25 de março de 2018

Opinião – “Peter Rabbit” de Will Gluck


Sinopse

Peter Rabbit, o adorado personagem das histórias infantis, chega ao cinema numa irreverente e contemporânea comédia cheia de atitude.
A disputa entre Peter Rabbit e o Sr. Gregório (Domhnall Gleanson) pela horta aumenta quando ambos passam a rivalizar pela atenção da bondosa vizinha Bea (Rose Byrne). Peter, com a ajuda do seu primo Casimiro e das suas irmãs trigémeas Flopsi, Mopsi e Rabinho-de-Algodão, vão meter-se em divertidas aventuras.

Opinião por Artur Neves

A utilização da plácida figura do coelho bravo, destemido e sagaz, nas histórias infantis não é recente, nem única. Bugs Bunny, quiçá o mais famoso coelho do cinema, (e o mais produtivo do ponto de vista de receita de bilheteira) “nasceu” em 1938 pela mão de Leon Schlesinger da Warner bros. Cartoons e fez carreira em curtas-metragens incluídas na série Looney Tunes e Merrie Melodies ainda na lembrança de muitos leitores desta crónica.
Posteriormente conciliou-se o desenho animado com figuras humanas onde se atingiu um significativo ranking com o filme “Quem tramou Roger Rabbit” de 1988, com a parceria entre a Touchtone Pictures e Amblin Entertainment de Steven Spielberg numa história de filme noir passada em 1947 e tendo obtido um significativo sucesso.
Desta feita, no caso de “Peter Rabbit”, uma versão atualizada dos personagens clássicos de Beatrix Potter, temos uma fábula tradicional bucólica, de rivalidade entre a cidade e o campo onde uma família de coelhos, encabeçada por Peter, procuram obter a sua subsistência á custa da horta do vizinho McGregor, coronel reformado, que lhes dá renhida luta, sem contudo evitar a pilhagem da sua horta por Peter Rabbit e restante pandilha, protegida e acarinhada por Bea, a vizinha defensora da natureza.
Com a morte do velho McGregor, entra em cena o seu sobrinho herdeiro Thomas McGregor, que se vê obrigado a abandonar a cidade de Londres, onde faz carreira no Harrods mas que vê a sua vida transformada ao reconhecer os benefícios da vida no campo e ao sucumbir aos encantos de Bea, pintora de tempos livres e amante da natureza, para quem Thomas, igualmente deixa de ser um estranho da cidade.
O filme é realizado em formato live action / animação computacional, utilizando meios sofisticados que permitem conciliar a confrontação entre atores humanos e animais reais sendo estes posteriormente tratados digitalmente em todas as suas ações e diálogos assegurados por atores convidados que emprestam aos coelhos a sua voz e as suas emoções.
Inicialmente o primeiro trailer do filme não foi bem aceite pela crítica, por algumas cenas contrariarem o espírito da história de Beatrix Potter, mas o segundo, mais ameno e coerente com os valores da vida ao ar livre, deu início a uma carreira mundial que até agora já arrecadou cerca de US$150 milhões e se espera que continue na senda do sucesso. Compreende-se que pode não agradar a todos, mas tem de se reconhecer que em tempo de Páscoa, coelhos e ovos, (embora sem qualquer relação entre si) são adequados à quadra e como tal podem constituir um divertimento agradável para os mais pequenos em férias escolares.

Classificação: 5 numa escala de 10

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