2 de agosto de 2017

Opinião – “Pedras Sombrias” de Eric D. Howell


Sinopse

Uma jovem e determinada enfermeira chega aos portões de um isolado castelo na Toscana, da década de 1950, para ajudar o herdeiro mudo que aí habita. A missão de Verena (Emilia Clarke, A Guerra dos Tronos, Exterminador: Genisys, Viver Depois de Ti) é trazer de volta ao mundo o silencioso menino Jakob. Mas, ao fazê-lo, vê-se cada vez mais envolvida nos segredos escondidos no castelo.

Opinião por Artur Neves

Normalmente os bons filmes começam por ter sido bons romances bem adaptados á linguagem cinematográfica. Ora o contrário também é verdadeiro, que é que se pode esperar de um romance de sala de espera de dentista, (romance Italiano: “La Voce della Pietra” escrito por Silvio Raffo) realizado por Eric Dennis Howell, cuja principal experiencia nesta área é a coordenação de duplos em diversos filmes e que agora decidiu lançar-se na realização.
A história baseia-se num convite a uma enfermeira especializada em casos de autismo, para se instalar numa velha mansão na Toscânia e iniciar o tratamento de um rapaz que se remete ao mais completo silencio após a morte de sua mãe. O convite é feito pelo pai, escultor de profissão que vive na casa com alguns fiéis criados. Vimos a saber depois que o filho se “comunica” com a mãe através das paredes da mansão e temos aqui a história toda.
A atris de serviço, Emilia Clarke (da qual já falei na crítica de “Viver depois de Ti”) não mudou nada ao que anteriormente lhe identifiquei; expressões faciais algo desconexas com a ação, maneirismos vários e desta feita a novidade de um arremedo de paixão fatal encenado no mais ridículo que se possa imaginar, sem razão, contexto ou sentido e apenas para encontrar um tema que se distinga do resumo anteriormente citado, para justificar esta pastelada história.
Plano após plano a mensagem é sempre a mesma, o miúdo silencioso a escutar às paredes, a enfermeira que o pretende tratar, o pai simulando preocupação num um ambiente gótico, sempre escuro para criar drama que não aparece, uma narrativa sempre constante, destinada a protelar o desfecho pífio que se vem a verificar, uns fantasmas ordeiros que nem disso merecem ser chamados porque não conseguem criar o ambiente místico anunciado através da narrativa. Lenta e custosamente a ação vai-se desenvolvendo sem novidade acrescida em cada novo plano, através dos mesmos diálogos entre personagens monodimensionais que se arrastam numa serie de clichés formais, sugerindo uma sobrenaturalidade material, esvaziada de conteúdo ou de espessura.
O final é mesmo a pior parte evocando a transmigração das almas entre mãe e filho como justificação para o seu mutismo eivado de misticismo, revela a sua natureza previsível, já indiciada durante toda a projeção, frustrante e maçuda de uma peça sentimentalona que nem consegue um desfecho coerente e digno desse nome. Um desastre.

Classificação: 2,5 numa escala de 10