3 de outubro de 2017

Opinião – “Blade Runner 2049” de Denis Villneuve


Sinopse

Trinta anos após os eventos do primeiro filme, K, um novo blade runner, oficial da LAPD (Ryam Gosling), desvenda um segredo há muito enterrado que pode potencialmente mergulhar no caos o que resta da sociedade.
A descoberta de K leva-o numa missão para localizar Rick Deckard (Harrison Ford), um antigo blade runner da LAPD, desaparecido há 30 anos.

Opinião por Artur Neves

Esta história segue todos os parâmetros estabelecidos no primeiro filme, atualizando-os á data em que os atuais eventos se desenrolam. K cumpre a sua função de polícia na perseguição aos replicantes que se revoltam contra a ordem estabelecida e pretendem viver por sua conta e risco a simulação de vida que conseguem construir.
Sem emoções e programados para cumprir determinadas funções imprescindíveis aos seres humanos que os criaram, estas máquinas biológicas conseguem evoluir para estágios superiores de existência tendo como objetivo superar os seus criadores, sendo nesta fase que a intervenção dos blade runners se torna necessária, só que desta vez um segredo foi sentido e a busca pela verdade iniciada, por quem não se esperaria obreiro de tal façanha.
Para lá da história que preenche a ação do filme outras valências se apresentam como justificadoras da sua excelência, considerando a ordem social que nos é mostrada, os seus códigos e regras, as suas leis, a sociedade que se formou decorrente de um mundo tecnologicamente evoluído mas controlado, as necessidades e as compensações que foram criadas para manter a coabitação entre humanos e não humanos.
Não quero com isto dizer que a Los Angeles de 2049 tenha aquele aspeto e ambiente ou que a ficção pretende dar-nos uma imagem do futuro, tal como, a LA do primeiro filme não corresponde minimamente à LA real dos tempos de hoje, mas serve para nos apresentar propostas de resposta a perguntas que embora não tendo sido feitas, nos mostram uma perspetiva social da nossa permanência na terra e da sua utilização desregrada, numa altura no futuro, em que alguma coisa terá de ser feita para não nos aniquilarmos todos uns aos outros em busca dos mesmos objetivos.
Repare-se nas ruas, nos meios de transporte, no modo de vida individual e fundamentalmente nas compensações emocionais que são oferecidas para preencher o vazio de toda uma existência solitária e estéril. Fora de LA, a vida é um caos de luta selvagem e primitiva por bens que não existem, vive-se numa enorme lixeira que a evolução não soube conter nem regularizar enquanto esteve ao nosso alcance, de tal modo que sair da metrópole é sinalizado com aviso de perigo em todos os meios de transporte.
Esta vertente do filme é para mim a mais interessante, porque motivadora de reflexão tanto para a utopia que encerra, como para as soluções que propõe, mostrando-nos o quanto somos descartáveis neste universo e o quanto pouco sabemos dos nossos verdadeiros desígnios. Muito bom, recomendo com entusiasmo.

Classificação: 9 numa escala de 10

1 comentário:

Fabrizio Oliveira disse...

Para mim, os filmes são muito interessantes, podemos encontrar de diferentes gêneros. De forma interessante, o criador optou por inserir uma cena de abertura com personagens novos, o que acaba sendo um choque para o espectador. Desde que vi o elenco de Blade Runner 2049 imaginei que seria uma grande produção, já que tem a participação de atores muito reconhecidos, pessoalmente eu irei ver por causo do ator Harrison Ford, é muito comprometido. Blade Runner 2049 é um filme que vale la pena ver, os recomendo muito.