numa escala de 10