21 de novembro de 2015

Opinião - O Olhar Oblíquo do Mal - Dean Koontz


Título: O Olhar Oblíquo do Mal
Autor: Dean Koontz
Editora: Gradiva

Sinopse:

     Bartholomew Lampion vem ao mundo na Califórnia. Tem os olhos mais belos que se possam imaginar. No mesmo instante, a centenas de quilómetros desse local, Junior Cain, um ser cruel vítima de uma perturbação misteriosa, tem o pressentimento de que um homem genial que virá um dia a ser seu inimigo mortal acaba de nascer... Cain não sabe quem é esse homem nem onde possa estar - sabe apenas que terá de o eliminar. Enquanto Cain semeia o terror e faz correr sangue por onde quer que passe, o detective Vanadium lança-se em sua perseguição para o impedir de levar a cabo o seu intento. Ao mesmo tempo, em São Francisco, nasce Angel, uma criança dotada de poderes misteriosos...

     Ao longo de uma intriga surpreendente, estes quatro destinos vão acabar por se entrelaçarem, aparentemente para o pior e - talvez - para o melhor... Uma aventura de cortar a respiração num thriller psicológico que é também uma exploração apaixonante da natureza humana. Dean Koontz nunca foi tão longe no terror e na exploração das nossas ansiedades mais profundas.

Opinião por Erica Amaro:

      Depois de A Casa do Mal, Fantasmas e Intrusos (e tantos outros livros) Dean Koontz traz-nos mais uma obra-prima. O Olhar Oblíquo do Mal é um thriller emocionante, que surpreende o leitor da primeira à última página.

     Bartholomew é apenas um recém-nascido quando lhe lêem a sina pela primeira vez e as cartas revelam um futuro tão promissor como devastador, prevendo que será muito amado e terá muito dinheiro, mas também terá um inimigo monstruoso; Junior Cain é um homicida obcecado pela própria imagem e o auto-aperfeiçoamento que, certo dia, tem um estranho sonho do qual acorda sobressaltado e em que profere o nome do seu inimigo - Bartholomew. Apesar de não conhecer ninguém com esse nome, a sensação de perigo que o invade leva-o a iniciar uma busca incansável e febril com a finalidade de acabar com essa pessoa. Quando lhe começam a aparecer cartas de jogar com o nome Bartholomew escrito a caneta entre os seus pertences, Cain vê nisso a justificação para a sua decisão; Thomas Vanadium é uma pedra no sapato de Junior Cain, um detective de faro apurado que desconfia de Cain assim que lhe põe a vista em cima e está determinado em descobrir a verdade - um alvo a abater; e Angel, fruto de uma violação e órfã de mãe à nascença, fica aos cuidados da tia, depois desta se debater se há-de ou não adoptar a menina, pois receia que venha a ser um monstro como o pai. Que estranho destino liga todas estas vidas? À medida que a história avança vão sendo introduzidas novas personagens que, por um lado, levantam o véu, por outro adensam o mistério. A cada página que se vira descobrem-se novos e arrepiantes pormenores de vidas misteriosamente ligados entre si; pormenores por vezes sórdidos mas que, em vez de nos repelirem, embrenham-nos ainda mais na história. É como o trágico acidente de viação do qual não conseguimos desviar os olhos.

     A escrita de Dean Koontz é brilhante e as descrições são ricas e vívidas, cheias de metáforas inteligentes, sem nunca se tornarem cansativas ou aborrecidas e leva o leitor numa viagem ao centro da condição humana. São mais de seiscentas páginas que se lêem de um só fôlego. Um romance que aconselho vivamente.

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