10 de janeiro de 2019

Opinião – “Glass” de M. Night Shyamalan


Sinopse

M. Night Shyamalan junta as narrativas de dois dos seus maiores sucessos originais – “O Protegido” (2000) e “Fragmentado” (2016) – num novo e explosivo thriller assente na banda-desenhada Glass. Bruce Willis regressa com a sua personagem de “O Protegido”, David Dunn, assim como Samuel L. Jackson no papel de Elijah Price, também conhecido pelo seu pseudónimo, Mr. Glass. De “Fragmentado” junta-se James McAvoy, na pele de Kevin Wendell Crumb e as suas múltiplas personalidades, e Anya Taylor-Joy enquanto Casey Cooke, a única sobrevivente de A Besta. Após o final de “Fragmentado”, “Glass” começa com Dunn a perseguir a figura super-humana de A Besta, numa série de encontros desenfreados, enquanto a presença sombria de Price emerge, com segredos escuros de ambos.

Opinião por Artur Neves

Tal como descrito na sinopse anterior M. Night Shymalan, realizador Indiano radicado nos USA, Pennsylvania e autor do argumento de “O Sexto Sentido” que lhe deu notoriedade e motivou a sua entrada na realização apresenta-nos agora este thriller recheado de intensas representações de Kevin Wendell Crumb (James McAvoy) e de David Nunn (Bruce Willis) na pele de personagens já anteriormente criadas em filmes seus de sucesso.
Nesta história, questiona-se com alguma propriedade, a “existência” tão propalada pela Marvel, de super-heróis especializados em tarefas específicas e que ao atuarem em conjunto se tornam invencíveis. E se realmente nós tivéssemos, sem conscientemente nos apercebermos, a capacidade de desenvolver e utilizar forças que estão para além da compressão humana?
A questão é levantada como sendo conduzida por uma investigadora de um hospital psiquiátrico que captura Kevin, (perturbado com as suas vinte e quatro personalidades), David (possuidor de uma força sobre humana e que na altura perseguia Kevin como sendo “A Besta”) e Mr. Glass (Samuel L. Jakson, que sofre de uma doença incurável que lhe provoca ossos fracos e quebradiços como vidro, mas é detentor de uma capacidade mental superior que compensa a sua inferioridade).
No desenvolvimento da história as personagens são-nos apresentadas na sua atividade normal, embora reportando-as às suas origens em que David, o vigilante da cidade procura e encontra A Besta, (Kevin) na continuação dos seus crimes de sequestro, num encontro a todos os níveis espetaculares e emocionante até ser capturado e reunido no hospital com Mr. Glass que conseguirá controlar o que de mais poderoso cada um dos dois possui para provar no final que eles só são poderosos até ao ponto que organização secreta que governa o mundo permitir.
“Glass” está bem conseguido, é criativo, bem filmado e tem cenas de forte emoção, não só pela violência da representação como a presença do elemento controlador de A Besta, na figura da única vítima de sequestro sobrevivente, Casey Cooke (Anya Taylor-Joy) porque compreendeu a sua natureza demente e respondeu á violência com amor, como esta nunca tinha experimentado, única forma de apaziguar a violência mórbida da Besta.
Todavia, Shymalan arrasta a pergunta sobre a existência dos super-heróis sem contudo lhe dar uma resposta ou uma escapatória à pergunta de forma a não ter de responder, fundamenta-se na banda desenhada e não apresenta um clímax que passasse para o espetador a responsabilidade da resposta. O filme está bem feito e é interessante, até por continuar postulados anteriores, mas para mim, “O Sexto Sentido” de 1999, continua a ser o melhor filme de Shymalan.

Classificação: 7 numa escala de 10

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