19 de julho de 2016

Opinião – “Hora de Vingança” de Chuck Russell


Sinopse

Stanley Hill (John Travolta), um engenheiro desempregado, testemunha o assassinato da sua mulher, Vivian (Rebecca de Mornay). Quando o detective Gibson (Sam Trammell) e outros polícias corruptos não conseguem ou não querem trazer os assassinos à justiça, Stanley recorre à ajuda de um velho amigo, Dennis (Christopher Meloni) e decide resolver ele mesmo a situação.
À medida que eles tomam a sua vingança, as pessoas envolvidas nesta trama, começam a perceber que Stanley e Dennis são muito mais perigosos do que qualquer pessoa podia ter inicialmente imaginado.

“Hora de Vingança” de Chuck Russell é um sanguinário filme de vingança que revela como John Travolta ainda tem força e intensidade para ser um dos mais impressionantes heróis de acção do cinema actual.

Opinião por Artur Neves

Esta é uma história sem surpresas onde todos os eventos são previsíveis no decorrer da acção, por outro lado, as surpresas que contém aparecem mais como remendos justificativos para alguns dribles imprevistos da acção, do que de acontecimentos previamente determinados no guião que o suporta. É uma história escorreita, mas sem refinamento formal, com pouca criatividade e como tal, arrastada e algo maçadora, constituída por uma série de episódios justificativos das cenas de acção que a conduzirão ao resultado esperado. Resultado este, apresentado no final como é hábito, mas de forma implícita.
John Travolta tem o que pode chamar-se uma carreira variável, no aspecto de êxitos potenciadores da fama do actor e de sucesso como obras cinematográficas. Apresenta no seu percurso meia dúzia de referencias, tal como; “Febre de Sábado à Noite” de 1977 e a sequela “Brilhantina” no ano seguinte, que puseram o seu nome na cena cinematográfica dos êxitos para jovens rebeldes, pós Maio de 68 e festival Woodstock em 69. Em 1983 com a “Febre Continua” foi mais do mesmo, e não lhe trouxe qualquer mais-valia. Depois de vários filmes menores experimentou um êxito surpreendente com “Pulp Fiction” em 1994, mais pela genialidade de Tarantino que realizou o filme do que por mérito próprio, mas ainda assim significativo no conjunto das ofertas de cinema. A partir daqui assumiu uma carreira discreta com picos de notoriedade, tais como em; “Assalto ao Metro 123” de 2010, e “Temporada de Caça” em 2013 onde o facto de contracenar com Robert De Niro (já em registo de reforma mas ainda com presença significativa) o contagiou com algum sucesso.
Actualmente em 2015, vemo-lo em “Actividades Criminosas”, já comentado neste blog, e presentemente nesta história, quase “serie B”, que não lhe acrescenta qualquer benefício de carreira neste filme “direitinho”, abordando o tema da corrupção política de forma convencional, sem chama crítica, sem denúncia social e apelando à justiça por mãos próprias porque senão “estamos mesmo tramados”, como alternativa à justiça que temos o direito de exigir da sociedade e do estado.
Estamos pois em presença de um filme monótono, previsível, com uma história coerente dentro do seu género, mas sem novidade nem chama que justifique a sua recomendação. É pena e não constitui uma fatalidade, pois recentemente tem havido argumentos já conhecidos, que trabalhados de forma hiperbólica renovam o nosso interesse em os revisitar.
Classificação: 4 numa escala de 10

Sem comentários: