8 de novembro de 2018

Opinião – “Widows” de Steve McQueen


Sinopse

Do galardoado ator Steve McQueen (Vencedor do Oscar com “12 Anos Escravo”) e da autora do best-seller “Em Parte Incerta” Gilian Flynn, chega-nos um thriller intenso com o pano de fundo do crime, paixão e corrupção. “Viuvas” conta a história de quatro mulheres sem nada em comum, exceto uma dívida deixada pelas atividades criminosas dos seus maridos falecidos. Em plena Ghicago, no meio do tumulto, as tensões aumentãm quando Verónica (Viola Davis), Alice (Elizabeth Debicki), Linda (Michelle Rodriguez) e Belle (Cynthia Erivo) assumem o destino nas suas próprias mãos e planeiam construir o seu futuro nos seus próprios termos. “Viuvas” é também protagonizado por Liam Neeson, Colin Farrell, Robert Duvall, Daniel Kaluuya, Lukas Haas e Brian Tyree Henry.

Opinião por Artur Neves

Goste-se ou não de Steve McQueen, é insofismável que ele deixa uma marca de relevo no cinema americano com temas fortes e personagens ricos em sofrimento e mortificação do corpo e do espírito. Em “Fome” de 2008, “Vergonha” de 2011 ou “12 Anos Escravo” de 2013, que lhe valeu o primeiro Oscar, McQueen apresento-nos sempre personagens que sofrem a fome, os seus vícios, ou a submissão por outros à escravatura da vontade e da liberdade. Em “Viúvas”, ele como que distribui por quatro mulheres o sentimento primário de medo, numa história de sofrimento, duro, violento mas revestido de um cinismo que nos agrada e em certas situações até se torna divertida.
Elas são todas pessoas de bem, os maridos é que nem tanto e quando a carrinha de Harry (Liam Neeson) é destruída numa forte explosão e com ela, os dois milhões de dólares que ele e os seus companheiros tinham roubado tudo muda para aquelas mulheres, que são responsabilizadas pela reposição do dinheiro pelos chefes do assalto, sendo confrontadas com situações imprevistas para elas até então. Verónica (Viola Davis) está soberba, como aliás já nos habituou noutras interpretações, no sofrimento, na dor, e nos momentos de memória do seu carinhoso marido antes do assalto.
Mas é necessário sair do impasse, urge encontrar uma solução para as ações punitivas do chefe do gang e se essa solução for tanto mais completa, que de alguma maneira ainda lhes assegure a independência, tanto melhor, e é aqui que entra a trama política e a chantagem com fotografias comprometedoras para obter o que pretende, que é tão-somente a liberdade do medo sentido nos últimos tempos.
Esta história apresenta elementos que seriam mais úteis e funcionais numa série de televisão, do que nos 129 minutos de duração do videograma, mas McQueem esbanja recursos e talentos em todos os personagens criados e nós só temos de agradecer.
O enredo está bem conseguido podendo ser tomado como exemplo, de como histórias de crime e de drama podem ser também divertidas, ao mesmo tempo que nos mostram que tudo depende de nós e da nossa capacidade de raciocínio nos momentos de tensão e desespero. Muito boas interpretações de todos os personagens femininos criados que bem podem ser chamadas de “Oceans Four” com mais propriedade do que as “Oceans Eight” recentemente apresentadas nas salas do país. Estas pelo menos têm razões de sobrevivências para atuarem, recomendo.

Classificação: 8 numa escala de 10

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