3 de dezembro de 2015

Opinião - Allo Allo - Teatro da Trindade Inatel


Sinopse:
A acção passa-se durante a ocupação alemã no decorrer da II Grande Guerra Mundial, no Café René, que está, a partir de agora, novamente aberto!
O café vai ficar cheio de alemães para com quem René tem de ser... simpático, depois chega a sua mulher com quem René tem de ser também... simpático, depois as suas empregadas de mesa, Mimi e Yvette com quem René… gosta de ser simpático, principalmente quando a mulher não está por perto. No piso de cima está a sogra de René com quem ninguém gosta de ser simpático.
Um café bastante normal no tempo de guerra em França, podem vocês achar. Mas não se deixem enganar. Na adega do café estão escondidos dois oficias britânicos, aviadores. Se os Alemães os descobrem... René será fuzilado! Na cozinha está pendurada uma salsicha alemã em decomposição, que contém o retrato valiosíssimo da Madona Caída com Grandes Mamas, executado pelo grande mestre pintor de grandes peitos Van Klomp. Está escondida para os alemães, mas, se a Resistência descobre... René será fuzilado! E, se a mulher descobre que René tem um caso com a Mimi, será fuzilado! E se a Mimi descobre que René tem um caso com a Yvette ela fuzila-o, assim como o fará a Yvette se souber do caso com a Mimi.
A esperança de vida de René é praticamente a mesma de alguém que já está morto. Mas não vai ficar por aqui... ainda muitas coisas vão acontecer... Talvez até o próprio Hitler apareça... Tudo por causa de uma Madona Caída com Grandes Mamas!

Opinião:
Ouçam com atenção, só vou dizer isto uma vez. Esta é uma peça inspirada no programa de televisão da BBC com o mesmo nome, e se forem como eu sabem que a história gira à volta de um dono de café, René Artois, numa França ocupada pelos alemães em plena 2ª Guerra Mundial. Acompanhado pela sua mulher Edith e pelas suas empregadas de mesa (e com funções extra de entretenimento para os soldados alemães) Yvette e Mimi, René esconde 2 aviadores britânicos até estes poderem ser resgatados pela resistência francesa, para a qual o seu café é o ponto de comunicação com as forças aliadas. Como se não fosse pressão suficiente, o seu café é também o ponto de encontro e de lazer para as tropas alemãs, e René vê-se responsável por guardar a pintura da Madonna Caída Com Grandes Mamas para o Coronel Kurt Von Strohm.

René rapidamente entra num mundo de disfarces ridículos, escapadelas com as empregadas, comunicações secretas com a resistência francesa, escapadelas com as empregadas, conspirações secretas com as tropas alemãs, escapadelas com as empregadas, medo de ser fuzilado e escapadelas com as empregadas.

Esta é uma descrição muito redutora de uma série de televisão que esteve no ar durante 10 anos, mas é a história geral. Esta é a dificuldade de incluir 10 anos de conteúdo em 2 horas de espectáculo, no entanto, na peça em cena no Teatro da Trindade Inatel, esta descrição é feita muito eficientemente, mas como é evidente conhecimento prévio das personagens e enredo torna a experiência muito mais profunda.

E com o conhecimento sobre a série, esta peça torna-se como uma avaliação da caracterização das personagens e quão parecidas estão estas com o material original, assim, só tenho a apontar o susto que apanhei com a apresentação de Herr Flick da Gestapo, pois na sua primeira cena não estava com o seu característico sobretudo e chapéu negros, mas aparentemente foi apenas na primeira cena e todos os personagens (Herr Flick incluido) estavam muito bem caracterizados e todos os maneirismos e chavões estavam definidos de forma excelente.

Com um elenco repleto de atores conhecidos tais como João Didelet (René Artois), Elsa Galvão (Edith), José Carlos Pereira (Herr Flick), Susana Borges (Helga), Oceana Basílio (Michelle), entre outros, qualquer sessão desta peça (em cena até 27 de Dezembro) será certamente uma viagem nostálgica pelos caminhos das nossas memórias que nos levará sempre de volta àquele café em Nouvioun, sempre ao som do acordeão.

Sem comentários: