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28 de novembro de 2015

Opinião - Mayra Andrade - Misty Fest 2015 - 05/ Novembro/2015


Sinopse:
Mayra Andrade tem uma relação especial com o público em Portugal e essa relação sente-se nas colaborações que tem registado com artistas como Pedro Moutinho ou, mais recentemente, com António Zambujo com quem gravou um dueto de homenagem a Amália Rodrigues que a Universal em França elegeu para apresentar como single. Mas o carácter privilegiado da relação que mantém com o nosso país adivinha-se sobretudo nos aplausos que a aguardam sempre que por cá sobe a um palco, ocasiões sempre raras dada a amplitude da sua carreira internacional. Os concertos que Mayra Andrade se prepara para fazer no âmbito do Misty Fest, festival sempre dedicado a levar a melhor música às melhores salas e aos públicos mais exigentes, serão por isso mesmo ocasiões muito especiais: a 4 de Novembro subirá ao palco do Coliseu Porto, no dia seguinte, a 5 de Novembro, será a vez do Grande Auditório do CCB em Lisboa a aplaudir e a 7 de Novembro Mayra Andrade irá apresentar-se no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz.
Na bagagem, Mayra trará um concerto singular para Portugal, até porque as saudades apertam-lhe a alma: tem circulado recentemente pelo mundo com uma agenda carregada que a levou dos Estados Unidos e Canadá até à Alemanha, Áustria, França, Suíça, Turquia e Polónia. No ano passado viajou pelo Japão e Coreia, para dar apenas alguns exemplos mais exóticos, mas regressar a Portugal significa regressar a um país que bem conhece e que bem a conhece a ela. E daí o carácter particular destas apresentações. Ao Misty Fest trará por isso mesmo um alinhamento diferente, com passagem pelo seu trabalho mais recente, "Lovely Difficult", pois claro, mas também por material bem conhecido retirado de álbuns anteriores, incluindo os primeiros "Navega" e "Storia, Storia", de onde saíram alguns dos seus maiores êxitos que a afirmaram no plano internacional e a confirmaram no nosso país como uma das mais amadas vozes de Cabo Verde. Impossível perder. 

Opinião:
Dia 5 de Novembro, num dos dias mais aguardados do festival Misty Fest, Mayra Andrade desfilou classe e talento no Grande Auditório do CCB. Não foi de espantar que Mayra Andrade actuasse para sala cheia, a antecipação estava no ar, e aquando da entrada da cantora em palco o público calorosamente a acolheu e pôde assim aproveitar um espetáculo que, segundo as palavras da cantora, foi o culminar de 2 anos de tourneé, regressando assim à cidade onde se sente muito mais criativa.
Com ritmos muito inspirados na cultura cabo-verdiana, os arranjos estavam também com fortes influências de Jazz, permitindo assim uma boa demonstração da ginástica vocal da cantora. Com o público a pedir cada vez mais da cantora, esta não desanpontou e cada vez mais demonstrou o seu poderio vocal.
Aquando a entrada da primeira convidada especial: Sara Tavares, o público estava apoteótico e acolheu-a numa calorosa salva de palmas, o que permitiu interpretar uma das suas próprias canções, Estrela Mãe, que em dueto com Mayra Andrade tornou a música ainda mais carregada de emoção. E emoção foi o que marcou o resto da noite, ficando como o momento da noite a entrada de Pedro Moutinho, para interpretar uma versão de Alfama que marcou o público de uma forma muito positiva, demarcando o talento de ambos os intérpretes e da própria canção.
Uma noite de talento, carinho e cumplicidade que certamente marcou mais do que um elemento do público e que deixa certamente muitas saudades. Saudades da voz, do ritmo, da melodia e das músicas que marcam uma das vozes mais talentosas que passou por esta edição do festival Misty Fest 2015.

26 de novembro de 2015

Opinião - Lenine - Misty Fest 2015 - 07/Novembro/2015


Sinopse:
Em 2013, Lenine celebrou três décadas de carreira, marca séria na vida de qualquer cantautor. E são três décadas plenas, carregadas de conquistas. O artista brasileiro esteve o ano passado em Lisboa para uma importante apresentação no Rock In Rio, tendo dividido o palco com Rui Veloso e Angelique Kidjo. Foi, aliás, um ano intenso para Lenine que realizou o que designou como uma Turné Socioambiental, tocando e, sedes de importantes projectos sociais em todo o Brasil, e viajou para fora de portas levando o espectáculo The Bridge, com a orquestra holandesa de Martin Fondse, até aos Estados Unidos ou Alemanha, entre vários outros países. E agora, Lenine foca-se no futuro e no álbum Carbono, recheado de novas canções, que está a acabar de ser preparado.
Com dez álbuns em nome próprio, Lenine é sem dúvida um nome de referência, estatuto confirmado com a conquista de cinco prémios Grammy Latino e nove Prêmios da Música Brasileira. As suas canções foram gravadas por nomes como Elba Ramalho, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Maria Rita, O Rappa, Zélia Duncan, entre muitos outros. Produziu também trabalhos de Maria Rita, Chico César, Pedro Luís e a Parede e do cantor e compositor cabo-verdiano Tcheka, além de bandas sonoras para novelas, series de televisão, filmes, espetáculos de dança e teatro. É sem dúvida um nome grande, da primeira linha da melhor música do Brasil. E quem já o ouviu cantar êxitos como “Paciência” (parceria com Dudu Falcão), “Jack Soul Brasileiro” ou “Hoje eu quero sair só” não lhe nega os aplausos que de facto merece.

Opinião:
Muitas eram as pessoas que já desde a confirmação de Lenine no Misty Fest 2015 o aguardavam impacientemente e marcaram todos dias do calendário até dia 7 de Novembro. Um artista com um portfólio invejável, com uma carreira de 30 anos e mais de 10 albuns. 

Este foi um concerto muito mais inclinado para as músicas do seu mais recente albúm Carbono. O cantor apresentou-se com um cenário muito minimalista, apenas um microfone e as suas guitarras, e foi com os primeiros acordes que se deu inicio a uma noite cheia de fortes emoções, letras profundas, nostalgia e a uma enorme demonstração de talento por parte de Lenine.

Iniciando com algumas luzes ainda acesas, ajudando à intimidade do espetáculo e ao clima de carinho que se manteve durante a noite, rapidamente fomos transportados para um mundo de ritmos com muita influência brasileira que nos levaram numa autêntica viagem para climas mais quentes. 

As letras de Lenine são de uma simplicidade profunda, concisas e arrebatadoras, e é por isto que prefere cantar em paises latinos. Ele diz que se perde muito na falta de compreensão das letras, perdendo assim alguma ligação do público com as suas músicas. Segundo Lenine: "É um prazer poder falar e ser compreendido".

Todas as músicas ganharam uma nova dimensão quando nos começaram a ser apresentadas como filhos do artista, uns mais novos, outros com idade para serem pais. Assim fomos apresentados a todos estes filhos de idades variadas, mas todos com muito para contar sobre a vida e preserverança. Sermos apresentados aos seus filhos daquela forma, foi apenas uma mera formalidade. O público já sabia todas as letras e fazia questão de acompanhar o artista, quer fosse com palmas, quer fosse respondendo e complementando as letras. E todos os finais de músicas foram tidos como finais de concerto, aplaudidos com tanto carinho que era impossível não ficar contagiado. Foram nestes momentos que Lenine demonstrou que estava ali simplesmente para o público, não tendo medo de parar músicas a meio para garantir que tudo estava perfeito, ou até mesmo para combinar com a plateia o melhor arranjo para a música. Profissionalismo puro!

Toda a gente na plateia mostrou o seu apreço por todos estes detalhes e por todas as emoções que as suas músicas despertaram durante todos estes anos de criatividade e talento. Este talento foi bastante visível durante todo o espetáculo, pois estavamos a ser presenteados com algo que, segundo o artista, "são as músicas enquanto nuas, despidas de arranjos, puras e sem compromisso". Uma noite incomparável, carregada de sentimento e ritmo, que certamente vai andar a vaguear as memórias de todos durante muito tempo e que deu muita vontade de ter tempo para conhecer todo este vasto repertório que Lenine criou, e que certamente ainda irá criar.

14 de novembro de 2015

Opinião - Misty Fest - Dom La Nena / 4 Novembro 2015


Dona de uma voz harmoniosa e melodiosa, Dom La Nena levou até ao pequeno auditório do CCB as músicas que cedo farão parte da minha conta iTunes. A performance apresentada trouxe ao palco um one woman show onde todos os arranjos eram conseguidos através da gravação de samples dos instrumentos à sua disposição: guitarra acústica, tarola e pratos, ukulele, sintetizador, entre outros. Certo é que o talento encheu o palco rapidamente e muitas foram as caras de surpresa quando Dom La Nena disse as suas primeiras palavras em brasileiro, depois de ter interpretado em espanhol. Muito bom!!
Apesar de claramente ser artista para poder ocupar palcos maiores, o público pôde assistir a uma sucessão de músicas muito inspiradas nos locais onde teve as suas maiores experiências: Buenos Aires, Brasil, Lisboa e França. Assim a diversidade musical foi algo muito apreciado e em qualquer ponto do espectáculo houve algum tipo de gosto a ser satisfeito por entre a audiência.
Apesar de ter um início muito suave e calmo, o ritmo das músicas foi subindo e houve até um dance off onde o prémio era um CD de Dom La Nena. Para ganhar os candidatos só teriam de dançar um pouco de samba, em pé, nos seus lugares e, aos poucos, um por um, muitos foram concorrentes. Neste momento, foram convidados alguns elementos do público a subir ao palco para poder dançar e estar um pouco com a cantora. Um momento de festa inesperado que deu o mote para o que se seguiu: ainda mais alegria e partilha.
Um dos momentos mais acarinhados da noite foi uma performance unplugged, sem amplificação vocal que foi mais do que suficiente para encher o palco, a plateia e os corações de todos. Um outro grande momento, esteve intrinsecamente ligado ao que foi o valor de produção deste espectáculo. 
Som, palco, decoração, timings e iluminação: juntos todos estes elementos tornaram coeso este espectáculo e funcionaram perfeitamente num único momento onde Dom La Nena "magicamente" transferiu luz da sua mão para estrelas que davam mais iluminação ao palco e posteriormente para o público também. Muito carinhoso, muito inocente e sobretudo muito bem executado, tendo em conta o formato one woman show.
Esta foi uma noite que cedo não vai abandonar as memórias de quem teve o prazer de ver esta cantora em palco. Mas será certo que se irão sentir as saudades de ver mais uma performance de Dom La Nena. Uma artista que definitivamente não é para perder de vista!