23 de julho de 2019

Opinião – “Adeus Professor” de Wayne Roberts


Sinopse

Quando Richard (Johnny Depp), um professor universitário, é confrontado com um diagnóstico inesperado, decide livrar-se de quaisquer pretensões ou convenções e viver tão livremente quanto possível.
Com um sentido de humor cortante, comportamentos irresponsáveis e um toque de loucura, Richard experimenta todos os vícios – álcool, tabaco, sexo e insultar qualquer pessoa que o irrite, o que lhe dá mais prazer do que qualquer coisa em anos.
À medida que Richard vê o seu tempo diminuir, descobre que o seu corajoso ataque ao status quo o leva a aceitar a verdade e a valorizar as pessoas que realmente ama. E é isto que vai fazer num último grito de glória antes do fim.
Adeus, Professor é uma hilariante e intensa comédia dramática sobre o modo como um homem decide viver a vida ao máximo no momento em que encara o fim da sua viagem.

Opinião por Artur Neves

Para mim pareceu-me interessante ver Johnny Depp fora do registo do “Pirata da Caraíbas” seja qual a for a sequela que se considere, encarnando aqui o personagem de um professor universitário com um cancro no pulmão em fase terminal que lhe confere pouco tempo de vida, ou por outro lado, uma data previsível para a sua finitude que o leva a reconsiderar toda a sua existência, tudo o que fez e tudo o que não fez e gostaria de fazer, bem como, mais importante ainda, os condicionamentos que impôs á sua vida para chegar até ali com mais desejos do que realizações.
É pois sobre a derradeira altura de balanço de vida, que o realizador Wayne Roberts quis construir uma narrativa que em meu entender se apresenta frouxa e parca, focalizada em conceitos comuns algo ultrapassados, como fumar maconha, muito embora apresente momentos que justificam plenamente o personagem transformado em animal rebelde, tão ao jeito do ator que o representa.
Curiosamente, este filme foi inicialmente intitulado de; “Richard Says Goodbye”. Consultando a filmografia deste realizador apenas encontramos em 2016 outro filme com o nome; “Katie Says Goodbye”, não estreado em Portugal, sobre uma rapariga que se prostitui para realizar os seus verdadeiros sonhos de vida, o que parece indiciar que Wayne Roberts só faz e escreve filmes de “adeus”, vá-se lá saber porquê ou como despedida de si próprio.
No presente caso, Richard (Johnny Depp) é suficientemente carismático com o seu destino interpretando um desespero elegante (se é que isso existe) filosofando pausadamente sobre a sua existência, que vai piorando ao longo do tempo em que ele se esforça por não perder a face, embora a sua tristeza se acentue revelando a dicotomia em que está mergulhado.
A sua relação familiar não é exemplar, muito embora isso já pouco o afete e o facto da filha se revelar gay e a mulher ter um caso com o diretor da universidade, só lhe serve como pedra de arremeço para conseguir um ano sabático que lhe permita viver (morrer) longe e em paz.
O que temos é pois um homem em afundamento em si, decorrente na inevitabilidade do seu futuro que ele extravasa em aridez, atitudes patéticas e ofensas públicas mas que nenhum outro personagem parece notar, não só porque ele não se revela, mas apenas porque se mostra como uma piada de mau gosto de si próprio. É uma mensagem sobre o fim anunciado da vida, desta feita com data marcada, mas apesar da demonstração da sua rebeldia e das revelações sinceras que pronuncia o filme sabe a pouco e deixa uma sensação de inconseguimento.

Classificação: 5 numa escala de 10

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