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19 de setembro de 2014

Opinião - A queda de um anjo

Título: A queda de um anjo
Autor: Camilo Castelo Branco
Editora: Nova Delphi

Sinopse:
É uma das obras mais conhecidas de Camilo Castelo Branco. Romance satírico que põe a nú, de uma forma caricatural, o desvirtuamento dos costumes da sociedade portuguesa do século XIX. Centrado na figura de Calisto Elói, A Queda d’um Anjo traça o percurso de um fidalgo minhoto, conservador e defensor da moral e dos bons costumes que, ao ser eleito para a Assembleia da República, se perde nos encantos da vida da Capital, contrária à moral do Portugal rural e profundo. Calisto acabou por abandonar a vida casta que praticava e que "pregava" aos seus pares. Para além de Calisto, é possível encontrar outras personagens como a mulher adúltera, ou o deputado corrupto, etc. personagens que ainda hoje podemos encontrar correspondência com pessoas que poderão estar ao nosso lado.

Opinião por Patricia Oliveira:
A Queda Dum Anjo traça alegoricamente o percurso da contaminação do Portugal antigo por modas políticas, sociais, religiosas e culturais a partir do percurso de uma personagem – Calisto Elói, um deputado.
O seu conhecimento dos clássicos, aos quais dedicou toda a vida, enche-o de uma sabedoria moralista e conservadora que o faz ser eleito deputado pelo círculo de Miranda. Entretanto muda-se para Lisboa. A sua presença em Lisboa e os seus discursos no Parlamento fazem sensação. A moral dos costumes antigos, que defende em detrimento do luxo e dos teatros, a genuinidade autêntica e concisa do seu discurso, o seu senso comum, têm um impacto cómico em Lisboa, o que é tanto mais irónico quanto fazem sentido.
Mas a experiência da sociedade lisboeta, cheia de mulheres que lhe dão a conhecer um romance de Camilo, cujos francesismos condena veementemente, não deixa o herói imune. A contaminação da personagem e os indícios da queda expressam-se exteriormente através da primeira visita a um alfaiate lisboeta, impulsionada pela intenção de impressionar uma jovem menina casadoira (Adelaide) cuja irmã ele mesmo acabara de resgatar de uma ligação adúltera. Esse é o primeiro passo de um percurso que culminará na transfiguração de anjo em «esbelta figura de homem». A sua própria mulher não o reconhecerá. Esta transfiguração exterior traduz a sua metamorfose moral, consumada na defesa de princípios liberais em discursos tão ocos como aqueles que no início condenara.
Calisto depois inicia uma relação ilícita com D. Ifigénia Ponce de Leão e Teodora, sua esposa, acaba por relacionar-se com seu primo Lopo de Gamboa.

Eu gostei deste livro, uma vez que gosto dos livros contenha alguma critica à sociedade da época, seja as relações familiares, o oportunismo ou o adultério.
Camilo prima pela economia da narração, sendo as poucas descrições presentes um complemento das situações narradas (ex.: descrição de Calisto acentua as suas características). Camilo utiliza vários níveis de língua, de acordo com as personagens e contextos em que se inserem: nível cuidado, ligado a Calisto, no Parlamento, quando se utilizava todos os artifícios da retórica; nível normal, ligado ao narrador, espaço e personagens lisboetas; nível popular, discurso de Teodora, retratando a sua vulgaridade; nível familiar, nas cartas de Calisto e Teodora. Assim, Camilo imprime o ritmo conveniente à acção. É trabalhando sabiamente a Língua que confere um notável dinamismo à sua novela. A sátira reside na descrição de personagens corruptos de maneira cômica. A função da narrativa camiliana é tirar uma moral. Mas Camilo conclui qu
e desta história não pode tirar moralidades porque a imoralidade de Calisto deixou-o feliz! Contudo, por se ter identificado com o Calisto provinciano e satirizado o Calisto civilizado, exerce uma acção moralizadora, pois critica os podres do Portugal Novo.

11 de dezembro de 2012

Contos e Lendas da Madeira, de José Viale Moutinho, publicado agora em inglês, com o título «Madeira Folktales and Legends»

A editora NOVA DELPHI acaba de publicar uma seleção de Contos e de Lendas da Madeira em língua inglesa. A obra «Madeira Folktales and Legends», do autor José Viale Moutinho, contém num só volume uma seleção de textos publicados inicialmente em português e em dois livros («Contos Populares das Ilhas da Madeira e do Porto Santo» e «Lendas das Ilhas da Madeira e do Porto Santo»).
Pretende-se dar a conhecer um pouco mais da história e da cultura da Madeira aos que nos visitam, algo que vá além dos guias turísticos, e que permita um outro olhar sobre as crenças e as tradições dos ilhéus. A aposta da Editora nesta publicação destina-se ao universo de falantes em inglês – aos turistas, mas também à comunidade emigrante em países de língua oficial inglesa, que já tem várias gerações de descendentes. Esta seria uma forma de terem contacto com a história a cultura da Terra dos seus pais e avós, mas na língua do país que os acolheu.
O livro inclui gravuras retiradas do livro A History of Madeira, with a series of twenty-seven coloured engravings, illustrative of the costumes, manners, and occupations of the inhabitants of the Island, edição de R. Ackermann, Londres; 1821. Gravuras gentilmente cedidas pela Biblioteca Municipal do Funchal, onde se encontra um dos originais deste raro livro.
Na contracapa desta obra pode ler-se uma nota assinada pelo autor:
«Os Contos e Lendas da Madeira reunidos neste livro remetem para aspetos do imaginário do arquipélago, das suas gentes e daqueles que nos visitaram ao longo dos séculos. A posição geográfica das ilhas da Madeira e do Porto Santo permitiram que muitos e diversos povos por elas passassem a caminho de África ou das Américas, ou nela se fixassem, trazendo novas culturas, crenças e costumes. Porém, a colónia inglesa tornou-se uma constante na exploração da economia madeirense, nomeadamente no capítulo do prodigioso Vinho Madeira.
É possível hoje viajar pela Ilha da Madeira ou pelo Porto Santo através dos contos, das lendas e dos mitos. O imaginário coletivo justifica os nomes dados às freguesias e aos sítios, explica o medo dos poderes do Diabo ou alimenta o sonho na busca dos tesouros do corsário escocês Capitão William Kidd, escondidos nas Ilhas Selvagens. Tudo serve de pretexto para entreter as gentes ou para alimentar a sua forma de ser.