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24 de maio de 2013

Opinião - O Intrínseco de Manolo

 

Título: O Intrínseco de Manolo
Autor: João Rebocho Pais
Editora: Teorema

Sinopse:
Na aldeia alentejana de Cousa Vã - vizinha da espanhola Ciudad del Sol - o nome de Manolo anda nas bocas escancaradas dos que passam as tardes na tasca a aviar minis, quiçá para que ninguém repare no que realmente se passa em suas casas - e talvez seja melhor assim. É, porém, facto indesmentível que Maria tem o hábito de desaparecer às sextas-feiras - e isso basta para que a mediocridade omnipresente faça do marido um adornado e da chacota um estranho alívio para a dureza dos dias. Manolo refugia-se do falatório acusador à sombra de uma azinheira secular, único ser vivo com quem pode dividir agora as suas mágoas; e, embora certo da virtude da sua Maria, não ignora a missiva que o carteiro lhe deixou em casa nessa manhã e que trazia - pois é - remetente espanhol… No jogo repetido que é o dia-a-dia dos lugares pequenos - onde ninguém ganha e quase todos perdem -, a descoberta da improvável verdade trará, mesmo assim, a Manolo a oportunidade de mostrar aos conterrâneos, de forma anónima, o seu intrínseco, seguindo os ensinamentos dos que, sendo velhos ou já desaparecidos, são parte importante da sua história - e da de Cousa Vã. Com um trabalho notável na composição das figuras e uma recuperação inteligente da linguagem popular de um Alentejo quase mítico, João Rebocho Pais estreia-se na ficção com um romance terno, mágico e, ocasionalmente, escatológico sobre o poder da excepção sobre a regra. 

Opinião por Joana Mata:
Através de uma linguagem engraçada, rude e composta ao mesmo tempo, o narrador transporta-nos para uma aldeia perdida no Alentejo profundo, a uns passinhos da fronteira, onde conhecemos uma série de personagens, todas elas tão diferentes e complexas (seria possível viverem efectivamente numa aldeia?). Serão elas a hipérbole da sociedade moderna mas desta vez todas presas numa única localidade? Falam-se de temas como o álcool, a homossexualidade, a ninfomania, as mentes tacanhas, o amor pela natureza, a loucura, a (falta de) higiene pessoal e um amor incrível, enorme, arrebatador, renascido e para sempre. Vale muito a pena.

18 de março de 2012

Opinião - Se isto é um homem

Título: Se isto é um homem
Autor: Primo Levi
Editora: Teorema

Sinopse:
Na noite de 13 de Dezembro de 1943, Primo Levi, um jovem químico membro da resistência, é detido pelas forças alemãs. Tendo confessado a sua ascendência judaica, é deportado para Auschwitz em Fevereiro do ano seguinte; aí permanecerá até finais de Janeiro de 1945, quando o campo é finalmente libertado.
Da experiência no campo nasce o escritor que neste livro relata, sem nunca ceder à tentação do melodrama e mantendo-se sempre dentro dos limites da mais rigorosa objectividade, a vida no Lager e a luta pela sobrevivência num meio em que o homem já nada conta.
Se Isto é um Homem tornou-se rapidamente um clássico da literatura italiana e é, sem qualquer dúvida, um dos livros mais importantes da vastíssima produção literária sobre as perseguições nazis aos judeus.

Opinião por Celina Maria João Rodrigues:
Toda a gente sabe o que aconteceu. Mas ter passado por isso, sofrer na pele o que se passou nos campos de concentração, e sobreviver para contar, não serão muitos a poder fazê-lo. Primo Levi relatou a sua experiência de forma crua, credível, e com uma narrativa exemplar. É sem dúvida um testemunho real, que apresenta de forma clara tudo o que se passava nos campos de concentração. Esta obra não é ficcional, mas devia ser... Ler tais atrocidades só parece que foram inventados... É mesmo possível que tudo o que Primo Levi relata tenha acontecido? É. E apesar dos esforços para não restarem sobreviventes, alguns escaparam e conseguiram dar o seu testemunho. É preciso que se leia, e não se repita.